Mãe, empresária quase mulher maravilha

Mãe, empresária quase mulher maravilha

Perfil e dilemas das mães e empresárias no mercado brasileiro

Conciliar trabalho e tempo para a família tem sido um dos maiores desafios da mulher moderna. Em busca de mais qualidade de vida e também retorno financeiro, muitas mães têm se reinventado como empreendedoras, no mercado formal e informal no Brasil.

O empreendedorismo feminino ganhou força desde a inserção da mulher no mercado de trabalho porque muitas mulheres encontram na maternidade um estímulo adicional para abrir uma empresa aliando criatividade, dedicação e flexibilidade para participar mais de perto da educação dos filhos.

O Desejo

Pesquisa sobre Empreendedorismo feita pela Global Entrepreneurship Monitor – GEM, com apoio do SEBRAE e IBPQ no Brasil, vem apontando a cada ano o aumento dos níveis de empreendedorismo no Brasil por região, e em 2015 a taxa total de empreendedorismo para o Brasil foi de 39,3%, ou seja 52 milhões de brasileiros com idade entre 18 e 64 anos envolvidos na criação ou manutenção de algum negócio, na condição de empreendedor em estágio inicial ou estabelecido.

Entre os empreendedores iniciais (com até 42 meses de atividade) a proporção de homens e mulheres é praticamente a mesma, 51% e 49% respectivamente. Entre os empreendedores estabelecidos (com mais de 42 meses de atividade), os homens são em maior número do que as mulheres, 56% e 44% respectivamente.

Ter o próprio negócio continua figurando entre os principais sonhos dos brasileiros, sendo que proporção observada em 2015 (34%) foi superior à de 2014 (31%). Entre 70% e 80% dos brasileiros concordam que abrir um negócio é uma opção desejável de carreira, valorizam o sucesso dos empreendedores e acompanham na mídia histórias sobre empreendedores bem sucedidos.

A Motivação

Nesta mesma pesquisa da GEM foi mitigada a motivação da abertura do negócio dos empreendedores, se foi por oportunidade ou por necessidade e 56,5% responderam que foi por oportunidade, representando maior planejamento do negócio e mais assertividade na escolha da atividade a ser explorada, contudo esse índice caiu consideravelmente em relação a 2014, que era de 70%, provavelmente por causa da crise e desemprego.

Em relação aos ramos de atividade escolhidos pelas empreendedoras, o Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas publicado pelo SEBRAE em 2015 constatou maior concentração nos serviços ligados a alimentação, comércio de roupas e calçados, serviços de beleza e comércio de produtos alimentícios.

A Localização

Curitiba comparada com outras capitais do Brasil tem uma condição favorável para o empreendedorismo. A ENDEAVOR criou o Índice de Cidades Empreendedoras que mede o potencial de empreendedorismo nas capitais baseado em sete premissas: 1) Ambiente Regulatório; 2)Infraestrutura; 3)Mercado; 4)Acesso a Capital; 5)Inovação; 6)Capital Humano; 7)Cultura Empreendedora.

Em 2015, o ranking das melhores dez primeiras posições foi: São Paulo (8,45), Florianópolis (8,36), Vitória (7,70), Recife (6,94), Campinas (6,83), São José dos Campos (6,74), Porto Alegre (6,60), Curitiba (6,54), Joinville (6,51) e Rio de Janeiro (6,48). As piores posicionadas no ranking foram no 31º lugar Teresina (4,55) e no 32º lugar Maceió (4,03).

O Perfil

Ainda segundo pesquisa da GEM, dos 52 milhões de empreendedores do Brasil, 24 milhões são mulheres, 27 milhões tem de 25 a 44 anos, 30 milhões tem renda mensal de até três salários mínimos, 16 milhões tem escolaridade inferior ao ensino fundamental e apenas três milhões tem nível superior completo, 22 milhões são casados, 16 milhões são solteiros, 27 milhões tem cor de pele parda e apenas quatro milhões tem cor de pele negra.

Em relação ao faturamento anual, cinco milhões dos empreendedores do Brasil tem faturamento anual de R$ 12 mil a R$ 24 mil e sete milhões com faturamento de R$ 60 mil a R$ 360 mil.

