Inovação: estão brincando de casinha, mas não deveriam

Inovação: estão brincando de casinha, mas não deveriam

Este artigo aborda o equivoco que estamos cometendo ao premiar “empresas inovadoras”. Estamos seguindo o mesmo roteiro da Era da Qualidade, que nos levou a ilusão coletiva

Vejo por ai, alguns concursos onde são selecionadas empresas para serem premiadas como “empresas inovadoras”.

Estamos repetindo um engano cometido no passado. São concursos que iludem o ambiente, mas não enganam a realidade que se impõe a todos, mais cedo ou mais tarde. Nesses concursos os vencedores deveriam ganhar um “atestado de fracasso em potencial” na maioria dos casos, e não um “prêmio de empresa inovadora”.

Vamos refletir um pouco para compreender melhor a realidade e o momento atual.

Item I – Não existe isso de “empresa inovadora”.

Não existe esse conceito de empresa inovadora. O que existe, e nesse caso são muitas, são empresas que lançaram alguns itens inovadores que obtiveram grande aceitação pelo usuário.

Algumas delas nem eram empresas estabelecidas (ainda não tinham saído da garagem ou do quarto da universidade…), mas seus produtos / serviços foram muito desejados pelos usuários / compradores desde o inicio.

Todas as empresas, mesmo as mais conhecidas pelo sucesso de alguns itens, têm também outros tantos que fracassaram, foram rejeitados pelos clientes. Não preciso descrever seus fracassos. Você deve conhecê-los.

Uma empresa “só” poderia ser considerada empresa inovadora “se e somente se” todo seu portfólio fosse líder absoluto.

Essa empresa ainda não existe. Não acontece com nenhuma corporação – porque não praticam as metodologias que já existem e que lhes dêem esse resultado – então precisamos compreender e nos guiar pela realidade, isto é, premiar os itens de qualquer empresa que têm grande aceitação do usuário, os quais, tipicamente, são poucos entre muitos itens.

Em algumas empresas esses itens são tratados como “vacas leiteiras” ou são explica-das pela “Regra de Pareto” – 80% do lucro vêm de 20% dos itens produzidos.

Vamos começar colocando o pé no chão!

Então vamos começar essa conversa eliminando essa linguagem enganosa de “em-presa inovadora” trocando-a por “itens inovadores de sucesso” e principalmente, ex-pondo quais são esses itens, até para ajudar a todas mostrando que embora tenham itens de fracasso, também podem ter itens de sucesso.

Pelo menos é mais sensato e real.

Essa mudança é significativa e demonstra que a metodologia utilizada para avaliação de empresas inovadoras é equivocada.

Explico melhor.

Item II – Confundindo inovação com qualidade.

Essa confusão não podia ser pior. E sejamos honestos, a metodologia que premia “empresas inovadoras”, não é apenas equivocada. E uma metodologia que incentiva a acomodação do esforço inovador, levando empresas a “perder com status de ganhadora de prêmios”.

Seria mais honesto tratá-las por “ganhadoras de certificados de fracasso em potencial”.

As premiações das empresas baseiam-se em itens que não tem nada a ver com su-cesso do produto ou serviço, nem com a aprovação do usuário, aquele que retribui os benefícios que lhe são entregues (Ideia Ideal = 0,00 iur) pela marca.

Por exemplo: ganham prêmios as empresas que mais investiram em ideias, têm mais gente trabalhando na área, tem equipe de inovação, tem um processo de inovação (tipicamente o Funil cheio de Gates), que usam as metodologias subjetivas e superadas para o novo mundo, compartilham pesquisas com as universidades, que preenchem listas e listas em concursos e assim por diante.

Premiar isso é incentivar a burocracia interna, sem compromisso com a realidade do usuário.

SE LIGA! TÁ BRINCANDO DE CASINHA? E COM O DINHEIRO DOS OUTROS?

Essa é uma inspiração oriunda da gestão da qualidade onde as empresas tinham que ter “ISSO / 9.000”, 1000 controles, normas e mais normas de qualidade e impressos e…, procedimentos e pessoas aprovadas em exames em inglês (?) medição de itens de rejeição / aprovação, os tais Data Books em papel carimbado de vermelho e assinado por profissional qualificado e chefe… blá, blá, blá.

ATÉ QUE ALGUÉM SE PERGUNTOU: PARA QUE SERVE TODOS ESSES “ISSOS” SE ESTAMOS PERDENDO MERCADO E CLIENTES?

