General Patton e o conceito moderno de mobilidade

General Patton e o conceito moderno de mobilidade

Este artigo discorre sobre o nascimento do conceito moderno de mobilidade, partindo da análise da estratégia militar, em destaque, do general americano George Patton e como ela pode influenciar as outras áreas do conhecimento, incluindo a Administração e Gestão

Hoje estamos em uma época que o termo, a palavra “mobilidade” tornou-se algo muito usual, ela tem um tom moderno, de vanguarda, você encontra em seu conceito básico, em destaque: velocidade, agilidade, eficiência, eficácia, inovação e o uso intensivo da tecnologia, aquilo que substitui o velho pelo novo, impactando em todos os processos. Quando nos deparamos hoje, por exemplo, com a mobilidade logística e urbana, de recursos humanos, de materiais e principalmente a mobilidade originada pelas ferramentas tecnológicas, todas sendo implantadas em nosso dia a dia de uma forma exponencial, nos obrigando se adaptar a elas na mesma velocidade ou “ficamos para trás”.

Quando analisamos este cenário, usando nosso senso comum, transparece que a mobilidade é um termo contemporâneo e que nasceu de estudos recentes. Neste artigo, vou discorrer sobre o que pode ter sido o grande salto da mobilidade e ele não é um tema tão atualizado assim, digamos que já é quase centenário. Este salto que foi a substituição de um símbolo de mobilidade milenar pela junção e articulação de novas tecnologias assumindo a sua função, mostrando um desempenho muito melhor comparado com o anterior.

Sempre gostei de livros sobre estratégia militar, de grandes batalhas e seus generais, ao ler alguns artigos e livros sobre o general americano George Patton, considerado um dos ícones militares modernos, conheci um pouco dessa história interessante sobre a mobilidade e resolvi compartilhar com vocês. Diversas áreas do conhecimento, através dos tempos formaram alguns dos seus conceitos fazendo uma correlação com o aprendizado dos conhecimentos sobre as estratégias militares. O que apresento é essa sinergia da origem da mobilidade moderna derivada da estratégia militar, em um fato ocorrido que houve a participação do General Patton.

Um fato histórico que pode ser considerado o ponto de ruptura do velho para o novo e do próprio nascimento do conceito moderno de mobilidade como conhecemos em nossos dias: a substituição do cavalo como instrumento de guerra por veículos motorizados.

O cavalo estava sendo utilizado nos campos de batalha desde o mundo antigo e foi assim sem mudanças até o início do século passado. Com certeza, ele foi a ferramenta de guerra mais antiga e uma das mais empregadas, servindo para executar toda a mobilidade em uma batalha entre exércitos.

Com decorrer dos tempos, muitas estratégias militares foram construídas sob a ótica de operação desses animais, por meio de sua utilização e comportamento em batalha como uma arma de guerra, suas virtudes e deficiências, seu desempenho era a extensão do bem treinado soldado cavalariano.

Por séculos, todos os outros componentes usados pelos exércitos foram se alterando, inovando ou se aperfeiçoando, como exemplo, as armas utilizadas com o advento da pólvora, essa inovação mudou toda a máquina de guerra como nunca antes. Mas uma coisa continuava igual ao passar do tempo, o cavalo como instrumento de mobilidade no campo de batalha.

Apesar do motor á combustão e o automóvel tenham sido inventados no final do século XIX, o cavalo de guerra e a Cavalaria continuavam a ser a principal força motriz nos campos de batalha. Claro que o crescimento tecnológico no século XX fez chegar seus novos inventos para substituir as ferramentas militares mais arcaicas utilizadas na época, entre as inovações, o veículo motorizado, a metralhadora de campo, o canhão moderno e até o avião.

Estes passaram a ganhar importância gradativamente nos exércitos de todo mundo. Falando especialmente sobre o veículo motorizado, há relatos que na Europa, desde o início dos anos 1900, já se tinha adaptado um automóvel como um instrumento militar, mas ainda não havia evidências claras que este tenha sido testado efetivamente em um campo de batalha.

