Exercendo o papel de um bom líder em tempos de crise

O americano Larry Hartmann esteve no Brasil em abril deste ano para checar como andam os trabalhos da ZRG Partners no país. A ideia era tomar pé da situação atual do mercado, visitar clientes e ter certeza de que a forma de trabalhar da empresa – uma das líderes no recrutamento e gestão de altos executivos – esteja de acordo com o que a ZRG faz no mundo todo. Desde fevereiro a filial brasileira da companhia conta com Denys Monteiro como diretor-executivo. Seu objetivo é expandir a atuação da ZRG no Brasil.

Nessa entrevista, Larry Hartmann fala sobre o que faz um bom líder em momentos de crise, qual o papel dos salários no engajamento dos executivos e o que os bons CEOs devem fazer para manter seus funcionários motivados.

Como a crise econômica afeta o papel da liderança?
Uma liderança competente é ainda mais importante em momentos de crise. Na crise de 2008, nos Estados Unidos, ficou claro quais eram os bons e os maus líderes. Acho que o Brasil está passando por algo semelhante agora. A crise vai ajudar a separar os bons dos medíocres.

Que características um líder deve ter para ser bem sucedido mesmo em momentos de crise?
Comunicação é uma das habilidades mais importantes num momento de crise. O bom líder é aquele que consegue comunicar quais são os desafios da companhia e como ele pretende ultrapassá-los, sem espalhar pânico entre os funcionários. Além disso, os melhores CEOs antecipam o que pode dar errado e preparam suas empresas para isso. As pessoas confiam em quem fala a verdade, ainda que sejam más notícias. Se você precisa demitir, mas explica aos funcionários o por que da demissão e o que será feito para vencer as dificuldades comunicando claramente, os empregados podem até ficar preocupados, mas vão se sentir confiantes e engajados na superação da crise.

Ser um bom líder hoje é diferente do que era ser um bom líder dez anos atrás?
Há dez anos, o perfil do líder de destaque era aquele super star. Um líder carismático e midiático. Existia um culto ao presidente. Hoje não é mais assim. Os resultados vem antes. A empresa é a coisa mais importante, não o CEO. O culto ao líder perdeu força. Nós estamos atrás de executivos competentes e que entreguem bons resultados. Não importa mais se ele é uma pessoa que fala bem em entrevistas ou é amado pelos funcionários.

Estudos mostram que, especialmente para pessoas da geração Y, o dinheiro já não é mais tão relevante. Isso é verdade? Como atrair e reter talentos nesse novo contexto?
Acredito que salário ainda é sim algo importante no mercado de trabalho, porém, ele não é mais importante do que outras coisas. Hoje, os líderes querem além de um bom salaário e pacote de bônus e incentivos, estar na empresa certa e ter um desafio que realmente os motive. Num momento de desafios econômicos como o atual, as empresas têm bastante dificuldade em pagar bônus de curto e médio prazo já que as metas que eles exigem não estão sendo alcançadas. Isso significa que estar engajado naquilo que se faz é ainda mais importante. Só assim, quando se acredita no projeto da empresa, é possível atravessar períodos complicados se sentindo motivado.

Vivemos um momento no Brasil de questionamento das lideranças. No campo corporativo, muitos presidentes de empresas foram presos ou estão envolvidos em esquemas de corrupção. No espectro político, a presidente foi afastada e muitos brasileiros não veem o novo governo como legítimo. Como isso afeta as empresas e o o ambiente para se fazer negócios?
Acredito que esses acontecimentos vão contribuir para uma profissionalização ainda maior das empresas brasileiras. Uma mudança importante a ser vista é na formação dos conselhos de administração. Nos Estados Unidos, antes da crise de 2008, a relação entre o conselho e os CEOs era de bastante cooperação. Talvez esse excesso de cooperação tenha contribuído para a desregulação que acabou nos levando à crise financeira e econômica. Agora, estamos vendo uma nova relação entre o conselho de administração e a diretoria das empresas. O conselho tem um papel fiduciário, de checar se a empresa está fazendo as coisas certas e andando na linha. Eles são também responsáveis pela companhia, então precisam garantir que ela cumpra as leis. Isso também muda o perfil dos conselheiros. Em vez de pessoas amigas do CEO ou apenas famosas por seu trabalho no passado, as empresas precisam buscar executivos que tenham as competências certas para garantir o bom funcionamento da operação e o cumprimento das regras.

No passado recente, os funcionários e, especialmente os presidentes das empresas, ficavam dez, quinze, vinte anos ou até a vida toda num mesmo trabalho. Agora, parece que as empresas preferem contratar quem tem uma experiência diversificada em diferentes companhias. Você concorda?
Acho que é difícil ter um novo Jack Welch hoje em dia (o executivo foi presidente da GE por 20 anos). Você tem o líder certo para uma determinado tipo de problema e por um determinado tempo. Isso acontece porque tanto a companhia quanto os problemas que ela enfrentam mudam e não existe um tipo de líder que sirva para qualquer situação. Por exemplo, há o líder que vai muito bem quando a empresa passa por uma crise. Mas, depois que ele a supera, ele nem sempre é o melhor cara para conduzi-la rumo ao crescimento num cenário de maior estabilidade.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2016/05/como-ser-um-bom-lider-em-tempos-de-crise.html

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