Marketing Multinível, o êxodo da crise?

Marketing Multinível, o êxodo da crise?

Em tempos de instabilidade econômica com altas taxas de desemprego e a constante necessidade de complementação da renda, muitos estão buscando no empreendedorismo o alento para circunstâncias tão adversas. Uma das opções, tida como uma das mais práticas tem sido a venda direta através do marketing de rede

Em tempos de instabilidade econômica com altas taxas de desemprego e a constante necessidade de complementação da renda, muitos estão buscando no empreendedorismo o alento para circunstâncias tão adversas. Uma das opções, tida como uma das mais práticas tem sido a venda direta através do marketing de rede. 

Tornar-se um revendedor autônomo de uma marca ou grande rede varejista com baixo custo de iniciação e altíssima rentabilidade sem dúvida enche aos olhos, sobre tudo dos incautos. Nestes últimos 5 anos certamente alguém, em algum lugar já te convidou para participar de uma rede de negócios, uma equipe de vencedores, uma rede de vendas, ou como tecnicamente é entendido – um modelo comercial denominado Marketing Multinível. O grande problema é quando a possível saída se torna uma grande enrascada. Isso invariavelmente ocorre quando o entrante não tem a percepção de que o negócio do qual ele fará parte, é um empreendimento e deve, em tudo, ser visto como tal. 

Primeiramente é imprescindível compreender que o Marketing Multinível é uma das diversas estratégias de Marketing e Vendas existentes, nela a empresa detentora do Produto/Serviço aumenta exponencialmente seu potencial de vendas e visibilidade de marca através de uma das melhores formas de marketing que é a “propaganda boca-a-boca”. No Marketing Multinível quem apresenta o Produto/Serviço é alguém que geralmente faz parte de seu círculo de convivência, ou seja, alguém que você conhece e por isso te passa certa confiança. Geralmente essa pessoa não é um mero vendedor, umas das características desta estratégia é o fato de que o participante da rede adquire os bens fornecidos pela empresa detentora a fim de revendê-los tendo uma margem de ganho. Ou seja, ao entrar no negócio você passa da condição de simples consumidor da marca para revendedor, assumindo assim toda a responsabilidade de gerir o seu novo negócio.

Como todo negócio no mundo há riscos envolvidos e o primeiro deles está relacionado ao que as ciências econômicas nos ensinam – Geralmente, quanto maior o risco, maior a rentabilidade, pois isso torna o negócio mais atrativo ao investidor, dando a ele maior retorno considerando os níveis dos riscos envolvidos. Dado isto, entendemos que se existe uma promessa de alta rentabilidade, certamente, também existe um alto risco envolvido no negócio. Aqui deixarei alguns pontos que podem ser observados, sempre, antes de qualquer tomada de decisão relacionada a fazer, ou não, parte de um empreendimento.Por se tratar de um modelo de Marketing tomaremos por premissas conceitos inerentes a este ramo do conhecimento e para simplificar utilizaremos apenas as ferramentas de análise dos 4 P’s de Marketing, a saber: o Preço, a Praça, o Produto e a Promoção.

  •   O Preço – Antes de encarar qualquer nova empreitada é crucial avaliar se o preço proposto está de acordo com o que é praticado pelo mercado; se o mercado consumidor está disposto a pagar pelo que será ofertado e se este preço atende à expectativa do público alvo do negócio. Ter um preço muito maior do que o mercado consumidor esta disposto a pagar pode representar uma baixa absorção do bem ofertado, e com isso baixíssimas margens de vendas. Já o contrário, operar com preços muito abaixo, pode não coincidir com as expectativas atreladas à marca, além de desvalorizar a oferta.
  • A Praça ou Ponto de Distribuição – Nada mais é do que o local e o meio por onde o Produto/Serviço será distribuído, ou seja, o caminho por ele percorrido até encontrar o consumidor. No caso do revendedor é importantíssimo entender como o negócio funciona, quais são os trâmites, as operações envolvidas e se todo este percurso atende as expectativas de tempo de espera do consumidor. Esta avaliação deve identificar se o Produto/Serviço ofertado é acessível ao público alvo do negócio e se esta acessibilidade é de fato o que este público espera de tal oferta.
  • O Produto/Serviço – Este, no meu entendimento, é o ponto chave para um item que citarei logo mais adiante, importantíssimo para que o caso não termine numa delegacia ou fórum criminal. É este fator quem irá identificar se o empreendimento é de fato um modelo de negócio baseado em uma estratégia de Marketing ou um Crime Contra a Economia Popular (terminologia utilizada pela legislação brasileira para tipificar a prática de Pirâmide Financeira). O Produto/Serviço deve ser considerado em todos os aspectos possíveis, todavia, primordialmente atendendo minimamente aos seguintes questionamentos: o Produto/Serviço é vendável, ou seja, é possível vendê-lo ao público proposto, existe demanda para isso? Ele é de caráter essencial ou supérfluo, atende a desejos ou a necessidades do consumidor? O consumidor sente-se atraído a adquiri-lo, por quê? Existem similares sendo ofertados a este mesmo público, quantos? Após a primeira compra qual a probabilidade do consumidor voltar a adquirir o Produto/Serviço? Estes questionamentos devem ser levantados e plenamente respondidos antes de qualquer decisão sobre o negócio. Entender a dinâmica entre oferta e demanda do mercado alvo é pedra angular para a construção de qualquer relação comercial.
  • A Promoção – Este certamente será o item mais fácil a ser avaliado, pois, a promoção é a resposta de como o bem está sendo promovido. Como se trata de uma rede de Marketing Multinível com venda direta, fica claro que esse é o meio que a empresa utiliza para fazer-se conhecida pelo consumidor. Entretanto, é importante avaliar se a empresa utiliza apenas este mecanismo de marketing, se o apelo está focado no Produto/Serviço ou apenas na captação de novos revendedores e fundamentalmente se a empresa cumpre o que é proposto em seu trabalho de divulgação.

Além destes, outros pontos devem ser avalizados, como por exemplo: qual o histórico da empresa, o quanto ela é conhecida, quais mercados ela atua e principalmente se a fonte de renda da empresa é dada através da comercialização do Produto/Serviço ou é dada essencialmente através da captação de novos revendedores. Como citado anteriormente o que difere o Marketing Multinível da Pirâmide Financeira, que se trata atualmente de uma prática ilícita perante a legislação brasileira, é a presença de um bem, podendo ser um produto e/ou serviço, e que a renda da empresa seja majoritariamente através da negociação destes ativos.

O entrante deve sempre lembrar que a promessa de ganhos rápidos, grandes e multiformes benefícios através de bônus e altas taxas de rentabilidade são parte de uma estratégia de atração para o negócio. Todo empreendimento ainda continua requerendo trabalho duro, resiliência e honestidade para prosperar. Tudo não passa de um empreendimento, neste caso um modelo comercial visto como modelo de negócio, que como qualquer outro pode ou não dar certo e ainda necessita ser analisado e compreendido como tal. A melhor forma de escolher qual a proposta mais aprazível, ou para fugir de uma Pirâmide Financeira é manter-se cético até que provas contundentes sejam apresentadas e a elas sejam apensadas grandes partículas de realidade.

O que deve ficar claro é que o Marketing Multinível não tem o seu foco em buscar vendedores, o cerne da questão está justamente em tornar o entrante em um empreendedor. Para uma melhor visão das variáveis que um empreendedor deve considerar, recomendo a leitura de mais um artigo: A Receita de Bolo que todo Empreendedor Deveria Ter


Fonte: Artigos Administradores / Marketing Multinível, o êxodo da crise?

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