Material de construção e seu impacto

Material de construção e seu impacto

O impacto ambiental do material de construção é muito alto. É preciso usá-lo mais eficientemente

O setor da construção está diminuindo seu ritmo de atividades, acompanhando o restante do país. No entanto, entre 2000 e 2012 assistimos a uma explosão na construção de prédios de apartamento e casas, como nunca ocorreu antes. Entre 2000 e 2010, por exemplo, foram construídas 10,8 milhões de casas e 1,9 milhões de apartamentos e estima-se que no período entre 2000 e 2012 ergueram-se cerca de 15 milhões de imóveis. O avanço do Brasil no setor da construção civil direcionado à edificação de residências, é comparável ao que vem ocorrendo na China e aos Estados Unidos na década de 1950.

Para erguer esta grande quantidade de residências é preciso um imenso aporte de material e de mão de obra. Segundo dados oficiais, entre 2000 e 2012 foram usados: 36,6 milhões de toneladas (mio t) de aço; 447,6 mio t de cimento; 1,2 bilhão de metros cúbicos (m³) de areia; 828,3 mio m³ de brita; e 4,6 bilhões de litros de tinta. Com este volume de material, segundo o próprio autor do estudo, poderíamos utilizar o aço para construir 5.017 torres Eiffel; com o cimento seria possível erguer 69 pirâmides de Gizé e a tinta encheria o equivalente a 1.850 piscinas olímpicas.

Fato triste em relação à mão de obra é que no período entre 2006 e 2012, segundo estudo do Ministério da Previdência Social, houve um aumento de 29,6% no número de trabalhadores registrados permanentemente incapacitados (768 em 2006 e 1448 em 2012); e de 17,2% nos casos de óbitos (284 em 2006 e 450 em 2012). O número é bastante significativo, já que apenas 40% dos trabalhadores da construção civil têm carteira profissional assinada e somente uma parte dos acidentes de trabalho são comunicados.  

Outro aspecto a considerar é que em média 30% do material de construção utilizado nas obras é perdido. Transporte, armazenagem e manuseio incorretos; imperícia dos profissionais, mau gerenciamento do canteiro de obras; fazem com que uma parte significativa do material seja perdido, estragado ou quebrado. Isto causa, evidentemente, um aumento no custo da obra, que ao final é incorporado ao preço do imóvel.

Sob o ponto de vista ambiental, este material de construção que é jogado fora não desaparece. Deixa de ser disponível para o engenheiro ou para o pedreiro, mas torna-se um peso para o meio ambiente urbano. Quando não reutilizado corretamente no próprio canteiro de obras, os restos de massa de cimento, concreto, ferro, madeiras, latas de tinta, telhas e tijolos quebrados, transformam-se em mais um elemento poluidor de nossas cidades. É comum ver terrenos desocupados ou até ruas sem saída ou com pouco movimento, transformarem-se em local de descarga destes materiais.

Opções para evitar este tipo de problema existem. Diversas associações ligadas ao setor de construção já editaram cartilhas de fácil compreensão, mostrando como este material pode ser reutilizado e reciclado. Grandes construtoras já implantaram sistemas de gestão de obras, para reduzir as perdas de material. O material restante, o resíduo da construção civil (RCC), deve ser descartado em aterros próprios, disponíveis na maior parte das cidades, construídos pelas prefeituras.

Administrações municipais que ainda não construíram aterros para RCC serão solicitadas a fazê-lo, de acordo com a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos.


Fonte: Artigos Administradores / Material de construção e seu impacto

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