Lean: analisando os resultados para viver melhor

Lean: analisando os resultados para viver melhor

Entenda a ferramenta

Por que corremos tanto?

Simples! Porque não conseguimos fazer tudo o que precisamos…

Mas o que seria tudo que precisamos? A primeira vista, parece uma resposta óbvia, afinal, todos sabem o que precisam fazer…

Nesta minha postagem, resolvi falar do que mais observei como Perito Judicial e Consultor de Empresas em mais de 10 anos de atuação profissional. E o que mais quero com esta postagem é mostrar como posso ajudar as pessoas interessadas a melhorarem seus processos. Então vamos lá!

Nas ocasiões das pericias e das consultorias, eu sempre observava nas organizações:

a) Gente correndo de um lado para outro;

b) Um monte de papéis, papéis e papéis (rs);

c) Volumes e volumes de estoques e serviços por fazer, etc;

d) Conversas em grupos de várias formas;

e) Erros e desentendimentos de equipes, etc.

E os profissionais responsáveis se descabelando para dar de conta de tanto compromisso. Eu me perguntava, porque tanto corre-corre? Onde vão chegar? Porque não conseguem resolver. Parecia brincadeira, mas as situações se repetiam em cenários diferentes.

Quando passei a me perguntar o que faria com a experiência que me permitia detectar as falhas já apresentadas, um pensamento recorrente vinha à minha mente, que eu deveria utilizar meu conhecimento e experiência para ajudar outras pessoas. Porém eu não me achava capaz! Eu nunca nem havia pensado em como eu poderia ajudar aquelas pessoas importantes que não paravam para nada. E este era o meu dilema secreto (rs).

Um belo dia, resolvi procurar o Sebrae para obter alguns conselhos. E, resumindo as idas e vindas, duas vertentes fortes me emocionaram. A primeira: que eu podia morrer de repente em face de stress e correria, e, a segunda: que eu tinha uma grande oportunidade nas mãos por conta da grande experiência conquistada ao longo dos anos de perito e consultor de empresas.

Nesta busca, de como eu poderia ajudar as pessoas a viverem melhor, pensei! Acho que está na hora de voltar pra escola, pois já fazia uns 5 anos que não estudava efetivamente nada. Nesta busca. Os anjos que me acompanham entraram em ação e me conduziram para uma pós-graduação em engenharia de produção industrial.

Na pós em engenharia de produção, no primeiro módulo, eu conheci a ferramenta de lean manufacturing, uma poderosa ferramenta de análise que possibilita uma grande perícia de valor e, para minha surpresa, este modo de ver, reconhecido como uma filosofia de trabalho,  viria a me seduzir de tal forma que se tornaria a minha plataforma de trabalho.

Mas o que este tal de lean manufacturing faz? Porque ele mexeu tanto comigo?

FIGURA LEAN, focando em resultados…

O lean manufacturing ou simplesmente lean, é uma filosofia que elimina desperdícios ocultos, um modo de pensar enxuto, um modo de ver as coisas ágeis e fáceis no ambiente de trabalho. E conseguindo as coisas ágeis e fáceis, os processos ficam mais rápidos. Agilizando os processos as coisas chegam ao seu destino em curto tempo, e você resolvendo as coisas em pouco tempo, começa a ser mais feliz, porque terá tempo para muitas coisas na sua vida.

O Lean, como é conhecido, mostra entraves, mostra aquelas coisas rebuscadas, escondidas que maculam valores das áreas de trabalho. Mas o que é valor? Valor, é o que envolve recurso ou tempo que o cliente está disposto a pagar. Como assim, o cliente está disposto a pagar? Pense comigo! Você empresarialmente faz alguma coisa que o cliente não paga? Se a resposta for sim, você pode estar falindo. Se a resposta for não, parabéns, você está ganhando dinheiro.  Para ilustrar, vou contar um caso clássico: a de um operador de betoneira, aquela máquina de fazer concreto ou massa de cimento.

Certa manhã, eu estava numa empresa em Santa Tereza do Oeste – PR, e lá, eu estava fazendo um monitoramento do processo de concretagem de vigas, e, neste processo, havia uma betoneira que fazia o preparo do concreto que encheria as formas das vigas de concreto. Pois bem, eis que apareceu na empresa o dono do negócio e eu o atendi. E, por coincidência, estava eu com um cronometro em mãos e sugeri:

– Olha só o  operador! Vamos ver quanto tempo ele gasta para fazer a “betonerada” e esvaziá-la;

– Tudo bem, respondeu o proprietário;”

E assim, iniciei o cronômetro e fiz a leitura, 6 minutos foi o tempo de preparo e liberação do concreto.

