Estado falido e o aumento de salários de servidores

Estado falido e o aumento de salários de servidores

Marx não previu isso, mas atualmente o conflito de classes que se impõe ao cidadão brasileiro não é entre trabalhadores e empresários, mas sim entre máquina estatal e pagadores de impostos.

Quando Marx falou em conflito de classes entre burgueses, donos dos meios de produção, e proletários, trabalhadores salariados, mal sabia o que estava por surgir no Brasil do futuro.

Atualmente, o conflito de classes que se impõe ao cidadão brasileiro não é entre trabalhadores e empresários, mas sim entre máquina estatal e pagadores de impostos. De um lado, estão a maior parte do brasileiros que paga cada vez mais impostos e que vê, nos últimos anos, sua renda diminuindo. Do outro, está a casta superior brasileira: políticos e funcionários do governo que, além de receberem salários e benefícios/privilégios surreais, não sofrem qualquer impacto com a crise econômica que acomete o país e o RS, e os gastos estatais só aumentam.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de maio mostrou que o faturamento real do setor recuou 6,0% na leitura interanual, marcando o décimo quarto mês consecutivo de contração. No acumulado dos últimos doze meses, todos os setores continuam apresentando taxa negativa de crescimento. A renda per capita do brasileiro deve acumular uma queda de 9,4% no período entre 2014 e 2016, de acordo com cálculo da FGV, sendo a segunda pior queda do século. Porém, adivinhe em qual setor não há contração de receitas ou rendas? No Estado e seus servidores.

A teoria econômica nos ensinou a curva de oferta e demanda, onde para cada bem/serviço ofertado há uma demanda correspondente. Conforme for esta relação, o preço daquele bem/serviço será menor ou maior. Contudo, quando falamos sobre salários de servidores públicos a teoria econômica é ignorada. Concursos públicos são disputadíssimos, e o sonho de boa parte dos brasileiros é ganhar um polpudo salário do governo e sua consequente estabilidade. Ou seja, a demanda por estes cargos é altíssima, logo, é ilógico que o preço (salário) dos mesmos precise também ser altíssimo. Não há condições de um país ter suas finanças equilibradas quando existe uma disparidade tão grande entre uma classe de recebedores de tributos e uma classe de pagadores de tributos. Não somente é improdutiva e insustentável uma estrutura deste tipo, como também é imoral.

Por que um policial ou um professor deve receber seu baixo salário parcelado (como tem ocorrido no Rio Grande do Sul), enquanto servidores da alta classe recebem aumentos e garantem cada vez mais privilégios às custas de toda a população? É justo isso? Quantos professores ou policiais deixamos de colocar nas ruas e em salas de aula para termos um funcionário de alto salário cumprindo burocracias governamentais?

Vale dizer que não falo aqui com a intenção de condenar quem presta concurso ou tem no Estado seu empregador. Estas pessoas estão apenas respondendo aos incentivos dados, e seria injustiça responsabilizá-las pela situação atual. O que precisa mudar é este modelo, estes incentivos, sob pena dos próprios servidores não terem mais como receber seu salário a exemplo do que os servidores do executivo gaúcho experimentaram recentemente. A conta, inevitavelmente, chegará um dia. Como nos disse Ayn Rand: “Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.”

Para finalizar, deixo uma frase do economista francês Frédéric Bastiat, que se encaixa bem a este momento e nos serve de reflexão: “O estado é a grande ficção através da qual todos tentam viver às custas de todos.”.


Fonte: Artigos Administradores / Estado falido e o aumento de salários de servidores

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