Highlights do turismo contemporâneo

Highlights do turismo contemporâneo

Neste artigo compartilho algumas anotações que fiz durante o BizTravel Forum, um importante evento do trade italiano que reúne os principais players do turismo

Neste artigocompartilho algumas anotações, que escrevi durante a última edição do BizTravel Forum, que ocorreu nos dois primeiros dias de dezembro de 2015, em Milão. Na Itália, este é um dos mais importantes eventos do setor, nele se reúnem os principais players do mercado.

Seguem então os meus highlights, sobre o estado do turismo contemporâneo, para que você possa refletir e chegar às suas próprias conclusões.

Não, porém, sem antes fazer uma interessante observação. Neste evento se discute o mercado turístico italiano. E repare você, que mesmo sendo um país com um mercado turístico consolidado (a Itália figura entre os cinco destinos turísticos mais populares do mundo), ainda se peleja com problemas estruturais de base. Como, por exemplo, a integração da cadeia produtiva, a promoção conjunta e, principalmente, o fato de o governo não dar ao turismo o real peso político e econômico que este aporta ao país. Tal qual acontece no nosso Brasil que tem toda a sua história turística ainda para construir. Esta é uma pequena constatação que nos traz grandes motivações.

Allora, andiamo!

Mudou o modo de se contar uma viagem. Como mudou a viagem e como mudaram as pessoas que viajam.

Antes o mundo não era “às nossas mãos”. O mundo era desconhecido. Hoje eu te conto onde andar, onde dormir, onde comer, etc.

Mudou a geografia turística.

A mobilidade mudou. E ainda está mudando. Mobilidade no mundo hoje é a 360º.

Principalmente devido aos altos investimentos das cias aéreas que desenvolveram e reforçaram seus serviços e estruturas, oferecendo aos turistas, cada vez mais serviços novos com valores agregados.

A capacidade internacional cresceu.

Em nível global se evidência o crescimento dos grandes aeroportos Asiáticos e os do Oriente Médio. Em 2006, dos primeiros 20 maiores aeroportos mundiais, somente quatro não eram europeus ou norte americanos. Em 2014, 50% dos maiores aeroportos do mundo eram do Oriente Médio ou Asiáticos. Em particular, entre os cinco maiores aeroportos do mundo encontraram-se Pequim, Tóquio e Dubai. Nos top 20, apenas quatro são europeus, o mesmo número dos chineses (considerando também Hong Kong). Estimava-se que em 2015 o número de aeroportos não europeus e não americanos na lista dos primeiros vinte maiores aeroportos em escala mundial seriam a maioria pela primeira vez na história.*

Todo mundo no mundo vendo tudo.

É um setor que não se pode externalizar. Não se pode transferir para a China, por exemplo.

Agências de viagens e Operadoras Turísticas, AINDA, estão discutindo se são aliados ou competidores.

Precisa de mais integração e desenvolvimento com foco no turista.

Falta uma coordenação interna do turismo. A cadeia produtiva do turismo continua sendo muito desconexa.

Serviços integrados – é um mundo integrado de oferta para os turistas.

Ainda hoje existe um problema cultural e de posicionamento político do turismo.

 

É preciso qualificar e aculturar sempre mais o setor.

É necessário criar excelência. E tem-se que ser muito rigoroso para buscar excelência.

“Excelência é uma coisa provisória, o que defende a gente é a singularidade.” [Lorenzo Baroni – CEO Tripitaly.]

O problema não é tanto saber fazer, mas é saber que se sabe fazer.

Promoção é sempre um gargalo.

Precisa ter uma ideia da atratividade e a Itália [e o Brasil também] não acha isso.

Para promover precisa ter integração dos parceiros. Principalmente para promover no exterior.

Programas de fidelização servem para a aproximação dos canais.

Promoção, a melhor solução contínua a ser a parceria público/privada. Mas com uma nova visão do público e do privado – com a excelência de cada um. Essa é a melhor solução para fazer crescer os números do turismo.

