Inteligência Emocional: clichê ou é importante para empreender?

Inteligência Emocional: clichê ou é importante para empreender?

Ser dono do próprio negócio é um sonho de muitos brasileiros, porém muitas empresas são criadas e acabam fechando em pouco tempo por falta de preparo do empreendedor. Os princípios da inteligência emocional podem ajudar bastante para que o empreendedor se sinta mais preparado para enfrentar os desafios.

Muito se tem ouvido falar sobre a inteligência emocional. A teoria que no início dos anos 90 tentou definir o que era ser inteligente continua mais viva do que nunca. Cada vez mais usar da inteligência emocional é um benefício para quem quer empreender.

Mas o que é a inteligência emocional? Para definir em poucas palavras o que venho estudando há anos, diria que, simplesmente, é a capacidade de lidar com as próprias emoções. Mas o quê as emoções têm a ver com o empreendedorismo?

Transformar a ideia de empreender em realidade, na complexidade do nosso mundo atual, sem dúvida precisa de uma boa dose de inteligência emocional. Num mundo tão diversificado como o que vivemos a ausência de habilidade emocional pode ser um verdadeiro motivo para que o empreendimento que se sonhou vire um fracasso. A inteligência emocional pode ser muito compensadora no auxílio de tomada de decisões. A maneira correta de lidar com situações difíceis, sem dúvida, ajuda o empreendedor a ser bem sucedido. Na maioria das vezes que surgem situações difíceis e emocionalmente carregadas, sai fora o clichê e entra a técnica para que a pessoa não se esconda e se exima de tomar decisões.

O americano Clarence Francis, ex-CEO de uma das maiores companhias americanas, a General Foods Corporation, já dizia na década de 70, que você pode comprar o tempo das pessoas; pode comprar sua presença física em determinado lugar; pode até mesmo comprar um determinado número de movimentos musculares por hora. Mas não pode comprar a devoção do coração delas, isto você precisa fazer por merecer.

Traçando um paralelo com o empreendedorismo é preciso que o empreendedor e principalmente o jovem empreendedor aprenda a lidar com as emoções; as suas e a dos outros. Uma chave para o sucesso do empreendedorismo é identificar nos potenciais clientes, suas emoções. Por isso a inteligência emocional tem sido vista como um pilar crítico de sucesso seja como empreendedor, seja como pessoa. Cada vez mais ela se configura progressivamente como importante técnica nos constantes desafios cotidianos.

Saber gerir efetivamente o ambiente de trabalho e as influências que o mercado consumidor traz para este ambiente diferencia quem usa os princípios dinâmicos da inteligência emocional, daqueles que não se preparam para os desafios cruciais que a tarefa de empreender provoca. Estruturar um ambiente sinérgico e envolvente onde seus colaboradores tenham vontade de estar ali faz parte de uma arquitetura social onde o empreendedor é o intérprete cultural para, através de uma comunicação eficaz, poder resolver conflitos em diversas situações. Resolver conflitos exige muita inteligência emocional. Saber lidar com os conflitos, que sempre existem, cria um ambiente interessante para se trabalhar.

Cuidado com a “ditadura da razão”. Não desconsidere o lado emocional dos indivíduos. A razão não é a única responsável pelos destinos seja das pessoas seja das organizações. Obviamente somos ensinados a agir com a razão no mundo dos negócios e não está errado. O que se apresenta, já há alguns anos, é que saber lidar com as emoções pode nos trazer mais equilíbrio e mais resultados nos negócios. Por outro lado dificilmente, ou quase impossível, os negócios sobreviverem só pela emoção. Por isso: a inteligência da razão; e o emocional do coração, aliados, farão a diferença para melhor. Quanto mais os ambientes de trabalho se tornaram diversificados se tornou mais importante entender essas diferenças desafiadoras.

A definição precisa de emoção, psicólogos e filósofos discutem há séculos sem ter claramente uma definição em si. Sim, porque a emoção tem componentes como: paixão, perturbação, agitação, excitação, ou seja, sentimentos distintos para distintos estados psicológicos. Com a ousadia de tentar correlacionar com o empreendedorismo a mente emocional é muito mais rápida que a mente racional. Essa rapidez exclui o pensamento deliberado, analítico que é a característica da mente pensante, principalmente se tratando de negócios, e essa é uma armadilha que o empreendedor não pode cair. Ele deve sim, controlar a força das emoções para poder equilibrar razão e emoção nas tomadas de decisões.

Assim, em geral, as interações interpessoais, conversas e relacionamentos têm elementos tanto racionais quanto emocionais. Fazendo uma comparação com uma canção, as palavras são o componente racional desta canção e a música que conduz as palavras é o componente emocional. As palavras são os componentes racionais. Os sentimentos que elas causam são os componentes emocionais.

O empreendedor não pode ser um analfabeto emocional, por isso aumentar a inteligência emocional traz alguns benefícios que são percebidos ao longo do tempo. Entre eles estão:

  • Aumento da autoconfiança;
  • Diminuição do estresse e preocupações descabidas;
  • Melhora a satisfação no trabalho;
  • Lida melhor com frustrações;
  • As relações interpessoais são mais harmônicas;
  • Aumenta muito a compreensão dos outros;
  • Melhora a aptidão para manter diálogos difíceis;
  • Tem uma sensação melhor de controlar seu ambiente;
  • Não cria expectativas irreais.

Existem técnicas para que o empreendedor melhore sua inteligência emocional. Pode-se dizer que sim, a inteligência emocional pode ser aprendida. Certamente algumas pessoas têm mais habilidade para lidar melhor com os sentimentos. Para àqueles que têm deficiências nesta área, desenvolver as qualificações e aprimorar suas habilidades através de treinamentos, irá melhorar muito sua gestão de resultados.

Para o jovem empreendedor que irá trabalhar com equipes, treina-las com conceitos e princípios da inteligência emocional é um caminho para o desenvolvimento em um ambiente de trabalho tão diversificado. As equipes precisam desenvolver as técnicas da Inteligência emocional que ajudam a melhorar as relações e o trabalho. Aprimorar as dinâmicas de grupo estimula o desenvolvimento e aumenta o desempenho. Algumas atividades são sugeridas para estimular o desenvolvimento:

a)      Criar sinergia interna e fomentar o espirito criativo de cada um;

b)      Descobrir o que motiva a equipe a agir;

c)       Fazer com que a confiança mútua permita que todos sejam criativos e assumam riscos;

d)      Fazer com que a equipe tenha consciência de seus pontos fortes e fracos;

e)      Fazer a equipe compreender que a ambiguidade pode ser uma aliada;

f)       Ajudar a equipe a ter consciência e controle sobre mudanças;

g)      Ajudar a equipe a respeitar a cultura individual e organizacional;

h)      Estimular a equipe para que os conflitos sejam resolvidos na equipe.

Por fim, não deixe suas emoções trancadas a sete chaves. Embora elas sejam fonte de envolvimento, energia, alegria entre outros, também elas estão nas frustrações e nos insucessos. Por isso, lide com os sentimentos de uma maneira saudável e construtiva, pois sua capacidade, eficiência e eficácia no mundo dos negócios ajudarão a transcender sua própria expectativa e alcançará patamares elevados de satisfação e resultados. Assim, clichê ou não, use os princípios da inteligência emocional, pois certamente teremos pessoas e organizações mais saudáveis.


Fonte: Artigos Administradores / Inteligência Emocional: clichê ou é importante para empreender?

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