ICT para sair da crise

ICT para sair da crise

A inovação começou com Schumpeter, passou por Von Hippel, Chesbrough, Christensen, Santos, Doz, Williamsom, até os dias de hoje ter a estrutura de um sistema de Inteligência Competitiva Tecnológica, para sair da crise que paralisa profissionais e empresas atualmente

O interesse conceitual pela inovação não é recente. Em 1934, Joseph Schumpeter lançou a idéia da “destruição criadora”, onde velhas tecnologias são destruídas pelas novas.  Seu principal argumento era de que o desenvolvimento econômico é conduzido pela inovação por meio de um processo dinâmico em que novas tecnologias substituem antigas, o que foi por ele denominado de “destruição criadora”, melhorando a produção e baixando custos. 

 

Segundo Schumpeter, inovações radicais engendram rupturas mais intensas, enquanto inovações incrementais dão continuidade ao processo de mudança. O autor propôs uma lista de cinco tipos de inovação: i) introdução de novos produtos (que os consumidores não conheçam ou de qualidade nova); ii) introdução de novos métodos de produção (ainda não testado no meio industrial em questão); iii) abertura de novos mercados; iv) desenvolvimento de novas fontes provedoras de matérias-primas e outros insumos; v) criação de novas estruturas de mercado em uma indústria (1982).

 

Até Schumpeter (1982) a academia e o mundo empresarial haviam pouco se preocupado com a inovação, como alavanca de desenvolvimento econômico.   Sob o ponto de vista das funções e de seu papel nos negócios, a inovação foi estudada de forma gradativa. Schumpeter, ele mesmo preocupou-se essencialmente com as implicações da inovação sobre a lucratividade e continuidade dos negócios, nas décadas de 1930 e 40.  Mas por seu foco mais econômico, Schumpeter não deu nenhuma dispensou atenção ao estudo da inovação, em termos de sua natureza, de suas formas e do fenômeno como um todo.

 

Inovação foi novamente retomada somente no final da década de 1960 em diante, mas as abordagens dos estudos aí realizados retringiram-se à análise do fenômeno da inovação (ALBERNATHY,1978; CAMPBEL,1969). 

 

Em outras palavras, as abordagens voltavam-se para a análise de como acontecem as descontinuidades tecnológicas e de qual a lógica que subsidia os modelos de mudanças de inovações tecnológicas, como os propostos pelo modelo sociocultural Evolucionário de Variação Tecnológica (CAMPBELL, 1969; JENKINS, 1975; LANDES, 1983), ou por modelos mais simples, como os de Variação Tecnológica (ALBERNATY, 1978; HUGHES, 1983; 1987, DAVID, 1985) e o do ciclo de mudanças tecnológicas (BASALLA, 1988).  

 

Por volta da década de 1980, a estratégia da inovação na indústria considera as descontinuidades tecnológicas como mecanismo dominante do processo de inovação, como alavanca impulsionadora da evolução industrial. Tushman; Anderson (1986) definiam a descontinuidade tecnológica como a competência de uma inovação sobre uma tecnologia dominante em aperfeiçoá-la ou destruí-la e substituí-la.

 

A partir do início da década de 1990, porém, as abordagens para concepção e estudo do fenômeno da inovação passaram a ser processualísticas e formais. Em outras palavras, estudar os processos e as formas de inovação passou a ganhar os espaços nas pesquisas e publicações dos estudiosos da inovação e praticantes da gestão de sistemas de inovação.  

 

Desde meados da década de 1980, Von Hippel (1986) apontava a contribuição de usuários para o processo da inovação.  A princípio com pouca atenção da academia, suas contribuições, porém, foram resgatadas no início da década de 2010. 

 

Tarapanoff (2001) apresenta a visão de inovações como causadoras de novos ciclos econômicos, científicos e tecnológicos, dentro das provocações de Schumpeter. Inovações podem causar rupturas no ciclo anterior, causando alterações em cascata do ponto de vista social, comportamental e cultural, nas pessoas e nas organizações.

 

Durante a última década do século XX, contudo, estudos importantes dos processos e formas de inovação, como os processos de exploração interna e externa propostos por March (1991), começam a estabelecer as bases para os conceitos de inovação aberta propostos por Chesbrough (2003; 2007). 

 

Categorização e classificação da Inovação

 

A partir da intensificação dos estudos dos processos e natureza da inovação, pode-se notar um notável acúmulo de conhecimento sobre essa matéria. Como resultado, deu-se os primeiros passos para a categorização ou classificação dos tipos de inovação.  Há vários tipos de classificação da inovação, como a classificação proposta no Manual de Oslo (2005), que envolve a inovação em produtos, em processos, em marketing e na organização.  Henderson; Clark (2003) propõem outra classificação, considerando a mutabilidade da inovação nos elementos ou na essência da natureza das tecnologias. Cada classificação, no entanto, atende a determinados focos em questão. 

 

Mais compreensiva e para os propósitos deste trabalho, porém, pode-se agrupar os tipos de inovação em três categorias genéricas, segundo seu objeto, sua natureza e sua intensidade, ou grau. Na categoria objeto pode-se ter inovação em produtos, processos serviços, modelo de negócio e mercado, principalmente (MAITAL; SESHADRI, 2007). Neste caso, o tipo de inovação é bastante auto-explicativo. Trata-se de inovações que envolvem a forma ou os fundamentos dos elementos nos quais acontece a inovação ou onde ela pode ser observada.

