Leitor ou ouvinte: quem é você?

Leitor ou ouvinte: quem é você?

A única coisa que podemos ter certeza sobre o futuro é que ele será diferente de hoje.

Alguns dias atrás, visualizei em meu perfil de usuário LinkedIn um post compartilhado por uma conexão que falava sobre sua “indignação” em seu mais novo local de trabalho. O responsável pelo post dizia-se inconformado com a forma pela qual a empresa se utilizava de suas competências, visto que ele exercia suas atividades de uma forma em seu emprego anterior e, agora em seu novo emprego, estava sendo “forçado” a exercer suas atividades de uma outra forma com a qual não estava “acostumado”. Bah, foi aí que me veio o ensinamento do mestre “Drucker” que caiu como uma “luva” para essa situação.

Quem já leu a obra de Drucker sabe um pouco sobre o entendimento do grande mestre da Ciência Administrativa. Quem ainda não teve o prazer de ler, recomendo que não perca mais tempo e leia. Será tão importante quanto fundamental para o que vou explanar a partir de agora. Visto que, recentemente, escrevi dois artigos sobre o tema do feedback noutra Revista, e que poderiam servir de base para o entendimento que vou construir. Quem puder acompanhar, será excelente. O conteúdo desses artigos são embasados no entendimento de que a base para a mudança é a saída do status quo.

Vamos lá. A maioria de nós trabalha ou trabalhou para pessoas que são “leitoras”. Pessoas “leitoras” necessitam receber relatórios escritos para manterem seus relacionamentos organizacionais e profissionais com efetividade. De modo geral, nos especializamos durante nossa vida profissional e acadêmica na “construção” desse método de trabalho e relacionamento. Desenvolvemos a convicção de que tal método deve ser aceito por toda e qualquer pessoa como algo único, fundamental. Mas, quantos de nós já se perguntou qual é a melhor forma como assimilamos uma informação, ou mesmo, como desenvolvemos nossos relacionamentos? Somos realmente, leitores? Nossos chefes, o são?

Certamente que muitos de nós conhecemos algum colega ou chefe que possui um perfil de relacionamento contrário ao tradicional. Trata-se de um “ouvinte, ou seja, uma pessoa que necessita de uma abordagem diferente para obter desempenho. Nesse caso, relatórios escritos não ajudam em nada na construção de um relacionamento de via dupla. “Ouvintes” não se atentam à relatórios escritos, porém isso não significa que eles não sejam sistemáticos e/ou não gostem de receber feedback. Na verdade, esse perfil de pessoa precisa “escutar verbalmente” a fala dos outros e a sua própria fala para construir, literalmente, um relacionamento de via dupla que permita o alcance de desempenho.

Quantos de nós já ouviu falar de bons projetos ou boas ideias que nunca saíram do papel, que foram engavetados? Lógico que este é um exemplo muito genérico, mas serve para entendermos a necessidade de descobrirmos a forma adequada com a qual devemos nos reportar com chefes, colegas, clientes, etc. Cada um é diferente e, como salientou Drucker (2010): “leitores nunca se tornam ouvintes e ouvintes nunca se tornam leitores”. E quantas pessoas passam por nossa vida profissional? Saber se elas são “leitoras” ou “ouvintes” é essencial para que possamos auxiliar terceiros a obterem desempenho superior e, automaticamente, para que possamos obter desempenho próprio.

Portanto, recapitulando a indignação proferida pelo profissional exemplificado no primeiro parágrafo, a verdade imbuída nesse texto parece obter uma excelente relação com o paradigma da mudança. Questões como: “mas por que mudar agora se sempre fiz as coisas desse mesmo modo e elas sempre correram bem?”, ainda persistem nos relacionamentos e abordagens atuais. Ainda que Drucker (2010) tenha salientado que a única coisa que podemos ter certeza sobre o futuro é que aquilo que fazemos hoje terá de ser feito amanhã de forma diferente. E é essa a essência da Gestão.


Fonte: Artigos Administradores / Leitor ou ouvinte: quem é você?

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