Mais do mesmo: cuidado para não terminar na prancha

Mais do mesmo: cuidado para não terminar na prancha

Embora uma cultura possa ser favorável à atividade de determinada empresa em determinado cenário, seguir à risca a cartilha pode se transformar numa grande armadilha no futuro

Estamos acostumados a ler e ouvir que cada empresa tem a sua cultura e a sua maneira de conduzir o trabalho. E que os profissionais devem se adaptar a tais formas para poder alcançar o sucesso profissional. Mas, embora uma cultura possa ser favorável à atividade de determinada empresa em determinado cenário, seguir à risca a cartilha pode se transformar numa grande armadilha no futuro.

Existem empresas que valorizam a continuidade do mesmo e que não veem sentido em mudar qualquer processo. Nessas empresas, aqueles 10% de funcionários que estão sempre procurando uma nova forma de fazer as coisas e de melhorar os resultados não são adequadamente valorizados. Nelas, os mais admirados costumam ser os que querem que tudo continue sempre igual.

Mas, em contrapartida, aqueles que gostam de criticar os desbravadores ganham um campo fértil para proliferação. E a incidência das ervas daninhas chega a pular de 10 para 20 ou 30%.

Eu trabalhei em uma empresa assim, da área de educação. Os erros eram duramente criticados e, não raramente, traziam prejuízos financeiros ou de imagem ao colaborador. E reconhecimento era uma palavra que eu nunca ouvi ser usada. Por isso, ninguém se arriscava a querer mudar qualquer coisa. Os mais antigos, inclusive, chegavam a aconselhar os mais jovens, como eu, a não fazerem certos comentários sobre como o trabalho ficaria mais fácil se fosse feito de outra forma.

É claro que eu não me adaptei e não fiquei muito tempo por lá. E saí com um gostinho de que poderia ter feito mais.

Mas o que eu aprendi é que algumas empresas realmente conseguem trabalhar bem sem precisarem inovar ou melhorar os processos o tempo todo. Em certos ramos, inclusive, manter as coisas funcionando como sempre funcionaram pode ser a única forma de garantir aos donos o pleno controle. E, até que apareça um concorrente que lhe tormente o caminho, seguir na calmaria pode ser a melhor maneira de alcançar os objetivos.

Para os profissionais, no entanto, fica o alerta de que poucas empresas ainda mantém esse tipo de cultura. Normalmente, são empresas de gestão familiar, públicas ou sociedades dirigidas por técnicos sem conhecimento adequado da Administração. E, como na hora da tempestade essas empresas não possuem outra alternativa de continuar navegando que não seja aliviar o peso, à menor concentração de nuvens negras, agarre o seu colete salva-vidas.


Fonte: Artigos Administradores / Mais do mesmo: cuidado para não terminar na prancha

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