Enfrentando a crise: façamos a nossa parte!

Enfrentando a crise: façamos a nossa parte!

As crises fazem parte do processo de evolução de uma sociedade. O nosso papel como gestores é agir e trabalhar em nossas empresas buscando melhorar e otimizar tudo o que for possível para e que permita a superação das dificuldades impostas. Antes de reclamara temos que fazer a nossa parte.

1. Introdução

Nós vivemos em um mundo complexo no qual inúmeros fatores interferem e influenciam o dia a dia de governos, empresas e cidadãos. Somos parte de uma sociedade de cerca de 7 bilhões de indivíduos vivendo em países com as mais diversas condições econômicas, sociais, ambientais e tendo como pano de fundo diferentes culturas. As decisões que afetam essa sociedade são tomadas por pessoas com diferentes interesses, pensamentos e caráter. Outro ingrediente importante nesse contexto é o poder, que influencia diretamente as grandes decisões que são tomadas em escala mundial.   Nesse contexto é impossível uma sincronia universal que leve a um estado onde todos as nações vivam em perfeita sincronia e estabilidade.

As crises são consequência do processo de evolução e sempre existirão, em escala global ou local, e normalmente contribuem para fazer os ajustes necessários nesse sistema complexo no qual vivemos. Ou seja, uma crise é parte da vida de pessoas, empresas, governos e nós temos que aproveitá-la para analisar os erros cometidos, planejar e implantar ações que nos permitam sair desse estado crítico e partir para um ciclo novamente virtuoso. 

2. A realidade atual brasileira – uma crise política/econômica

     2.1 O contexto da crise que estamos vivendo

A crise que estamos vivendo no Brasil é originalmente política que evoluiu para uma das piores crises econômicas das últimas décadas no Brasil. Uma série de decisões equivocadas na esfera econômica e uma crescente corrupção sem precedentes levaram o Brasil a uma situação econômica calamitosa num momento em que a maioria dos países está crescendo, mesmo que alguns em estágio mais lento. Até a Grécia que estava praticamente falida está dando sinais de recuperação. O tamanho do estado está muito maior do que deveria numa economia com as nossas características. Existem dois problemas a serem resolvidos a curto prazo:

  • Combate a corrupção – precisamos reduzir drasticamente os níveis de corrupção no meio político/empresarial. Esse processo está em andamento e gerando resultados práticos consistentes. Acreditamos que evoluímos muito no sentido de punir os criminosos que assaltaram os cofres de empresas estatais e fundos de pensão. O importante agora é criar mecanismos e retroalimentar o sistema para que esse combate a corrupção seja permanente e sistêmico de tal forma a elevar o Brasil a um nível de governança condizente com sua representatividade global
  • Melhora da economia – é necessário planejar e implantar um conjunto de ações visando reestabelecer as bases da economia trazendo os indicadores para um patamar aceitável. Essas ações fatalmente vão gerar resistência social no curto prazo porque afetam diretamente o dia a dia da maioria dos cidadãos brasileiros. Esse é o preço que temos de pagar pelas decisões erradas que nossos governantes tomaram nos últimos anos

A boa notícia é que a solução do problema está em nossas mãos. Existe dinheiro disponível no mundo para investimentos e se o Brasil fizer os ajustes necessários vai atrair a confiança do capital externo e certamente atrairá recursos financeiros suficientes para darmos um novo salto de crescimento. Existem várias possibilidades de acordos comerciais dos quais o Brasil não faz parte simplesmente por ter negligenciado a esfera de relações internacionais por muito tempo. Além do mercado externo temos um mercado interno com potencial de consumo enorme, que resolvido o problema do endividamento voltará a consumir. Temos um “um mundo a disposição” e aqui dentro 200 milhões de consumidores.

Importante salientar que independentemente dos partidos que estão no primeiro escalão do poder em nosso país atualmente, formou-se um time de profissionais muito competentes na área econômica, nos levando a crer que a possibilidade de uma recuperação é grande. Ao nosso ver esse processo de melhoria só pode ser impedido com uma retomada da crise política, interrompendo o plano de trabalho que está sendo proposto pela área econômica do governo.

     2.2 O nosso papel como cidadão nesse contexto

Não existe solução milagrosa. A solução para a retomada do crescimento econômico e consequente saída da crise depende de cada cidadão brasileiro. É impossível resolver os problemas do mundo, mas podemos mudar a realidade ao nosso redor. Cada um de nós tem que fazer o que estiver ao alcance de suas mãos e incentivar as pessoas de seu meio a fazer o mesmo. Dessa forma cria-se uma rede de ações, atitudes e comportamentos cuja dimensão ultrapassa o nosso campo de visão.

Principalmente os profissionais em posições de liderança, pessoas que estão a frente de grupos de trabalho ou empresas inteiras, esses que tem o poder de tomar decisões, que façam o melhor que puderem no que estiver ao seu alcance. Reclamar e assistir como expectador as más noticias, não resolverá nenhum dos problemas que estamos vivenciando. Fazermos papel de vítima não nos ajuda a sair dessa situação. Trabalhar e influenciar pessoas com boas intensões vai trazer o progresso necessário para recuperarmos a nossa economia.

