Formação profissional nas escolas

Formação profissional nas escolas

Aulas de etiqueta profissional, empreendedorismo, leis trabalhistas, atendimento ao cliente e noções de administração deveriam ser parte da grade curricular das escolas

Em um mundo ideal, todo jovem só ingressaria no mercado de trabalho após concluir uma faculdade ou um curso técnico. Infelizmente, este mundo de Alice não existe. A realidade brasileira é bem distante disso, inclusive. A necessidade de financiar seu próprio estudo e ajudar em casa força a maioria de nossos jovens a ingressar prematuramente no mercado, geralmente logo após a conclusão do ensino médio, com seus 17 ou 18 anos.

Após cinco anos trabalhando com a gestão de profissionais no primeiro emprego, pude constatar uma grave consequência desta prematuridade: os jovens entrantes desconhecem regras básicas da vida corporativa, tais como trabalho em equipe, postura, conduta profissional e adesão às regras, o que faz com que esta primeira experiência em muitos casos seja péssima, mais curta do que poderia ser e com consequências traumáticas, uma vez que há por parte dos jovens a dificuldade em acatar normas estabelecidas, individualismo exacerbado, atrasos e faltas, além de não saberem prestar atendimento cordial aos clientes e serem extremamente competitivos e ansiosos.

A falta desta preparação gera nos jovens expectativas irreais, que uma vez não atendidas, geram frustrações que explodem em forma de conflitos com colegas, líderes e até com a própria instituição, transformando o tão sonhado primeiro emprego em um pesadelo.

A solução definitiva poderia ser alcançada se a preparação necessária para estes jovens fosse assumida pelas escolas regulares. Aulas de etiqueta profissional, empreendedorismo, leis trabalhistas, atendimento ao cliente e noções de administração deveriam ser parte da grade curricular do 3º ano do ensino médio. Somente desta forma, haveria um alinhamento de expectativas com benefícios para os dois lados envolvidos, através da conscientização e preparação para a iniciação profissional antes do efetivo ingresso em uma empresa.

Enquanto este dia não chega, este papel tem que ser assumido pelas empresas, que devem preparar os jovens para a vida corporativa. Entender o perfil desta nova geração, flexibilizar a cultura dentro do possível, investir em um clima organizacional saudável, utilizar benefícios atraentes são algumas medidas necessárias para a corporação moderna se manter competitiva frente a este desafio.

Além do introdutório institucional claro e transparente, o treinamento inicial deve contemplar estes elementos, para que as empresas e jovens profissionais tenham a melhor experiência possível, retendo assim os melhores talentos.

 


Fonte: Artigos Administradores / Formação profissional nas escolas

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