Medianos e suas médias

Medianos e suas médias

O mundo corporativo está inserido na sociedade e, portanto é composto pela mesma diversidade de pessoas. Nessa diversidade, encontramos pessoas comprometidas, disciplinadas, talentosas, mas também pessoas que usam de bons argumentos e da capacidade de relacionamento interpessoal para aparentarem estar comprometidas com algo, sem realmente estarem. Constantino, sendo uma pessoa que acredita no ser humano até que se prove o contrário, depositou sua confiança por um tempo maior que o devido em alguns colaboradores que se diziam comprometidos, mas que os resultados apresentados não passavam de mediano ou abaixo

O mundo corporativo está inserido na sociedade e, portanto é composto pela mesma diversidade de pessoas. Nessa diversidade, encontramos pessoas comprometidas, disciplinadas, talentosas, mas também pessoas que usam de bons argumentos e da capacidade de relacionamento interpessoal para aparentarem estar comprometidas com algo, sem realmente estarem. Constantino, sendo uma pessoa que acredita no ser humano até que se prove o contrário, depositou sua confiança por um tempo maior que o devido em alguns colaboradores que se diziam comprometidos, mas que os resultados apresentados não passavam de mediano ou abaixo.

Cansado de seus erros, e buscando o melhor caminho e uma consciência tranquila para exercer a liderança de seu time, Constantino procruou o Confessionário Corporativo. Ao chegar, apresentou seus resultados:

Priest Corporativo: Constantino, vejo aqui meu filho, que os seus resultados ao longo do tempo não evoluem. Como gestor, é esperado que você seja capaz de alavancar os resultados de sua equipe. Você fez um exame de consciência, pode dizer-me o que está acontecendo?

Constantino: Sim, não é fácil para mim. Por algum tempo eu deixei de ter a firmeza necessária com alguns colaboradores que eram bem relacionadas na equipe e que sempre que conversávamos verbalizavam comprometimento e argumentavam algumas dificuldades de forma convincente. A verdade é que acompanhando o dia a dia estava claro para mim que a maior dificuldade era a falta de comprometimento. Por comodismo, também para não desagradar, eu optava no dia a dia por não incomodá-los, e para fugir de uma conversa mais difícil, nos feedbacks eu seguia uma linha mais motivacional. Eu acreditava que com o tempo esses colaboradores amadureceriam, se desenvolveriam e melhorariam seus desempenhos naturalmente. Como o senhor mesmo citou, tendo em vista os resultados apresentados pela equipe, isso não aconteceu.

Priest Corporativo: Constantino, você está me dizendo que está sendo condizente com comportamentos prejudiciais ao resultado, deixando a equipe quase que num piloto automático?

Constantino: Não, pelo menos não completamente. Em relação aos que cumprem seu trabalho de forma exemplar, eu tenho feito o que devo fazer: desenvolver, reter, reconhecer e promover. Os que têm se saído muito mal ou geraram conflitos, eu também tenho pontuado de forma contínua, conseguindo recuperar e alavancar os resultados da maioria. Minha sequência de erros tem se limitado aos que citei anteriormente: colaboradores com bom relacionamento comigo, com equipe e que verbalizam comprometimento nas conversas, mas que não se entregam integralmente no dia a dia, contribuindo por consequência com um resultado no máximo mediano ou até abaixo.

Priest Corporativo: Filho, essa falta de franqueza, embora comum, é extremamente prejudicial aos resultados de qualquer equipe. Tendo em vista o resultado e o que você me contou, você já aprendeu algo com tudo isso?

Constantino: Sim, e já comecei a colocar em prática. Aprendi que uma parte dos colaboradores que apresentam contribuições medianas podem ser mais prejudiciais ao resultado de uma equipe do que aqueles com as piores contribuições. Normalmente, eles falam o que queremos ouvir, possuem ótimo interpessoal e tornam-se capazes de influenciar a todos. Suas contribuições medianas, com o passar do tempo, tornam-se parâmetro de uma “zona de conforto” onde não existem ameaças. 
E assim, aquele espirito de superação, dedicação e comprometimento integral necessário a uma equipe de alta performance, simplesmente fica apenas no discurso.

Após esse aprendizado, eu tenho realizado conversas mais transparentes, embasadas nos resultados e comportamentos que de fato estão sendo apresentados. Com a certeza de que esses são indicadores justos, a preocupação exagerada em agradar, ficou lá atrás. Hoje, tenho claro para mim que se eu não agir nessa “zona de conforto” da minha equipe, posso promover todos aqueles que se destacarem, posso também resgatar ou demitir todos aqueles que apresentaram os piores resultados, que não conseguirei construir uma equipe de alta performance.

Priest Corporativo: Excelente Constantino. A confiança nas pessoas que compõe uma equipe não pode estar acima da entrega de resultados apresentados por elas no decorrer do tempo. Em relação ao seu erro, no mundo corporativo a maior penitencia é a mudança de comportamento, pois ela não é fácil, exige disciplina e muita força de vontade. Perder o emprego, o bônus, a boa avaliação é apenas uma consequência dos nossos erros e da incapacidade de cumprirmos nossa penitencia. Que a sabedoria lhe acompanhe sempre.


Fonte: Artigos Administradores / Medianos e suas médias

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