Com a Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, todas essas novas tecnologias militares poderiam ser utilizadas de forma plena. Mas nos primeiros anos dessa guerra, o cavalo continuava sendo o principal meio de mobilidade nas tropas em campo de batalha e os veículos motorizados reservavam-se somente para o transporte de materiais e tropas.

Mas as outras grandes invenções militares da época, como o canhão moderno e a metralhadora de campo, aliado ao arame farpado, se adaptaram muito ao conflito, direcionando essa guerra para uma intensa batalha de trincheiras mostrando pela primeira vez a total ineficiência do uso da Cavalaria. A solução viria posteriormente com o uso de um veículo motorizado blindado que ganharia esse espaço perdido pelo cavalo de guerra como condutor da mobilidade das tropas em campo. Lembrando que os primeiros tanques blindados eram muito pesados, lentos e com grande frequência quebravam, sendo muito ineficientes. 

Até aqui o que contei muitos devem conhecer sendo encontradas informações nos livros de História, com o andamento da Primeira Guerra, esses veículos foram sendo aperfeiçoados ao ritmo do confronto, ganhando mais leveza, velocidade e resistência tornando-se assim mais eficientes e cumprindo os objetivos de mobilidade que anteriormente eram realizados pelos cavalos.

Mas daí veio uma questão muito importante neste tema: o veículo motorizado substituiu o cavalo de guerra somente por uma extrema necessidade devido à batalha de trincheiras que era inviável para o uso da Cavalaria na Primeira Guerra Mundial ou houve em algum outro momento desse período em que a ideia da utilização de veículos motorizados teve um relativo um sucesso como estratégia militar em substituição dos cavalos, mas como uma inovação?

Neste ponto entra nessa história o General George Patton, este que foi considerado o maior general da Segunda Guerra Mundial, um gênio da estratégia militar com tanques e blindados. Patton teve sua origem militar na Cavalaria e foi um fato ocorrido em que teve sua participação, pode-se dizer que ele estava na hora e local certo para fazer parte e construir essa transição do uso do cavalo de guerra para o veículo motorizado.

Entre as várias narrativas sobre Patton que deram notoriedade a sua trajetória militar, estarei compartilhando essa não tão conhecida que presumo tenha colaborado muito para criar o conceito moderno de mobilidade.

Enquanto transcorria a Primeira Guerra Mundial na Europa, os Estados Unidos da América ainda não tinham entrado na mesma. Seu exército estava envolvido na Expedição do México entre 1916 a 1917, onde as forças americanas cruzaram a fronteira com o México depois que o grupo paramilitar mexicano do revolucionário General Francisco “Pancho” Villa invadiu cidades nos Estados Unidos, assassinando cidadãos americanos. Na época, o então Capitão Patton era o assessor de ordens do General John Pershing, comandante das tropas americanas.

Eram quase cinco mil soldados americanos que cruzaram a fronteira com o México com a intenção de capturar o General Villa. Mas combater uma força de guerrilha com um exército tradicional e em terreno desconhecido era uma tarefa árdua e desgastante, o que no final essa expedição se tornou um relativo fracasso pelos seus resultados.

O Capitão Patton, era de uma família de militares, cresceu desejando se tornar um herói pelo seu país, tinha uma reputação de ser um oficial esperto, duro e implacável para alcançar seus objetivos, estava determinado a descobrir um modo diferente de lutar nessa expedição e revelou que tinha outra característica essencial na liderança militar, muito importante para aqueles tempos de novas invenções, ele entendia o poder da tecnologia.

Apesar de ser um membro da Cavalaria, ele não queria mais lutar com cavalos, ele visualizava que o mundo era outro, passava por profundas transformações, estudou as novas tecnologias que estavam surgindo e que mudariam para sempre a natureza dos campos de batalha.

Durante essa expedição, em Chihuahua México, Patton resolveu fazer uma incursão na região á procura de revolucionários mexicanos, essas ações militares até então demandavam de um grande número de soldados, cavalos e mantimentos. Mas Patton implantou uma ideia no qual vinha pensando e trabalhando: ele fixou as novas metralhadoras de campo na estrutura de três automóveis do exército, que acompanhavam a expedição. Sua intenção era alcançar maiores distâncias com um número menor de soldados e materiais, mas sem perder o poder de fogo necessário para a missão e ter mobilidade em caso de um confronto. Ele comandou pessoalmente essa pequena coluna de veículos, contendo cinco soldados em cada automóvel para procurar e combater os insurgentes, ele não sabia que essa ideia de um novo instrumento estava predestinada a revolucionar a guerra.

