Medo da mudança: quantas empresas e profissionais irão desaparecer?

Medo da mudança: quantas empresas e profissionais irão desaparecer?

Não é possível precisar a quantidade, mas certamente se muitos resistirem em inovar, mudar e investir tempo e talento em novos projetos o número será estarrecedor

Quase que diariamente ao ler notícias sobre as mudanças e/ou inovações tecnológicas em portais e redes sociais me deparo com comentários de usuários do tipo ‘no Brasil isso irá demorar para ser realidade’, ‘talvez nem chegue a se concretizar’, ‘duvido que isso um dia aconteça realmente’. Ao ler opiniões desse tipo me lembro do caso Kodak em que “o feitiço se virou contra o feiticeiro”, e por que não citar os veículos de comunicação tradicionais, os taxistas e tantas outras empresas e profissões que pagam ou pagaram pra ver?

Para quem não sabe, foi a ex gigante norte-americana do mundo da fotografia que criou a primeira câmera fotográfica digital, porém com medo de investir no novo ou em algo que pudesse colocar em cheque o seu principal filão, os filmes fotográficos, ano após ano foram deixando prá lá a ideia de investir no novo produto e o final acho que todo mundo sabe, né? A empresa abriu concordata em janeiro de 2012, após ser engolida por sua própria invenção que outros fabricantes muito brilhantemente melhoraram, foram inovando a cada dia e fazem o sucesso que todos conferimos há algum tempo.

O modelo de negócios da empresa era bem consolidado, primeiro vieram os filmes, depois os produtos químicos para desenvolver as revelações e, por fim, o papel fotográfico para imprimir as fotos dos filmes. Tal consolidação contribuiu para o medo de mudança e para a estagnação. Sem fazer menção a todos os detalhes que levaram a empresa a pedir concordata como a exagerada nostalgia, a centralização na matriz, entre outros, há uma clara demonstração de que abandonar novos projetos com rapidez e o medo de investir em inovação foram primordiais para o fracasso.

No entanto, parece que tal exemplo de derrota no mundo corporativo, tão abordado em cursos de MBAs, não foi suficiente para abrir os olhos e as mentes de tantas corporações como as de táxi que preferem lutar pela proibição de um aplicativo concorrente, em vez de aplicar a inovação; os veículos de comunicação que resistem em mudar seu modelo de negócio; profissionais que demoram para se modernizarem e pessoas que não veem necessidade de manterem seu networking ativo forte e sustentável…

Quanto a estas duas últimas citações, por exemplo, em uma entrevista concedida por Brendan Browne, diretor global de aquisição de talentos do LinkedIn, um dos leitores comentou que o Brasil está muito longe de utilizar a rede social como os Estados Unidos, o que de certa forma não deixa de ser verdade, mas certamente não com a grande lacuna que o usuário enfatizou. Aliás, tal distância vem sendo cada vez mais encurtada, a pesquisa “New Norms Work” que ouviu 15 mil pessoas de 19 países, divulgada no rodapé da mesma entrevista, traz dados como “31,3% dos brasileiros disseram que não contratariam alguém que não tivesse perfil no LinkedIn. Quando a média dos demais países é de 11,9%”.

Mesmo diante destes dados, quantas pessoas conhecemos que atuam no mercado corporativo e não tem perfil na rede? Quantos têm o perfil mal preenchido? Quantos levam meses para acessar, afinal não estão procurando emprego? E aí de uma hora para a outra a pessoa se vê desempregada, sem uma marca pessoal consistente perante a sua rede, sem nem ao menos trocar ideias e conteúdos com conhecidos há tempos.

Um fato é certo, pode até ser que este profissional venha a se recolocar (quem sabe o recrutador não esteja entre os 70% que ainda não exigem ter o perfil na rede), mas com certeza irá demorar mais. Já daqui a alguns anos eles poderão vir a se tornar profissionais Kodak, fadados ao fracasso e predestinados a deixarem de existir ao menos para o mundo corporativo.

Quantas empresas desaparecerão? Quantos profissionais irão ‘sumir’?

Isso posto, o que percebemos é que é cada vez mais necessário que as empresas precisam perder o medo de mudar, investir em inovações e ter paciência para maturação de novos projetos. Já o que se refere aos profissionais, não deixa de ser tão diferente assim, também é preciso desprender-se do medo de mudar, é necessário manter-se sempre atualizado e atentar-se para as inovações, sem se esquecer das relações humanas que por mais que redes sociais existam e precisem serem ativas, o bom e velho networking olho no olho não sairá de moda nunca e fará uma tremenda diferença sempre.


Fonte: Artigos Administradores / Medo da mudança: quantas empresas e profissionais irão desaparecer?

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