Ficar calmo ou ficar lúcido: o que é melhor quando você estiver sob tensão?

Ficar calmo ou ficar lúcido: o que é melhor quando você estiver sob tensão?

A principal virtude de um ser humano é a lucidez e, sem lucidez, discernimento e sabedoria, o resto é o resto

Calma e lucidez são duas coisas completamente diferentes. Uma pessoa pode ficar calma e, mesmo assim, fazer coisas completamente estapafúrdias. A principal virtude de um ser humano é a lucidez e, sem lucidez, discernimento e sabedoria, o resto é o resto. Para alcançar metas e objetivos existem quatro passos básicos:

1) Definir o que se quer, dentro dos princípios da boa formulação de objetivos;

2) Saber o que precisa ser feito para se chegar onde se quer, ou seja, o processo;

3) Agir e fazer o que precisa ser feito;

4) O que fazer diante do feedback recebido. E o feedback pode ser positivo ou negativo. Se o feedback for positivo é sinal de que estamos no caminho certo. Se o feedback for negativo é sinal de que estamos no caminho errado e neste caso é preciso corrigir. O feedback pode ser negativo por duas razões principais: Primeiro é que vivemos num mundo de ambiguidades, incertezas e adversidades. E a Lei de Murphy existe. O segundo fator são os erros e equívocos que são cometidos. O fato é que ninguém chega ao sucesso em linha reta. É sempre por ensaio, erro e acerto.

Portanto é impossível não errar, entre outras razões porque, como diz o Prêmio Nobel Ilya Prigogine, a era da certeza acabou. Quando se erra, uma das coisas importantes é aprender com o erro, pois quem não aprende com seus erros está condenado a repeti-los indefinidamente. Um erro deve ser entendido como um problema e deve ser tratado dentro dos princípios da análise e solução de problemas. Assim sendo, tudo deve começar com um diagnóstico da situação, inclusive para saber se o erro não foi por falta de preparação. E neste sentido, é sempre bom lembrar de Thomaz Jefferson que disse que “quem não leva a sério a preparação de algo está se preparando para o fracasso”. Mas o erro pode ter sido por problema de comunicação, falta de informação, de competência, pressupostos equivocados e muitas outras razões.

Quando se pensa em tratar com um erro, existem dois tipos de ação, que são: ação de contenção e ação de correção. Qual a diferença? As ações de contenção não atacam as causas. São para evitar que as consequências do erro se tornem maiores. Um pequeno exemplo de uma ação de contenção: quando uma criança está com febre alta a mãe, mesmo não sabendo a causa da febre, dá um banho de água fria para que o aumento da temperatura da criança não cause danos e um problema maior. Já as ações de correção são para corrigir as causas efetivas do erro.

De qualquer forma, também é importante ter presente o que se quer, ou seja, no objetivo que se tinha e na solução. E cuidado com alguns procedimentos que podem piorar ainda mais as coisas, como concentrar-se no passado, ficar discutindo para ver quem está com a razão e ficar achando culpados pelo problema e pelo erro. O procedimento correto é concentrar-se no futuro, ver o que é preciso fazer e se houver mais pessoas envolvidas, atacar o problema juntos. Também devemos considerar que um erro não passa de um desvio em relação ao objetivo e o foco deve ser vinte por cento no problema e oitenta por cento na solução.

Todos os aspectos acima tem a ver com a lucidez e a competência para tratar com erros e problemas. Mas fora isto, é preciso saber manter o estado mental e emocional rico de recursos, entre outras coisas, para se poder avaliar corretamente a situação, evitando-se o julgamento precipitado que pode fazer com que se encontrem soluções na base do “a emenda foi pior do que o soneto”. O estado mental e emocional é um conceito extremamente importante, pois para tudo o que se faz há um estado adequando e muitos inadequados. Um exemplo disto pode ser através do brainstorming. O brainstorming se caracteriza por três etapas. A primeira é a da criatividade. Nesta fase, o estado mental e emocional deve ser de liberdade de deixar fluir, sem nenhuma crítica, evitando-se qualquer coisa que possa ser considerado como palavras assassinas. Já a segunda etapa é a da análise das ideias que foram geradas e a terceira da avaliação e julgamento Se formos utilizar os termos da Análise Transacional, podemos dizer que na fase da criatividade deve predominar o estado do ego criança. Já na fase de analisar as ideias que foram geradas deve prevalecer o estado do ego adulto. E na fase das escolhas das melhores ideias deve prevalecer o estado do ego pai, que é o da avaliação e do julgamento.

E assim é para tudo o que se faz na vida. Portanto, cabem duas questões. A primeira diz respeito ao processo que se deve seguir para corrigir o erro. O que deve ser entendido é que quer se queira ou não, tudo é processo e se forem dados os passos errados, em vez de se corrigir o erro, o que se vai fazer é aumenta-lo. E uma das coisas que muito comumente acarreta erros é que as pessoas vão fazendo sem se preocupar e definir qual o processo a ser seguido, ou seja, vão direto para o conteúdo. E é como muitas vezes acontecem com as reuniões que duram horas, sem que se chegue a nenhuma conclusão relevante. Uma vez definido o processo, é necessário que se saiba qual o estado mental e emocional necessário para se fazer bem cada uma das etapas do processo. E sem lucidez, não se vai definir qual o processo e muito menos qual o estado mental e emocional rico de recursos.


Fonte: Artigos Administradores / Ficar calmo ou ficar lúcido: o que é melhor quando você estiver sob tensão?

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