Antecipação da venda é fundamental. (Porém, atenção quando se fala de destinos considerados “perigosos”.)

A questão hoje não se limita ao preço. Quando pensam que só o preço é importante não é verdade. Inovação é importante.

Blogs de viagens:

Na rede eles não propõem um país. Propõem uma emoção, propõem um pedaço de pessoa no lugar. É uma história. É subjetivo. Fala-se das suas paixões pessoais, podem até dar inúmeras dicas, mas fala daquilo que os emocionou.

O valor agregado é a pessoa. Eles dizem quem são o que querem e o que te contam. Assim eles atingem as pessoas que querem atingir.

Tantos jornais e revistas de turismo morreram porque não ofereciam nada diferente.

Para aqueles que são turistas e viajantes, hoje não tem NADA que não seja acessível do TripAdvisor e no Facebook.

O cliente se inspira online e depois vai para o offline. (ROPOxTOPO/TOPOxROPO)

Às vezes, o destino da viagem é uma consequência da “motivação” da viagem.

Hoje, um cliente entre quatro buscam pacotes organizados. E mesmo este “um” mudou. Ele quer construir a viagem junto.

Cliente quer ser protagonista.

É um cliente que precisa ser estimulado e envolvido.

Usar a informação do cliente da melhor maneira para entendê-lo. Escutar o cliente!

Consumidor hoje é “Prossumidor”. Prosumer ele produz e consome. Não mais produtos válidos para todos, mas sim produtos personalizados. Feito sobre medida para ele… cada cliente quer se sentir único, exclusivo.

Prossumidor é um neologismo (originado no inglês prosumer) que provém da junção de produtor + consumidor ou profissional + consumidor.

Consumidor no comando. Hoje o consumidor quer escolher aonde vai. Quer decidir o que vai fazer e onde vai andar. E quer escutar os ouros consumidores também.

O consumir é o comando da escolha. Ele não é mais um elemento da escolha.  

O cliente procura a agência quando tem um problema. (FIX IT FOR ME)

Quando a tecnologia é muita não se perde a interação humana?

A alma das empresas turísticas é a “relação humana”. Tecnologia é importante e tem que investir nela, mas no fim o que faz a diferença é a aproximação humana.

Tem que ter diálogo online.

Estratégia digital ainda é desprezível.

Tecnologia é um elemento libertador, quando te ajuda a fazer as coisas mais complicadas, uma vez que as coisas banais foram supridas pela tecnologia.

Atendimento ágil para os clientes. Economizando muitos níveis. Economizando frustrações.

A capacidade interpretativa dos dados é essencial para a oferta dos serviços e produtos.

Analisar os dados é fundamental para melhor atender o cliente e até mesmo antecipar suas necessidades.

Bum! Web mudou tudo!

Revolução digital no turismo é positiva. Um hotel que antes recebia 3,4 passaportes, hoje recebe 54 passaportes.

A rede é uma oportunidade. Não pode confundir a baixa barreira de acesso/ingresso com a altíssima barreira de sucesso.

Fala-se em economia colaborativa.

Economia colaborativa = inovação. Plataformas digitais: Airbnb, Booking, etc. Inovações que quando nascem causam reações instintivas.

A cada revolução épica, gera instantaneamente uma reação automática. Assim como também aconteceu com as máquinas a vapores. Não tem que se demonizar nada. São instrumentos que nascem. Na realidade é uma oportunidade extraordinária. A revolução digital é seguramente positiva. O problema é que toda vez que uma grande revolução acontece leva-se tempo para que se conheçam os limites, e para que eles sejam entendidos e organizados. [Marco Michielli – Vice Presidente Nazionale Federalberghi]

Tem-se que ter atenção a concorrência desleal. Não é para parar a mudança, mas é para discuti-la. É preciso ser portadora de oportunismo saudável.

