Esforço de autorreflexão política

Esforço de autorreflexão política

Serviço público não é uma carreira, e, sim, uma missão em benefício da população.

Em discurso feito nesta data, a Presidenta Dilma afirmou que o uso da crise que assola o país para chegar ao poder é uma forma moderna de golpe. Trata-se de uma resposta, no mínimo, contraditória a setores da sociedade civil, do meio empresarial e da classe política que apoiam a abertura do processo de impeachment contra ela. Isso porque o próprio partido dela saiu às ruas e apoiou semelhante processo de impedimento do então Presidente Collor, em 1992.

 

Em tempo, que fique bem claro que este que lhes escreve não é esquerda-caviar, tampouco direita-coxinha. Este que lhes escreve é afiliado ao PB – Partido do Brasil. Logo, qualquer semelhança com discursos proferidos por grupos ligados a quaisquer dos lados dessa dicotomia política ultrapassada é só mera coincidência.

 

Sobre a afirmação feita por Dilma, cabe esclarecê-la que golpe, em termos políticos, significa esperteza ou manobra traiçoeira. Logo, fazer tal afirmação acerca de um grito que ecoa nas ruas e que reflete o sentimento dos mais de 90% da população brasileira, segundo o Datafolha, é ignorar o parágrafo único do art. 1° da Constituição Federal que alguns de seus colegas de partido, inclusive Lula, ajudaram a redigir e aprovar em 1988 e que serviu de fundamento legal ao impeachment de Collor.

 

Isso posto, e ainda levando em conta a definição de golpe aqui exposta (segundo o Dicionário Michaelis), o que é mais parecido com um golpe: a população sair às ruas e lutar contra a corrupção, os corruptos e os incompetentes que agiram com imprudência, negligência e imperícia na condução da máquina pública brasileira, ou políticos que se elegeram à custa de promessas que se revelaram inverídicas logo após o dia 26/10/2014, tais como: manutenção das tarifas de energia elétrica, manutenção do preço dos combustíveis, manutenção da carga tributária no patamar então vigente, inflação sob controle, pleno emprego, crescimento econômico real, dentre outras promessas?

 

Ademais, não esqueçamos do maior escândalo de corrupção envolvendo uma empresa neste início de século, o Petrolão, responsável por prejuízos e baixas contábeis numa organização que já foi considerada orgulho dos brasileiros e que, atualmente, tornou-se feudo de apaniguados do governo?

 

Diante do exposto, cabe um esforço de autorreflexão política de Dilma e sua corte no sentido de reconhecerem que não há mais clima, legitimidade e governabilidade para se manterem no poder. Vivemos num Estado democrático de direito. Portanto, o aparelho estatal deve ser administrado por pessoas que detenham o apoio e a confiança do povo, e, não, por pessoas que ignoram os anseios populares e se apoiam em projetos de poder, feudos e apaniguados políticos que ocupam cargos e desfrutam de regalias na Administração Pública. Serviço público não é uma carreira, e, sim, uma missão em benefício da população.

 

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!


Fonte: Artigos Administradores / Esforço de autorreflexão política

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