Não perca mais tempo, corra para a corrida

Não perca mais tempo, corra para a corrida

Aquela primeira meia maratona foi de um aprendizado enorme para mim, pois foi a partir dali que comecei a buscar mais informações sobre a dinâmica das corridas

Só mais um poste… O problema é que faltavam aproximadamente 80 postes para que eu pudesse concluir a meia maratona. Para ser mais exato, quatro longos e dolorosos quilômetros.

Minhas pernas já estavam pesando uma tonelada cada. Na verdade, eu não tinha mais controle sobre elas e o meu maior medo, naquele momento, era tropeçar em alguma formiga ou em um grão de areia e cair no chão sem qualquer chance de me defender, pois eu simplesmente não conseguiria me proteger da queda, tamanha era a minha exaustão.

Comecei bem a corrida, mas, por inexperiência, forcei demais o ritmo no início, na tentativa de fazer um bom tempo, e acabei pagando um alto preço por isso: quebrei (“quebrar” é estar correndo num ritmo e ser forçado a reduzir a velocidade por exaustão ou fadiga muscular) no décimo sétimo quilômetro.

Eu havia feito uma boa preparação para essa prova, que era a minha estreia em meias maratonas, até que, na semana anterior à prova, senti uma dor forte no joelho esquerdo. Consultei um ortopedista que diagnosticou um problema no menisco (que é uma espécie de amortecedor que fica entre os dois ossos do joelho, tíbia e fêmur), indicando uma artroscopia, caso eu quisesse continuar correndo. Ao contrário das cirurgias abertas, em que o médico precisa fazer um corte maior, a artroscopia geralmente é menos dolorosa e permite um tempo de recuperação mais rápido.

Mas, mesmo com uma recuperação mais rápida, eu não estaria bem em apenas uma semana e perguntei ao médico se eu poderia correr assim mesmo. Ele disse que não aconselhava, mas, seu eu realmente quisesse, deveria tomar um anti-inflamatório para não sentir muitas dores. Foi o que fiz, apesar de não gostar de tomar remédios, pois estava muito determinado a participar daquela prova.

Histórias com esta são muito comuns entre corredores iniciantes. Muitas pessoas (assim como eu fiz) acabam ultrapassando seus limites e o corpo é que paga o preço. Fiquei um mês de molho sem poder correr após aquela prova.

Pior ainda, fiquei alguns anos afastado das meias maratonas, tendo em vista que acabava sentindo dores no joelho sempre que aumentava o volume dos meus treinos, pois optei por não operá-lo. Após muita pesquisa sobre o assunto, me empenhei em fortalecê-los através da prática da musculação, mas não obtive o êxito desejado, que atribuo, principalmente, à minha própria falta de aplicação e interesse nesse tipo de atividade física. Eu simplesmente não gosto de “puxar ferro”.

Eu já estava quase me conformando em participar somente de provas de 10 km, quando me sugeriram tentar o Pilates. Foi a minha salvação!

No início, virei motivo de chacota na roda de amigos desinformados, que se divertiam as minhas custas com piadinhas machistas de que isso era coisa de menininha. “Você fica brincando com aquela bola? Risos…”. Mas sempre levei na esportiva e depois de algum tempo, para dar mais munição à brincadeira, não falava mais em Pilates, mas sim, que estava fazendo balé!

Atualmente, muitos desses amigos que me ridicularizaram naquela época, estão fazendo Pilates também, pois perceberam o quanto essa atividade física faz bem à saúde.

E a minha recuperação foi rápida. Após seis meses de treino, completei a minha segunda meia maratona, e, desta vez, chegando “inteiro”, sem dores e sem nenhuma lesão. De lá pra cá, já foram mais de 20 meias e uma prova de 30 km num período de quatro anos, sem nunca mais me lesionar.

Mas aquela primeira meia maratona foi de um aprendizado enorme para mim, pois foi a partir dali que comecei a buscar mais informações sobre a dinâmica das corridas. Comecei a entender que nosso corpo leva algum tempo para se adaptar às mudanças, mas que é uma máquina fantástica, e que só precisa de um pouco de “carinho” e paciência para nos brindar com toda a sua potência e plenitude.

E também que a partir de um determinado tempo, nosso corpo também passa a gostar e a aproveitar as sensações que a corrida nos proporciona, antes, durante e, principalmente, muito, muito tempo depois de a corrida terminar…

Ou seja, salvo se você tiver um grave problema motor ou de saúde, não existe impedimento algum para que você ou que qualquer pessoa possam desfrutar dos benefícios desse esporte. Portanto, corra, que ainda há tempo de começar!


Fonte: Artigos Administradores / Não perca mais tempo, corra para a corrida

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