Mente sã, mente produtiva

Mente sã, mente produtiva

Como gerenciar o embate entre o emocional e a produtividade.

Já vai longe a noção de que o trabalhador, como pregava a doutrina taylorista, era apenas uma parte da máquina, apenas uma engrenagem do todo.

Quem nunca ouviu a célebre frase: “A empresa não quer saber de seus problemas pessoais”? Como se fora possível a um ser humano alternar, em seu cérebro, uma espécie de “chave de controle” nas posições “pessoal/profissional”?

Creio ser este um tema circundado de certa polêmica: Por um lado, gerentes e patrões, com a filosofia de que os interesses da empresa estão acima de tudo e que o “caldeirão da competitividade nunca para de ferver”. Por outro, representantes de trabalhadores e ideologistas a crucificar o que chamam “lógica capitalista”, “ditadura do lucro”, ou outras expressões afins.

Fato é que, creio, que como em todos os setores da vida, não há monopólio da razão. Visto pelo signo gerencial, as empresas realmente necessitam de funcionários focados e que possam – pelo menos durante o exercício de suas atividades – colocar em segundo plano seus assuntos pessoais. Afinal, determinação, foco, motivação, “entrega”, são componentes fundamentais da produtividade e ingredientes imprescindíveis ao tal “caldeirão da competitividade”. Por outro lado, fundamental é a noção que o “privilégio” de possuir um emprego, nem sempre é condição suficiente para que a motivação seja plena.

Trata-se de mais, muito mais do que isso. Não conheço trabalhadores atormentados por graves problemas de ordem pessoal que possam ser classificados como produtivos, por mais que gostem – e precisem – de seus empregos. Em meu conceito, a ideia de que a concentração e o foco em atividades profissionais devem sobrepor-se aos assuntos de ordem pessoal é válida quando subjugada por um limite estabelecido pela noção da condição humana, e, principalmente, observado e respeitado pela figura do gerente.

A figura do gerente é importante, e pode ser preponderante nesse processo. Não há dúvida de que liderar é uma arte, mas não se trata de um talento inato, como alguns já disseram no passado. Há muito foi desmistificada a ideia de “líderes já nascem prontos”, que “o verdadeiro gerente já nasce gerente”. Hoje há diversas escolas de gestão em que, a psicologia do trabalho, a sociologia e outras ciências correlatas, são estudadas à exaustão, no sentido de ser o contraponto do conjunto de informações técnicas, e procurar ajudar a tornar, novamente, em ser humano, o que foi transformado em “máquina de resultado”.

Muitos dos problemas de ordem pessoal que afetam a produtividade das pessoas têm sua origem na própria atividade por elas exercidas. Divergências e/ou incompatibilidades com superiores, colegas de profissão, ambientes de trabalho e, até mesmo, com as atividades realizadas têm gerado doenças como, ansiedade e depressão e são, em grande número, os vilões de carreiras que poderiam ter tomado melhores rumos e trazido mais retorno e satisfação. Muitos trabalhadores sofrem em silêncio, por terem suas aspirações profissionais massacradas por um ou mais dos itens citados, e muitos, por razões diversas, não conseguem externá-lo. Sofrem também por saberem sua produtividade reduzida em virtude de tais fatos e o mal causado à sua reputação profissional.

Claro que gerentes não são psicólogos, e não é a eles que cabe resolver os problemas de ordem pessoal dos funcionários. Entretanto, já vi estados de espírito e níveis de produtividade se elevarem de forma inacreditável, apenas com atos gerenciais tomados na forma e hora correta, em relação a indivíduos ou grupos. Diversas carreiras, e, por que não dizer, integridades emocionais, já foram salvas pela sensibilidade e perspicácia de alguns gerentes em alterar situações onde a relação homem – ambiente – atividade tornou-se uma combinação nociva às partes e ao todo.

Essa sensibilidade, como dita anteriormente não é necessariamente inata ao líder. Ela pode – e deve – ser desenvolvida por gerentes que tenham em conta que um processo de “humanização da gestão” passa não apenas pelos conteúdo aprendido e assimilado, mas também pelo estreitamento das relações com seu grupo de trabalho, não apenas a aproximação protocolar, quase imposta como boa prática pela liturgia do cargo e pelas conceitos modernos de gestão, mas a aproximação regida pela condição humana, pelo interesse pelas pessoas, pelo papel do líder que se importa e zela pela sua força de trabalho – seu maior patrimônio – e pelo entendimento de que o fator humano é, e sempre será, preponderante na produção e no desenvolvimento.


Fonte: Artigos Administradores / Mente sã, mente produtiva

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