Faltam projetos de humanização da vida

Faltam projetos de humanização da vida

A globalização tem dado prioridade ao aspecto financeiro que busca o menor custo e o melhor lucro, e dessa forma, vai pondo de lado o aspecto humano. Falta a globalização séria do humanismo.

Como foi que o Brasil permitiu que tudo piorasse? Preocupados com a conservação e o aumento do poder ou lavar os montantes desviados, os dirigentes não perceberam que a velha armadilha estava se formando nos swaps e no câmbio, nos juros e endividamento, na desmotivação da população. Enfim, tudo vem à tona nesse deserto de estadistas sábios. Todas as incoerências e fragilidades do país se tornaram visíveis.

Pelas notícias atuais, o mundo está prestes a adentrar em seu mais complicado momento econômico e ambiental. Mais uma razão para a classe política entender a realidade do mundo, com finanças e produção globalizadas, e agir com eficiência diante da grande volatilidade financeira que dificulta o equilíbrio nas contas governamentais e o controle dos déficits que se agravam ainda mais com a má gestão e o avanço da corrupção. Governadores e prefeitos gastam sem critério, e ficam sem dinheiro para o básico como, por exemplo, recolher o lixo das cidades.

Para qualquer lado que olharmos, veremos o modelo deseducador fortalecendo a desigualdade, o marasmo, a falta de iniciativa e de objetivos pessoais, a vida vazia e inútil que é mostrada.  A igualdade que se busca leva ao insustentável aumento do consumo de importados, pois a mentalidade sempre foi evitar o enunciado marxista da superprodução. Enquanto muitos permaneceram estagnados, a China foi em frente, produziu, reduziu preços, fez de tudo que os outros não fizeram, mas agora o mercado apresenta alterações e já enfrenta encalhe de produtos. Estamos atingindo os limites dos recursos, mas nenhuma adequação se percebe, dando-se ênfase aos supérfluos e descartáveis. O que nos reserva o futuro econômico do planeta? 

Há uma tendência de se procurar causas nos efeitos. Desde que os sistemas monetários foram criados, teve início a disponibilidade de um produto que se tornou essencial para a atividade econômica dos países: a moeda conversível. Iniciando pela libra, o marco alemão fez algumas tentativas e por fim o dólar, absoluto desde o final da Segunda Guerra Mundial. As dificuldades ou facilidades para a sua obtenção tem causado euforia e desgraça em muitas regiões, e até o início do século 21 não foi encontrada a forma de manter o equilíbrio entre os povos no tocante à produção, emprego, comércio e consumo. Uma questão a merecer a atenção dos economistas agraciados com o Nobel.

A globalização tem dado prioridade ao aspecto financeiro que busca o menor custo e o melhor lucro, e dessa forma, vai pondo de lado o aspecto humano. Falta a globalização séria do humanismo, não a que se assenta no socialismo que nivela por baixo e inibe iniciativas, mas a que possibilite que todos vivam condignamente, desde que se movimentem para adquirir conhecimentos e produzir algo de útil e benéfico.

Falta-nos a grande causa da humanização da vida, que não vai adiante apenas com o paliativo de distribuir de forma desordenada, sem um projeto durável. Não bastam paliativos no combate à miséria; faltam projetos de humanização da vida. O Brasil e o mundo se defrontam com crises fundamentais na trajetória da humanidade. O homem nasce pedra bruta com essência preciosa que precisa ser despertada e polida para brilhar, o que se alcança com o fortalecimento da espiritualidade. Não há gratidão pelo dom da vida, prolifera o descontentamento. Mais do que nunca os estímulos se dirigem para as baixarias que se alimentam das correntezas negativas visando encobrir a essência interior com sórdidas impurezas.    

Com o reconhecimento da força de atração dos pensamentos, muitas pessoas deixariam de pensar a esmo de forma confusa e negativa. Certamente fariam um esforço para não serem problemáticas, resmungonas, pessimistas, vendo só os defeitos, invejando aqueles que, a seu ver, estão em condição melhor. Isso cria um ambiente desfavorável para elas e para aqueles com quem convivem, azedando os humores, roubando a alegria, abrindo-se para correntezas maléficas.

Na Mensagem do Graal, Abdruschin ensina as pessoas a não se sobrecarregarem com medos e preocupações desnecessárias, em vez de manter sempre o espírito livre e alegre, o que reúne mais força para a defesa e o progresso do que conseguem as correntezas más para oprimir.


Fonte: Artigos Administradores / Faltam projetos de humanização da vida

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