Empreendedor: quer diversão? Vai pra Disney

Empreendedor: quer diversão? Vai pra Disney

Empreender é trabalho duro; “nada aqui é mais divertido ou tem mais glamour do que emprego em multinacional”

Sou avesso a falar de startups. Sou contra influenciar pobres coitados que enfrentam o dilema de largar tudo para correr atrás do sonho americano. Abomino palestra que seduz gente despreparada a entrar nesse mundo cruel travestido de folia infinita.

Detesto listas. 10 passos para não sei o que, 50 maneiras disso e daquilo. Me dá calafrios a ideia de entusiasmar alguém com a promessa de uma vida melhor – vamos combinar, para isso já existem as igrejas. Questão de meritocracia, parceiro.

E o que dizer sobre o velho conto do jovem gênio que teve um lampejo extraordinário e tropeçou num investidor que resolveu ser o mecenas contemporâneo da porra toda?!

Não trago boas novas.

Nada aqui é mais divertido ou tem mais glamour do que emprego em multinacional. Deixe-me ser claro: isso aqui não é passatempo. Tampouco temos lugar para o jovem impetuoso e cheio de ilusões que acredita que vai trabalhar 12 horas por dia em sua ideia revolucionária mesmo sem nunca ter trabalhado 1 minuto sequer em toda vida, nem prestando serviço voluntário.

Não afirmo nada disto com soberba, me restrinjo aos dados: 90% das startups brasileiras que chegam à fase adulta mudam seu modelo de negócio inicial, pelo menos uma vez. Ou seja, não se trata da ideia, ou de ímpeto. Tudo é questão de estar preparado – mental e financeiramente -, de aguentar milhões de sapos e perseverar. É preciso planejar, bater metas, aguentar gente chata e fazer dinheiro. Enfim, igualzinho ao emprego do seu pai, a não ser pelo fato dele ter a certeza que vai receber no fim do mês.

Se nenhum desses pontos inibiu sua ambição de entrar nessa roubada, minha sugestão é que, antes de empreender, trabalhe um ou dois anos em alguma startup. Vai ser fácil, acredite. Já existem ao menos duas empresas brasileiras para cada ideiazinha que você possa ter. Duvida?! Google it.

E para não dizer que este artigo não valeu de nada, fica aqui a única dica que estou credenciado a dar para qualquer jovem com mente empreendedora: jamais, em nenhuma hipótese, mesmo sob tortura, utilize a expressão ‘proativo’.

Davi Bertoncello é CEO do Hello Group, sócio-fundador da Hello Research, startup de pesquisa de mercado, e cofundador da NoBeta, startup de mídia digital.


Fonte: Notícias Administradores / Empreendedor: quer diversão? Vai pra Disney

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