Geração Y- Ascensão e queda

Geração Y- Ascensão e queda

As ambições desses profissionais os tornaram “Carreiristas”, onde trocavam de empresa como se troca de celular (frase atualizada para Geração Y).

Como todos sabem a Geração Y compreende aqueles que nasceram no fim dos anos 70 e início dos anos 90. Essa geração cresceu durante o avanço da tecnologia, prosperidade econômica e com muitas facilidades oferecidas por seus pais. Nesse período tanto o pai como a mãe trabalhavam e queriam dar uma vida melhor para seus filhos.

Os jovens da geração Y foram acostumados a conseguir o que querem, não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira e lutam por salários ambiciosos desde cedo por acharem que merecem. É comum que os jovens dessa geração troquem de emprego com frequência em busca de oportunidades que ofereçam maiores desafios e crescimento profissional.

Algumas características de pessoas da geração Y:

  • Estão sempre conectados;
  • Procuram informação fácil e imediata;
  • Digitam ao invés de escrever;
  • Preferem emails a cartas;
  • Vivem em redes de relacionamento virtuais;
  • Compartilham tudo o que é seu: dados, fotos, hábitos. etc;
  • Estão sempre em busca de novas tecnologias;
  • Tem um grande fluxo de informações diariamente.

Como vimos é uma geração que possui uma autoestima elevada, onde tudo é possível e sem limitações. Eles querem “Tudo ao mesmo tempo agora” como no título do sexto álbum dos Titãs (1991). Precisamos voltar até o lançamento do Plano Real em 27 de fevereiro de 1994 para entendermos as dificuldades que a Geração Y está passando neste momento e vai passar nos próximos anos.

O Real tinha como base as políticas cambial e monetária. A política monetária foi utilizada como instrumento de controle dos meios de pagamentos (saldo da balança comercial, de capital e de serviços), enquanto a política cambial regulou as relações comerciais do país com os demais países do mundo. Foi estabelecida a paridade nos valores de reais e dólares, defendida através da política de intervenção, na qual o governo promoveu a venda de dólares e o aumento das taxas de juros nos momentos de pressão econômica.

Os governos posteriores aproveitaram a estabilidade e fortalecimento da moeda nacional (Real) para aplicarem programas sociais, incentivos em educação técnica, investimentos na indústria nacional e em obras por todo país (PAC). Essas ações juntamente com a influência do mercado externo geraram um ambiente favorável para Geração Y, pois a demanda por profissionais no mercado cresceu de forma geométrica e em alguns casos recrutando os recém-formados no dia posterior à formatura. Esse cenário parece um sonho não é, mas na verdade era. Esses profissionais com autoestima elevada apresentaram uma ideia sobre si superior à realidade.

A fartura de empresas contratando deram aos profissionais da Geração Y uma miopia do seu valor de mercado e retorno do investimento. Segundo Leandro Karnal, “Ficou fora de moda falar de limites para as pessoas. Eu sempre estimulo aos alunos a pensarem grande e a agirem mirando no cume. Isto é bom. Quase todo mundo pode mais; nem todos podem tudo.” Essa frase expressa o despreparo da Geração Y para rejeição ou aceitação de uma estrutura tradicional onde o crescimento na carreira depende de resultados para acontecer um reconhecimento.

As ambições desses profissionais os tornaram “Carreiristas”, onde trocavam de empresa como se troca de celular (frase atualizada para Geração Y). Em 2014 esse cenário favorável começou mudar com a evolução da Operação Lava Jato que é a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil. Ela começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários Estados e descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país.

Por impedimentos legais e políticos as empresas que mais empregavam no Brasil começaram uma demissão em massa gerando um desaquecimento na economia interna e uma crise política e moral no país. Outro fator que ajudou a piorar a situação foi à crise mundial que reduziu o preço do barril de petróleo de US$ 100.00 para US$ 35.00.

Os nascidos no início dos anos 90 não conheciam uma crise ou desemprego. Eles estão passando pela primeira rejeição da vida e ainda vão sofre um choque psicológico quando entenderem que a imagem profissional que possuem não reflete a realidade. Uma economia estável é uma coisa boa, mas atrofia a mente e a percepção de quem não entende as flutuações do mercado.

Quem não passa por uma crise não se prepara para tempos de vacas magras. Uma pessoa que recebe tudo de mão beijada desde criança se tornar um adulto egoísta, sem paciência, sem insistência, sem referência de autoridade e que não tolera negativas. Desejos não são direitos, mas isso não está claro na cabeça da Geração Y, as compensações não vão mais aparecer como antes e o mercado dá sinais que está longe de melhorar.

Infelizmente a Geração Y vai aprender duras lições da vida como na história de Ícaro. Na mitologia grega, Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas, conhecido por suas invenções e pela perfeição de seus trabalhos manuais, simbolizando a engenhosidade humana. Para fugir de um labirinto Dédalo construiu asas artificiais a partir da cera do mel de abelhas e penas de gaivota. Dessa forma conseguiu fugir. Antes, porém, alertou ao filho que não voasse muito perto do Sol, para que esse não pudesse derreter a cera das asas, e nem muito perto do mar, pois esse poderia deixar as asas mais pesadas. No entanto Ícaro não ouviu os conselhos do pai e tomado pelo desejo de voar próximo ao Sol, acabou caindo mar Egeu, enquanto seu pai, chorava, voando para a costa. A maior lição dessa história é que devemos conhecer os nossos limites.

 

1: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/o-carreirista-e-o-parasita-das-organizacoes/95361/


Fonte: Artigos Administradores / Geração Y- Ascensão e queda

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