Menos de 20% dos brasileiros pensam em investir em pessoas e recursos, mostra pesquisa

Menos de 20% dos brasileiros pensam em investir em pessoas e recursos, mostra pesquisa

67,5% dos entrevistados disseram entender que o momento é de redução de custos e despesas e 2,5% acham que é hora de aguardar sem fazer nenhum tipo de mudança

Uma crise econômica e política é novidade para os empreendedores mais novos, mas aqueles com mais tempo de caminhada já precisaram ter “jogo de cintura” para enfrentar situação semelhante em anos anteriores. Para entender o que os empresários brasileiros pensam e de que forma estão se comportando agora, a Vecchi Ancona – Inteligência Estratégica elaborou a pesquisa “Como enfrentar o momento atual”.

De acordo com Paulo Ancona Lopez, sócio-diretor da consultoria, o estudo foi baseado em cinco pilares: inovação, foco no cliente, conhecimento compartilhado, liderança e reconhecimento. “A pesquisa nos deu uma visão mais clara de como o mercado está reagindo ao novo cenário nacional, apontando como as empresas enxergam esses pilares na tomada de decisão”, explica.

Para situar e classificar os respondentes, 44% dos entrevistados classificaram a cultura da empresa onde trabalham como empreendedora; 20% disseram ser inovadora; 18% conservadora; 13% se entendem como centralizadora e 5% como controladora.

A primeira questão feita aos entrevistados visava entender exatamente o que deve ser feito em um momento como o que estamos enfrentando. 2,5% dos entrevistados entendem que essa não é hora para fazer mudanças, mas sim para aguardar; 19% dos empreendedores acham que é momento de investir em pessoas e recursos; 29% entendem que precisam direcionar seus negócios; 43% acham que devem investir em nichos de mercado ou produtos; 56% acreditam que é hora de otimizar processos e 67,5% falam em reduzir custos e despesas.

Para superar o atual momento vivido pela nossa economia, 85% responderam que apostam em um aumento na profissionalização; 22% disseram que o caminho é buscar associações com outras empresas; 12% entendem que é importante mudar o foco do negócio; 10% acham que a saída é vender total ou parcialmente o negócio e 5% acham que o momento é de comprar concorrentes.

Por falar em concorrentes, para ter conhecimento a respeito do que essas empresas estão fazendo, 64% disseram buscar informações na internet e em campo; 28% pesquisam o mercado com metodologia definida; 18% afirmaram possuir equipe própria para analisar o mercado; 15% contaram ter um banco de dados próprio e 11% contratam terceiros para pesquisar.

O compartilhamento de conhecimento dentro da própria empresa é feito, em 70% dos casos, por meio de reuniões periódicas; em 55% das vezes de maneira informal; em 26% das vezes por meio de sistemas integrados de TI; em 25% das vezes via intranet e em 7% das vezes por mídias sociais.

Quando questionados quanto à forma como a inovação é representada dentro da empresa, 73% disseram criar condições práticas para a inovação; 33% afirmaram contar com perfis variados de profissionais nas equipes; 16% sabem que o processo de inovação pode gerar despesas e investimentos; 15% disseram fazer seleção de colaboradores com perfis voltados ao perfil inovador e 10% acreditam que a inovação vem “de baixo para cima”.

Para promover um processo de inovação, 73% devem abrir a cultura da empresa para novos caminhos; 33% devem contar com especialistas externos; 20% disseram que esse processo pode demorar mais do que seis meses; 13% afirmaram que as ideias devem partir da diretoria e 10% entendem que devem contar somente com a equipe interna para essas atividades.

A pesquisa também questionou os respondentes quanto o que significam “criatividade e empreendedorismo” para as suas empresas. 72% entendem que é ter liberdade para agir, criar e até errar; 24% disseram ter um programa de capacitação ligado ao tema; 20% afirmaram ter programas de sugestões; 15% informaram ter um processo de seleção focado no tema e 8% dizem que está ligado a incentivo financeiro.

Então, também foi questionado quanto ao que é feito pelas empresas dos entrevistados para desenvolver talentos. O resultado foi interessante: 43% afirmaram criar oportunidades para os mais talentosos; 41% disseram dar espaço e chance de erro aos colaboradores; 35% apontaram que contam com critérios para avaliar e reconhecer um talento; 30% mantêm um programa de desenvolvimento interno e 11% apoiam e financiam programas externos.

Em seguida, os entrevistados foram convidados a conceituar o que são líderes para suas companhias. Para 70% dos respondentes, são colaboradores que possuem capacidade e autoridade para definir e entregar resultados; 37% disseram ser colaboradores responsáveis por ações; 29% classificaram como pessoas de confiança; 23% disseram ser colaboradores com alto potencial e 10% qualificaram como chefias com certa autoridade.

Quando questionados sobre o conceito de “parceria” dentro de suas empresas, 51% dos entrevistados disseram que parceria significa ter fornecedores fiéis e bem negociados; 46% afirmaram ter a cultura para fazer acordos e mudar as estratégias; 45% entendem que parceria significa que ser ético com fornecedores e 34% indicaram que parceria significa ter capacidade de se unir comercialmente a outras empresas.

Agora, quando o assunto se torna o “foco no cliente”, 71% afirmaram ouvi-los de forma sistêmica; 40% disseram ter processos desenhados com esse objetivo e ter treinamentos específicos para tal; 27,5% afirmaram que o foco no cliente é um lema da empresa e 25% disseram ter indicadores comerciais de acompanhamento das requisições dos clientes.

Convidados a avaliar o futuro, 64% dos entrevistados apontaram que esperam que o mercado e a economia irão exigir mudanças inovadoras por parte do empresariado; 34% acham que tudo permanecerá como está por mais um ou dois anos; 33% dizem achar que o mercado e a economia vão exigir modernização por parte das empresas; 20% entendem que os cenários devem piorar nos próximos dois anos e 17% acham que tudo vai melhorar nos próximos dois anos.

“Em uma análise macro, pudemos sentir que apesar da maioria das empresas entenderem que devem tomar medidas efetivas para enfrentar o momento econômico brasileiro, estão sendo bastante conservadores, e de certa forma, mantenedoras das condições e modelos de gestão atuais”, avalia Ana Vecchi, sócia-diretora da consultoria.

Paulo Ancona Lopez completa: “Nossa expectativa era de que as empresas se posicionassem de forma mais efetiva e ousada no enfrentamento da crise até para que, passado esse momento, elas estivessem mais preparadas para um novo mercado e um novo posicionamento perante o mercado e concorrentes”, finaliza.


Fonte: Notícias Administradores / Menos de 20% dos brasileiros pensam em investir em pessoas e recursos, mostra pesquisa

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