Estou tão sozinha…

Estou tão sozinha…

A jornada solitária do microempreendedor

Comecei muito cedo como micro empreendedora. Aluguei um ponto comercial em um bairro da cidade e comecei ali sem nenhum capital, sem nada, apenas a vontade de fazer, um entusiasmo sem nenhuma base concreta, nenhum incentivo.

Financiei os móveis, as roupas, a reforma do pequeno ponto e comecei assim: com muita vontade, muito jovem (tive que ser emancipada), nenhuma experiência e muitas dívidas. Não tinha nenhum sócio que tivesse conhecimento mas meu sócio oculto que permaneceu comigo todo esse tempo foi roubando meu entusiasmo e meus lucros.

Esse sócio é os altos juros bancários. Passei por situações inacreditáveis, muito stress nesses últimos 20 anos. O micro empresário tem muitos deveres mas nenhum direito. Ninguém reconhece seus esforços e seu trabalho. Os clientes e a sociedade em geral parece que acham que um grupo de alienígenas colocam produtos em suas prateleiras e você não tem que pagar por elas. Mesmo quando você dá descontos enormes e vende pelo preço que pagou ainda existe uma cultura que diz que você está roubando.

Quando se tem colaboradores existem muitos deveres de sua parte. Se você quer fazer tudo certinho você tem que observar se está tudo certo, se está pagando horas corretamente, se o ambiente de trabalho é adequado, se existe motivação necessária e se você é humano sofre quando algum de seus colaboradores passa por algum problema familiar e sacrifica seu próprio bem-estar e seu negócio para tentar ajudá-lo. É o correto a fazer. Mas toda essa carga o micro empreendedor carrega sozinho.

Os bancos tem prazer em não te ajudar e tirar todo seu lucro. Existem regras absurdas quando você deve que faz com que deva cada vez mais. Os grandes fornecedores fazem o que querem e vendem como querem: eles não precisam de um cliente pequeno como você. Os altos impostos te desanimam cada vez mais.

As administradoras de cartão de crédito ficam com o lucro que você não teve. Se você não conferir certinho todas as suas vendas nem perceberá que as taxas cobradas não são bem aquilo que propagam. E se por infelicidade do destino você precisar antecipar suas vendas os juros chegam a superar a margem de 25% o que é um completo absurdo.

Não existe para quem reclamar. Existem orgãos que defende o consumidor mas não há ninguém que defenda a pequena empresa.

Nesses anos todos me senti muito sozinha…


Fonte: Artigos Administradores / Estou tão sozinha…

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