Lembremos que quando entendemos o que era qualidade, tudo isso caiu por terra. Qualidade era e ainda é “não ter reclamação do cliente / usuário no PROCON”. A tal da “gestão da garantia qualidade” caiu por terra porque a empresa tinha 1000 ISO’s, 10.000 controles e um alto índice de reclamação no PROCON… E algumas, além de alto índice de reclamação tinham baixo índice de resolução…

POIS É.  A INSANIDADE DEMOROU, MAS VEIO À TONA….

Agora, na Era da Inovação, estamos repetindo (espelhando?) o mesmo erro.

Premiar empresa inovadora é dar prêmios para quem criou uma bruta burocracia interna, cheia de anda / pára / anda / pára, etc.. , desconectado do bom senso e da realidade do cliente. Isso é a insanidade se repetindo.

“NÃO TENHA MEDO DE COMETER ERROS. TENHA MEDO DE NÃO APRENDER COM ELES”. PETER JONES.

Premiar os fabricantes que inovam é recompensar os “itens que dominaram o mercado / desbancaram concorrentes onde atuam com produtos ou serviços lançados nos últimos anos e que facilitam muito a vida do usuário e justo por isso, o comprador retribui á empresa, comprando e divulgando o item inovador”.

São os itens dominantes que surgiram que temos que incentivar em todas as empresas. É isso que o cliente usuário está esperando. Desbancar a concorrência justifica empresas com fins lucrativos e usuários em busca de benefícios para suas atividades, porque, ao fim e ao cabo, inovação é a combinação de grana nova para a empresa com benefícios em forma de ócio para o usuário.

INOVAÇÃO É A COMBINAÇÃO DE GRANA NOVA PARA A EMPRESA COM BENEFÍCIOS NA FORMA DE ÓCIO PARA O USUÁRIO.

O que as empresas fizeram internamente para conseguir esse resultado é outra praia. Nem merece prêmios. É burocracia ou metodologia interna ou… Acho ótimo que troquem experiências e conhecimentos sobre métodos internos em workshops ou em congressos exclusivos para tal. Mas só! Em pesquisa é assim. É o normal.

Item III – E tem um agravante.

Assim, estamos premiando empresas, embora o índice de fracassos esteja em torno de 68% atualmente (2014), o que significa dizer que ainda não sabemos inovar, e no Brasil, sabemos menos ainda porque ocupamos os últimos lugares do mundo.

Há ainda um agravante.

As empresas que ganham prêmios de empresa inovadora tendem a se acomodar nos prêmios e podem justificar seus fracassos, esconder a realidade. Dito de outra forma, essa premiação tende a “acomodar as empresas no seu estado de fracasso em potencial”, de tal modo que podem esvair as corporações lentamente, isto é, perdem mercado com status de premiado!

Assim, cabe perguntar: será que encontramos alguma empresa que ganhou prêmio de inovadora e perdeu mercado para concorrentes?

ESTAMOS REPETINDO O MESMO ERRO DO PASSADO, INSANAMENTE!

ATÉ QUE ALGUÉM PERGUNTE: PARA QUÊ VOCÊ GANHOU ESSE PRÊMIO SE NÃO ESTÁ ENTRANDO DINHEIRO NOVO?

Aqui, na Era da Inovação, tanto quanto na Era da Qualidade, o único elemento que interessa é satisfazer o cliente economizando seus esforços (energias, tempos e/ou movimentos) de tal modo que ele procure pelo item que você produz porque esse pro-duto / serviço entrega o beneficio (e não solução…) que o usuário deseja?

É preciso entender que estruturas internas não se traduzem necessariamente em ino-vações benéficas ao usuário. Talvez até pelo contrário.Tais burocracias podem estar atrasando a velocidade de inovação que está realmente acelerada no mundo atual, como todo mundo está sentindo através da dificuldade de acompanhar o que está surgindo…

Concluindo.

Reflita sobre o quê sua empresa está fazendo. Ao invés de perder seu tempo partici-pando de concursos para receber “certificados de fracasso em potencial”, ocupe-se, junto com sua equipe, de criar produtos e serviços que levem benefícios aos usuários, traduzido em economia de seus esforços – energias, tempos e / ou movimentos. Certamente, pela economia que o item entrega, o cliente / usário reconhece e retribui esse beneficio em moeda corrente, de tal modo que a inovação satisfaz a ambos.

Não há prêmio melhor do que dominar o mercado por competência criativa em inova-ção, trocando moedas novas para a empresa por benefícios que oferecem ócio ao usuário.

Todo mundo merece.

Experimente! Você não tem nada a perder, mas certamente vai encontrar muito a ga-nhar.


Fonte: Artigos Administradores / Inovação: estão brincando de casinha, mas não deveriam

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