Eu não queria, mas tive que voltar a usar o WhatsApp

Eu não queria, mas tive que voltar a usar o WhatsApp

Depois de quase dois anos ausente do app queridinho pelos brasileiros, retornei ao app e o motivo, no fundo, foi apenas um

O ano era 2013. Em todos os cantos aonde ia, pessoas não desgrudavam os olhos de seus smartphones. Na maioria das vezes, imersos em um app de interação que dizia facilitar a comunicação virtual. Eu tinha esse aplicativo, usava, mas ficava desestimulado toda vez que ia para uma confraternização/aniversário, encontrar os amigos ou simplesmente ao observar como muitas pessoas deixavam de se relacionar por estarem obcecadas por suas pequenas telinhas portáteis. Que aplicativo é esse? É claro que você já sabe qual é: WhatsApp.

Apesar de estar imerso profissionalmente nas redes sociais, na internet, sempre fui avesso ao comportamento ultra conectado. Sempre dei muito valor ao contato pessoal, às relações tête-à-tête, olhos nos olhos, a verdadeiramente compartilhar aquele momento com a pessoa que está ao meu lado – seja em uma relação pessoal ou profissional. Ver tanta gente obcecada pelo app (apesar não ter esse perfil) e perdendo interações reais para ficar no celular, me deixava incomodado. Resolvi, naquela época, parar de criticar e cair fora do aplicativo. Deletei minha conta no WhatsApp.

Escrevi sobre isso aqui no Administradores e fiquei surpreso com a repercussão diante do simples fato. Foram mais de 620 mil visualizações no texto, muitas críticas (e até xingamentos) e também muitos aplausos e mensagens de pessoas que também resolveram seguir o mesmo caminho. Você pode até conferir aqui.

O ano é 2015. Em todos os cantos aonde vou, pessoas não desgrudam os olhos de seus smartphones. Na maioria das vezes, imersas em um app de interação que diz facilitar a comunicação virtual…

Sim, o cenário é o mesmo. Talvez até pior. Hoje todo mundo possui 3G, 4G, celulares mais rápidos. Todo mundo está mais conectado, mas também volúvel. Como destaca brilhantemente o filósofo Zygmunt Bauman, vivemos a liquidez do homem pós moderno, da tolerância e do relacionamento. E o líquido é mais do que frágil. Isso reforça nossa incapacidade de nos relacionamos com a pessoa do “outro” de maneira plena, de forma real. Algo que o app acaba fortalecendo. E a pergunta é: por que, então, retornar ao WhatsApp após dois anos? Eu explico.

O retorno

Confesso que fui bem resistente a retornar (não queria mesmo), meu amigos me chamavam de “inimigo do WhatsApp”, mas três contextos diferentes – o profissional, o acadêmico e o pessoal – tendo, no fundo, o mesmo argumento, me levaram a avaliar melhor.

Profissional: tive um treinamento com um dos mais preparados homens de vendas do Brasil. Fui aprender como me relacionar melhor e ser mais efetivo com as pessoas. Afinal, o meu trabalho está diretamente relacionado a interagir com os outros. E algo que ele falou me deixou intrigado. “Temos que nos conectar onde as pessoas estão. Facilitar que nos achem e que nós as achemos. O WhatsApp é fantástico para aproximar e manter contato de forma rápida, já que quase todos estão presentes”. Fiquei com aquilo na cabeça, mas, ainda sim, não foi o suficiente para me convencer que deveria voltar, afinal, poderia ligar e usar o e-mail, mas fiquei propenso a pensar na ideia.

Acadêmico: falávamos em uma aula do Mestrado sobre como os veículos de comunicação buscam, de diferentes formas, fidelizar o público, permancecer com aquele leitor. Na aula fizemos o paralelo de iniciativas da mídia que buscam isso – e o fiasco que grande parte obteve por tentar reinventar a roda. É muito difícil criar uma cultura para que as pessoas usem seu aplicativo, já tendo outros que façam coisas semelhantes e que são bem populares.

Ou seja, por que tentar criar um app que faça a mesma coisa que Facebook, Instagram ou o WhatsApp, porém para um veículo de comunicação? O professor destacou: “Criar um app para que as pessoas enviem mensagem para uma equipe de Jornalismo? Por que não usar o WhatApp? Afinal, todos já usam o tempo todo, é aproveitar a tecnologia já existente ao seu favor… todo mundo está lá!”. E mais uma vez aquilo martelou na minha cabeça: todo mundo está lá.

Pessoal: passei a viajar mais. E, claro, a saudade da família e dos amigos próximos aumenta. Uma forma de transmitir o que está acontecendo para todos de forma rápida, barata e direta é através, sim, do WhatsApp. Ligações interurbanas? Funcionam, mas não muito para o bolso. Não existem outros apps? Sim, existem. Então, por que o Whats? Porque o brasileiro aderiu a ele e – “todo mundo está lá”.

Moderação sempre

Aqueles que me criticaram euforicamente na época devem estar com aquele sorrisinho de lado. Mas, faz parte do ser humano voltar atrás, alterar o posicionamento, se adaptar. Como filósofo Kant já dizia: “O sábio pode mudar de opinião. O ignorante, nunca”.

Para falar a verdade, ainda tenho muitas críticas àquelas pessoas que usam de forma exagerada. Que deixam o celular dominar o seu dia-a-dia e não o contrário. Existem tantas coisas que acabam não sendo aproveitadas por ficarmos olhando para baixo, para o celular.

Um recente comercial da Vivo levantou brilhantemente essa questão. Vale a pena conferir abaixo.

 O que proponho aqui é: nem 8 e nem 80. Sem o exagero, sem o afastamento. Aproveite as potencialidades do virtual sim, mas não abandone o real (ele é muito melhor). O equilíbrio fará com que você aproveite ao máximo a sua vida, independente do momento e do mundo em que esteja vivendo.


Fonte: Artigos Administradores / Eu não queria, mas tive que voltar a usar o WhatsApp

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