Moda desconstrói limites de gênero e realça transformações sociais

Moda desconstrói limites de gênero e realça transformações sociais

A moda sempre refletiu as mudanças comportamentais através dos séculos. Com seus códigos próprios, ela destaca a quebra de paradigmas criados pela questão de gênero e coloca em voga a liberdade de expressão frente a necessidade de pertencer as classificações feminino e masculino tradicionalmente estabelecidas no vestuário

Ao longo do tempo, personalidades famosas destacaram-se na moda com suas atitudes pouco convencionais. De Mick Jagger e David Bowie com sua androginia a Caetano Veloso de saias, o campo das artes permitiu essa transição sem grandes exigências ou explicações. No entanto, a linha tênue que separa os estilos masculino e feminino vem sendo cada vez mais apagada a medida em que as transformações sociais ofuscam a necessidade do individuo em encaixar-se nesses estereótipos. 

Simplificando gênero temos aquilo que distingue homens e mulheres. E é fato que os padrões sociais sobre esse prisma já não são mais os mesmos há algum tempo. Coco Chanel já havia revolucionado a moda feminina inspirando-se em peças masculinas para suas coleções e o cenário atual, por sua vez, apresenta homens mais flexíveis e preocupados com modelagens mais justas e adaptadas à suas formas. 

MUITOS NOMES, UM SIGNIFICADO

Este fenômeno que prega a igualdade de gêneros na moda tem ganhado força nos últimos cinco anos e a ele são atribuídos vários nomes; desde o mais conhecido unissex até os mais novos como gender-bender, mannish, genderless e plurissex. Grifes mundialmente famosas como Gucci, Prada e João Pimenta apresentaram desfiles destacando modelos andrógenos, roupas versáteis e principalmente a ideia da livre escolha no código de se vestir. 

No Brasil, ainda que sutilmente, há sinais desse caminho. A gigante C&A acaba de lançar uma campanha intitulada “Tudo lindo e misturado” apresentando homens e mulheres nus que escolhem roupas de forma aleatória, sem muita distinção. Há inclusive um homem provando um vestido, o sinal claro de que o genderless é um dos objetivos da campanha. Outras personalidades também ganharam destaque recente nesse contexto. O ator Jaden Smith, filho do ator Will Smith, é conhecido no mundo Fashion e estrelou campanha da Louis Vuitton vestindo saias. O modelo andrógino Andrej Pejic é destaque no cenário da moda mundial e a transexual brasileira Lea T também protagonizou campanha da Givenchy mostrando que as Grifes querem se apegar cada vez menos ao estereótipo de gênero.

A Pantone, empresa norte americana reconhecida em todo o mundo pelo seu sistema numérico de cores (escala pantone) elege anualmente, desde 2000, a cor que será referência para profissionais. Neste ano elegeu duas cores; rosa Quartz e Serenity. Umas das justificativas é que a mistura de cores essencialmente classificadas pelo feminino e masculino vem para propor a igualdade de gêneros e prega o fim de estereótipos. 

O debate sobre gêneros foi trazido para o mercado de trabalho, para as escolas e para a família. O caminho natural é que a discussão se estenda e reflita também na economia e no consumo. “A cultura de consumo contemporânea, por exemplo, tem colocado em choque as relações tradicionais de gênero e classe social”, diz Jackson Araújo, consultor de tendências, no site FFW (Fashion Forward) , que publicou no ano passado um artigo interessante sobre o assunto.

É O FIM DO MASCULINO E DO FEMININO? 

De acordo com essa tendência, estariam o masculino e o feminino abolidos da moda e a igualdade seria a solução? É fato que a busca pela igualdade entre homens e mulheres no âmbito social é antiga, mas sacramentar as coisas dessa forma também soa radical. 

Biotipos femininos e masculinos são diferentes, assim como a modelagem e o caimento para determinadas peças. Pode-se considerar então, que a ruptura de paradigmas é necessária para que novas coleções mais versáteis sejam criadas, ressaltando a individualidade de ambos, sem o apelo do que é chamado de politicamente correto.

A Beira, marca da estilista brasileira Livia Campos, intitula-se como plurissex já que cria modelagens iguais para homens e mulheres. Para a estilista, o que importa são as formas e o toque, disse a estilista em entrevista para O Globo. O próprio nome da coleção remete ao limite estabelecido entre os gêneros e uma coleção genuinamente brasileira com essa proposta é mais um fator que reforça a tendência mundial.

O Ziroblog, especializado exclusivamente em moda no atacado, publicou um post sobre a tendência Mannish onde a inspiração para os looks vem do guarda roupa masculino. As mulheres passeiam por essa tendência há algum tempo utilizando modelos essencialmente masculinos. Não será surpresa se as marcas brasileiras passarem a incluir em suas coleções peças nesse estilo com mais regularidade.

Homens e mulheres são diferentes em sua essência e a igualdade que se busca é justamente a da desconstrução do padrão estabelecido para criação de um novo, livre de certo e errado. 

Roupas são formadas de tecidos, texturas e cores e nenhum desses elementos possui gênero. A associação para determinado gênero provém das convenções sociais e aderir a pluralidade trará mais dinamismo à moda em uma sociedade cada vez mais globalizada. 


Fonte: Artigos Administradores / Moda desconstrói limites de gênero e realça transformações sociais

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