     2.3 O nosso papel como gestores de empresas

As crises tem o seu lado bom – faz os gestores olhares para suas empresas e buscarem oportunidades de melhoria.

Num momento como esse que estamos vivendo temos que trabalhar com vigor buscando manter a operação viável para superar as dificuldades e sair da crise mais leves, enxutos, eficientes, preparados para participar da bonança de um período pós-crise. Os principais pontos a serem trabalhados em nosso ponto de vista são os seguintes:

  • Processos internos: temos que revisar no detalhe todos os processos que fazem parte de nosso sistema em todas as áreas. O objetivo é eliminar redundância de tarefas, eliminar desperdícios de recursos (financeiros ou não financeiros) e aumentar a produtividade. Sempre existe algo a ser melhorado, até mesmo nas empresas que já tem um sistema de gestão de processos apurado. Num contexto de crise temos que buscar fazer mais com menos. Se temos pessoas demais num determinado setor temos que fazer o corte do excedente imediatamente, porque o coletivo é sempre mais importante do que o individual. Se para manter a empresa viva temos que eliminar 10% ou mais do efetivo de pessoal, essa deve ser a decisão a ser implementada. É uma oportunidade ímpar de fazer uma seleção de funcionários, mantendo somente os de melhor desempenho. Não só pessoas excedentes devem ser cortadas, mas também qualquer recurso dispensável. A palavra de ordem deve ser “enxugar gastos desnecessários”.
  • Investir em treinamento e engajamento: aproveitemos a crise e o tempo ocioso para treinar os funcionários que ficam. Vamos preparar o nosso time para enfrentar as dificuldades momentâneas e agir na busca da retomada. Temos que envolver o time nas discussões e busca de soluções. Os bons funcionários quando estimulados da forma correta contribuem com idéias para redução de custos, melhorias nos processos e aumento de receita. A palavra de ordem é “investir nos que ficam”.
  • Buscar novos mercados/nichos: vamos “pensar fora da caixinha”. Talvez exista um mercado para os nossos produtos, que nunca imaginamos. Podemos adequar os nossos produtos/serviços para atender a um público diferente? E se adequássemos a nossa logística para atender regiões que estavam fora do nosso radar? Quem não compra os nossos produtos e por que? A palavra de ordem é “vamos buscar alternativas para incrementar as nossas vendas”. Como diz a famosa frase “enquanto uns choram outros vendem lenços”.
  • Parcerias: uma crise não atinge somente a nossa empresa, mas provavelmente os nossos concorrentes também, em menor ou maior escala. Que tal buscarmos sinergias/parcerias? O fato de sermos concorrentes não nos impede de fazermos negócios juntos. Temos que fazer parcerias que tragam benefícios para ambos, como por exemplo, compartilhamento de matérias-primas commodities, estrutura logística, terceirização de produção, etc. Podemos ser concorrentes na nossa atividade fim, na tecnologia de nosso produto, na nossa estratégia comercial, mas podemos compartilhar recursos e juntar forças naqueles pontos/atividades assessórias. É bom sempre ter em mente que deve ser bom para os dois lados, do contrário a parceria não funcionará a longo prazo. A palavra de ordem é “parcerias estratégicas”.

Antes de reclamar da macroeconomia temos que fazer o nosso trabalho dentro de casa. Não existe crise que dure a vida inteira e nem bonança que não acabe. A vida é feita de altos e baixos, na economia e nas empresas não é diferente. Temos que trabalhar muito, incentivar e envolver os nossos funcionários, fazer tudo com ética, combater a corrupção no nosso dia-a-dia e usar a nossa rede de contatos para influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo.

3. Conclusão

Nós temos basicamente duas alternativas mediante uma crise:

  • ficarmos sentados aguardando a crise passar: continuar fazendo as mesmas coisas de antes, reclamar o tempo todo das dificuldades as quais estamos expostos, aguardar que alguém faça alguma coisa para nos tirar dessa situação ruim;
  • agir: assimilando que o cenário mudou vamos agir para nos adequarmos ao novo contexto. Vamos fazer os ajustes necessários e trabalhar muito mais do que antes, buscar novas idéias, fortalecer o trabalho em grupo, influenciar as pessoas do nosso meio a agir nessa mesma direção;

Não existe garantia de sucesso e muitas empresas vão ficar pelo caminho. O nosso papel é garantir que fizemos o máximo para superar as dificuldades impostas por essas crises e preparar a empresa para eventuais novas crises que certamente surgirão em algum momento do futuro.

Ao invés de culpar o sistema ou cobrar os outros, façamos a nossa parte!

 


Fonte: Artigos Administradores / Enfrentando a crise: façamos a nossa parte!

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