Como Conciliar

Para facilitar a vida das mulheres que pretendem ter o seu negócio sem que haja perda de qualidade da sua vida pessoal e familiar, seguem algumas dicas:

Apoio da família: antes da futura empreendedora pensar em montar seu negócio é importante o apoio e aprovação da ideia pela família porque todo tipo de mudança gera conflito, medo, angústia e insegurança.

Planejamento: antes de pensar em abrir uma empresa, planeje, faça um plano de negócios definido o que é o negócio, qual o mercado, qual seu diferencial, estrutura de custos, despesas, como será feita a divulgação, dentre outros. Prefira gastar tempo afiando o machado a cortar lenha.

Mobilidade: invista em celulares com pacote de dados que podem te manter atualizada ou adiantar alguma coisa do trabalho em qualquer lugar como na fila de um banco, na sala de espera de um médico, na escola enquanto espera os filhos, etc.

Delegue funções: a mulher precisa definir prioridades para conseguir fazer todas as atividades, então é necessário delegar algumas funções com o esposo ou outros integrantes da família, como por exemplo, as tarefas domésticas, levar os filhos na escola ou fazer as compras de supermercado.

Disciplina e organização: a empreendedora precisa organizar todas as atividades diárias, semanais e mensais, estabelecendo horário de início e término de cada atividade em uma agenda ou calendário do computador ou celular e cumpri-la.

Local apropriado: toda empresa, mesmo home office, deve possuir um local apropriado para não misturar as coisas da casa com as do trabalho. Separe um cômodo, deixe-o limpo e organizado e isso facilitará a concentração no trabalho e trará maior profissionalismo.

Descanso: não é porque a empreendedora não tem chefe ou um dia de folga determinado que deve esquecer de descansar. Os momentos de lazer são tão importantes para que o negócio dê certo porque corpo e mente andam juntos, e se um adoece o outro também sente.

Cuidado com a culpa: com a maternidade vem a culpa, então é raríssimo encontrar uma mãe que não fique se perguntando se está tomando as decisões certas. O importante é não deixar a culpa interferir nas decisões da empresa que devem ser tomadas sempre com a razão.

Busque apoio profissional e tenha networking: entidades como o SEBRAE e ENDEAVOR disponibilizam gratuitamente um grande acervo de materiais para conhecimento e capacitação empreendedora. O MOVIMENTO EMPREENDA, ligado a revista Pequenas Empresas Grandes Negócios tem aplicativo gratuito para celular para construção de Plano de Negócios. Existem também grupos específicos para apoio a mulheres empreendedoras para capacitação, troca de experiências e networking como o Rede Mulher Empreendedora, Maternarum, Mãe Empreendedora, Mãezíssima, Espaço Mulher Executiva – MEX Brasil, BPW – Business Professional Women, Jogo de Damas, Itaú Mulher Empreendedora, Clube da Alice, além do grupo em igrejas como Lidera Mulher na Igreja Batista do Bacacheri em Curitiba, que foca no desenvolvimento pessoal, profissional e espiritual das profissionais e empreendedoras.

E se não der certo?

Se você está terminando de ler este artigo e está pensando que apesar de estar na cidade certa, ter os recursos e aptidões necessárias e o perfil, só que não tem motivação para iniciar ou já percebeu que não vai dar certo empreender e que prefere fazer carreira em uma organização ou até mesmo curtir o momento sendo somente mãe, fique tranquila, não tem problema algum nisso. Com toda certeza é ali que você estará feliz porque quando uma mãe está feliz, toda a família está feliz.

Tem uma frase de autor desconhecido que deveria ser o lema da Mulher e Mãe e Empreendedora que é Não Desista Fácil nem Insista para Sempre.

Nunca é tarde demais para começar, recomeçar ou simplesmente empreender no negócio “Ser Mãe”, investindo no desenvolvimento da autoestima e autoconfiança dos filhos para que se tornem adultos preparados para relacionamentos, para as dificuldades da vida e para o mercado de trabalho.


Fonte: Artigos Administradores / Mãe, empresária quase mulher maravilha

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