O problema do Airbnb não é a senhorinha que coloca a sua casa da praia a disposição para conseguir um pouquinho mais de renda. O problema são os oportunistas. São aqueles que colocam uma série de estruturas a disposição, fazendo disso um business sem pagar as devidas taxas como qualquer outro empresário do setor. [Marco Michielli – Vice Presidente Nazionale Federalberghi]

Bem vindo à economia colaborativa! É tudo outra coisa. É gerenciar o consumidor.

Fala-se em Turismo de Experiência.

Só quando se volta a um destino é que se faz “experiência”.

“Um dia a mais” – para a experiência.

Até um destino normal, tradicional, pode se tornar uma viagem extraordinária com duas horas a mais, um dia a mais.

Para fazer uma viagem profunda não é só uma questão de tempo. Às vezes, é preciso ter alguém que introduza o turista e o ajude a entender o que está a sua volta.

Hoje é essencial que quem organiza a viagem promova momentos em que se cria experiência. É importante ter in loco alguém que saiba fazer esse momento acontecer. É importante ter quem conheça a região com o turista.

A intensidade da experiência vivida no dia a dia da viagem. Os monumentos são interessantes, mas a população também é interessante. A diversidade nasce quando os turistas vivem uma realidade e uma cultura diferente das suas.

“Quando viajo não gosto de ir buscar as coisas que li, prefiro achar as coisas sozinho.” É aquilo que me impacta que me marca.

Economia da experiência é a capacidade de oferecer uma experiência mais ou menos forte. Trata-se muito mais sobre o social, do que comunicação nas mídias tradicionais.

Low Costs estão bombando.

Alta qualidade x Low Cost – uma relação que ainda tem muito para se desvendar.

“Low Cost e qualidade” pode ser verdadeiro para cias aéreas, mas não é verdadeira para as hospedagens e serviços.

Fala-se em Turismo Responsável.

Discute-se sobre terrorismo.

Terrorismo é outro desafio para o turismo.

O tema do “medo” deve ser enfrentado e novas estratégias devem surgir. Há muita insegurança. As pessoas têm medo e viajam um pouco menos.

As Agências de Turismo precisam assegurar a “segurança” do turista.

Não se pensa mais que o profissional e o turista não se atenham a situação do lugar aonde se vai. Quem vende a viagem precisa dar informações relevantes: “Tem um ditador”; “Tem eleições”; “Tem um situação política delicada”; etc.

É necessário ter mais cuidado e flexibilidade nas regras de cancelamento e assistência ao turista.

Destinos do Oriente Médio são e, por um bom tempo, ainda serão um problema para o turismo.

Dar a possibilidade de se redescobrir outros países, aproveitando a situação “perigosa” de algumas regiões.

Reposicionar a oferta em direção aos países mais calmos (Grécia, Espanha, Itália – 3 grandes países). Egito, Tunísia, Turquia e Norte da África – países em “risco”.

Países em “risco” são agora “last minute”, porque depende muito da situação momentânea da região.

Ainda se fala em Deep Connection; ASAP – lançando informações e produtos velozmente; FIX IT FOR ME – desenhar produtos personalizados e que reforçam o valor da marca…

Alteração dos pacotes turísticos

Ainda estamos no fim da crise. O turismo está se reerguendo.

Mudanças pedem tempo e perseverança. As mudanças devem gerar valor para as empresas.

A força está na ideia. No juntar as ideias, agregar, e construir um futuro novo.

Tem futuro para as Agências de Turismo, mas será um futuro diferente.

Mente aberta. Inovação. E sugerir sempre solução.

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Citações, fontes de inspiração e fontes: *Business Travel Survey 2015 – Dicembre 2015 – full version. | Palestras ministradas durante o BizTravel Forum, realizado nos dias 2 e 3 de dezembro de 2015, em Milão (Itália).


Fonte: Artigos Administradores / Highlights do turismo contemporâneo

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