– Vamos fazer mais uma leitura, disse eu!

– Ok! Respondeu o jovem empresário.”

Mais uma vez iniciei o processo.E o tempo passou, ao chegar os 6 minutos o empresário já estava incomodado porque o concreto não estava pronto e o tempo transcorria 7, 8 , 9 , 10, 11, 12 minutos e nada, o Empresário já suava frio, fiquei com medo dele passar mal. Disse!

– Guenta ai… não desmaia!

– O cara tá me roubando,  dizia ele. Ainda não fez o concreto! Vou despedi-lo agora…

– Não, Não, não, vamos ver até onde isso vai…”

E continuamos avaliando o processo, 13, 14, 15, 16, 17 e 18, o meu amigo empresário já “fumaceava as ventas”  de bravo (rs). Queria matar
o jovem  operador de betoneira. Ofegante, dizia ele..

“- Não aguento mais! Agora já sei porque essa empresa não dá dinheiro. E o jovem operador se coçava, mexia na betoneira sem necessidade,
mudava as pás de lugar, conversava com outros funcionários. Claro, também descarregava a betoneira! Mas bem devagar (rs). Mais uma vez eu dizia!

– Guenta! Tu já ta pagando mesmo, vamos ver onde vai dar.

– … Aff! Ele já não falava mais comigo! Pensei que até eu ia ganhar a conta. Estava numa metamorfose, mudava até de cor (azul para vermelho e depois para roxo (rs).”

E assim foi a minha análise! 19, 20, 21, 22, 23, 24 minutos e nada de acabar aquela operação de betoneira. Ele, o meu cliente já passava a mão no peito, achei que ele ia sofrer um infarto (rs). Já nem provocava ele na conversa para não causar um mal estar maior.

E vai o tempo, 25, 26, 27 e , por fim, com 28 minutos ele encerrou o processo.

A análise do fato com  a ferramenta de lean mostrou:

a) O trabalhador operador de betoneira aproveitava em média 20% do seu tempo, todavia ganhava por 100%, ou seja, o patrão está pagando 80% de atividade de forma desnecessária, pois o seu cliente não pagará nada por este tempo perdido;

b) Além de não fazer o seu processo, o trabalhador ainda envolvia-se com os demais colegas de trabalho, causando interrupção em outros processos da empresa;

c) Além de atrapalhar outros processos, mexia na máquina em funcionamento, podendo causar um acidente de trabalho ou outros prejuízos desnecessários para empresa com consequente perda de tempo, materiais, dinheiro e incomodação;

d) Não existia a participação da área de trabalho no encadeamento do processo de produção e/ou com uma liderança ativa e participativa para fazer com que a operação fosse executada de acordo;

e) o patrão estava fora do processo, não sabia nada do andamento de conformidade de seu negócio;

f) encurtando, o empresário, estava perdendo muito dinheiro.

Após o fato narrado, volto a falar do lean, a filosofia enxuta, ela trouxe a tona, o que o empresário tinha dificuldade de ver no processo e que é de seu interesse. Manifesto que os 80% perdidos do exemplo, o cliente não pagará, pois o cliente paga a viga (processo que a formou) e nada a mais. O patrão é quem paga tudo que o cliente não paga. Ou seja, se o cliente não paga, quem paga é o empresário.

Por isso pessoas, cuidem do seu processo, avaliem seus valores, aprendam mais sobre a filosofia enxuta.

E é isso que eu faço, trabalho para que as empresas atuem no valor pago pelos seus clientes e  não por eles. Pois com tremenda carga tributária aqui no Brasil, concorrentes, encargos, se o empresário não aperfeiçoar e retirar os entraves de linha de produção, ficará a mercê da sorte do seu próprio negócio.

E se você gostou da mensagem, aproveite para detectar os seus valores positivos para manter e negativos para corrigir. Saiba que eu estarei sempre aqui para ajudá-lo!

Interaja, me procure, abra um canal, vamos conversar, tenho certeza que posso contribuir na otimização de seu fluxo de valor. Em outras palavras, realizar um grande diagnóstico e verificar onde podem estar operações desnecessárias e focar no que o cliente está interessado e pagar.   


Fonte: Artigos Administradores / Lean: analisando os resultados para viver melhor

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