 

A segunda categoria de inovação está ligada à sua natureza. A essa categoria pertencem as inovações do tipo disruptivo (CHRISTENSEN, 2003). São inovações que quebram a trajetória dos processos tradicionais de introdução e gestão da inovação através de novos modelos de negócio ou de tecnologias emergentes, fazendo com que novas empresas, sem a mesma capacidade de investimento em inovações, ganhem rapidamente novos mercados ou ganhem parte significativa dos segmentos servidos pelas empresas incumbentes e assumam a frente das líderes em seus setores econômicos (CHRISTENSEN; RAYNOR, 2003).

 

Na terceira categoria de inovação considera-se as inovações segundo o grau ou radicalidade de suas mudanças. Aí pode-se considerar as inovações de caráter incremental ou radical, modal ou arquitetural, segundo a abordagem de Henderson; Clark (2003). Inovação radical, como definido por Leifer et al. (2002, p.18) é um “produto, processo ou serviço que apresenta características de desempenho sem precedentes ou características já conhecidas que promovam melhoras significativas de desempenho ou custo e transformem os mercados existentes ou criem novos mercados”. Uma das diferenças importantes entre a inovação radical e a disruptiva é que a última está normalmente associada ao modelo de negócio e seus processos, enquanto que a primeira está mais associada a soluções tecnológicas capacitadoras de novas aplicações de produtos e serviços.

 

Na década de 2010, no entanto, os estudos voltaram-se mais para as implicações da inovação sobre os negócios.  As premissas para os novos estudos assentaram-se mais sobre o fato de que a inovação pode e deve ser planejada; sobre o fato de que a inovação não é um valor casual, mas um efeito resultante de um esforço coerente e direcionado de alteração em processo, produto ou serviço.  

 

Assim, as inquietações acerca da primazia da estratégia sobre os modelos de negócio, ou vice-versa, transferiram-se para o campo das estratégias de inovação, como parte das estratégias corporativas das empresas. 

 

No corrente contexto das pressões do encurtamento dos ciclos de vida das tecnologias e das pressões das estratégias competitivas, os produtos das correntes de pensamento dos estudiosos em modelos de negócio e das estratégias de inovação foram então integrados nos conceitos da estratégia de inovação aberta (CHESBROUGH, 2003; 2007, SANTOS; DOZ; WILLIAMSOM, 2004).  

 

Inovação aberta, em essência, tenta compensar a necessidade de aumento dos estoques de inovação a velocidades cada vez menores, por meio de caminhos alternativos aos tradicionais baseados nos departamentos internos de pesquisa e desenvolvimento. 

 

É um processo que busca em fontes cognitivas externas, as inovações que a empresa necessita (CHESBROUGH, 2003; 2007). Nessa busca, muitas informações tecnológicas podem ser incorporadas, por terem sido planejadas, mas muitas outras por terem sido apenas identificadas como inovações do interesse da organização.

 

Inteligência Competitiva Tecnológica

 

O fato é que inovação aberta tem sido o modelo ou formato de inovação mais recente a merecer a atenção dos estudiosos da área. Inovação aberta, sob o ponto de vista estrutural e processual, no entanto, depende essencialmente dos processos da Inteligência Competitiva Tecnológica, ou simplesmente, Inteligência Tecnológica. 

 

A idéia de inovação aberta de Chesbrough (2003; 2007) não é de fato nova. Dentro da percepção de abertura dos negócios além dos limites da empresa, outros autores já vinham observando a necessidade de se buscar em fontes cognitivas externas o conhecimento não disponível internamente. 

 

O conceito de exploração interna e externa de March (1991; 2008), já observava esse fenômeno. Outros autores como Hruby (1999); Von Hipel (1985); Jonash; Sommerlatte (1999), com especial ênfase para estes últimos, já apontavam a premência das empresas de última geração de adotarem a inovação produzida fora de suas paredes. 

 

Na concepção do negócio, Hamel (2000), Bovet; Martha (2001) e Hagel III (2001) apontavam já o novo paradigma explorado por Chesbrough (2003; 2007), o de que estratégia somente não seria mais suficiente para sustentar negócios vencedores.

As empresas precisam construir ou reconceber seus modelos de negócio de forma aberta, apostando na exploração interna de competências e externa de oportunidades, e desenvolvendo novas lógicas de valor. 

 

Tradicionalmente, a maneira de gerar inovação das grandes empresas é manter o controle sobre o seu desenvolvimento, garantindo sua aplicação posterior no mercado.

 

Em outras palavras, os elementos dos processos da inovação aberta, apontados por Santos; Doz; Williamsom (2004), ou mesmo por Chesbrough (2007), funcionam de forma eficiente, como um sistema integrado, quando são utilizados dentro da estrutura de um sistema de Inteligência Competitiva Tecnológica, que tira profissionais e empresas da paralisia que estão nos dias de hoje! 


Fonte: Artigos Administradores / ICT para sair da crise

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