Nessa busca ele encontra e lança um ataque surpresa em um acampamento do grupo de rebeldes mexicanos, matando três revolucionários, incluindo Julio Cardenas, um dos líderes do exército de “Pancho” Villa. Após o combate, levou os mortos amarrados nos capôs dos veículos como troféus. O público americano soube dessa ação vitoriosa das forças móveis de Patton tendo grande destaque nos maiores jornais do país. Foi considerado como o primeiro ataque militar com veículos motorizados dos Estados Unidos.

Depois desse momento de “15 minutos de fama” ao estilo dos anos 1910, o oficial Patton foi lutar na Europa durante a Primeira Guerra Mundial, onde os Estados Unidos entraram nesta guerra apoiando França e Inglaterra. Ele liderou um contingente de blindados franceses leves com apoio de tropas americanas em algumas batalhas, mas acabou ferido e se afastou do combate. Mas na Europa ele viu e entendeu que o futuro da Cavalaria era através dos veículos blindados motorizados, essa era a nova mobilidade.

Após se restabelecer, a guerra já tinha terminado, mas não a sua carreira militar. Ele se dedicou aos estudos e formação em prol de conhecer tudo sobre os blindados e assim construiu novas estratégias militares a essas máquinas para dar uma grande mobilidade aos exércitos, a velha mobilidade do cavalo de guerra seria esquecida. Esse período foi primordial para ele estar preparado, para posteriormente aplicar suas ideias e ser considerado o maior general da Segunda Guerra Mundial, duas décadas mais tarde.

Aliás, Patton não esteve envolvido somente nas “grandes mudanças” do mundo militar de sua época, como ao estudar e implantar a moderna mobilidade na guerra com veículos motorizados em substituição aos cavalos. Ele esteve também atento aos detalhes.

Ao assumir posto de comandante dos blindados americanos antes da Segunda Guerra Mundial, observou que seus soldados utilizavam capacetes de aço iguais aos soldados da infantaria. Um acessório que dentro de um tanque de guerra apertado era algo totalmente incomodo e impraticável de se usar.  

Ele pesquisou algumas possibilidades de substituir este capacete padrão do exército, por um que deveria ser mais anatômico, leve e ao mesmo tempo resistente.  Patton foi buscar este capacete ideal para os soldados dos tanques nos campos de futebol americano, adaptando o capacete de camadas de couro que os jogadores da época utilizavam, que, aliás, calhou muito bem ás necessidade do soldado desse veículo militar.

A trajetória militar do General George Patton, como de outros ilustres militares é digna de estudos da Administração e Gestão, área no qual eu faço parte, com a mesma importância em que lemos sobre as carreiras e os conceitos de grandes teóricos, empreendedores e executivos de grandes corporações.

Este marco da utilização das forças móveis no México com alto poder de fogo (eficácia), que reduziam o número de recursos humanos e mantimentos envolvidos (eficiência) e não como uma solução pela necessidade ocasionada pela inoperância do cavalo na “nova guerra” e sim por uma clara inovação, com o nascimento do conceito moderno de mobilidade, indo até na atenção aos detalhes como no tipo de capacete que impactaram positivamente para beneficiar seus soldados na Segunda Guerra Mundial, são exemplos que seus ensinamentos práticos podem ajudar muito um administrador como também outras áreas e profissionais em como visualizar cenários, aplicar estratégias e ações diferenciadas, buscando desempenhos e resultados surpreendentes. 

Quem tiver interesse em conhecer mais sobre este personagem de destaque da estratégia militar, segue algumas sugestões de leitura:

– A guerra que eu vi – General George Patton

– A guerra entre os generais – David Irving

– Patton, o herói polêmico da Segunda Guerra – João Fábio Bertonha


Fonte: Artigos Administradores / General Patton e o conceito moderno de mobilidade

Os comentários estão fechados.