Nem sempre o que parece é

Nem sempre o que parece é

Muito cuidado ao tomar ações ou mesmo formar opiniões baseadas em informações que nem sempre mostram a verdade. Nem tudo que parece é

Um dia eu vi o meu amor saindo com um rapaz

Que eu não conheci e aí, então, sofri demais

Dei meia-volta, fui pra casa, não voltei mais, vi que todo meu amor foi em vão,

Perdi a dona do meu coração, coração

 Mas, no dia seguinte, ela, então, telefonou

Tentando explicar aquilo que me magoou

Então me disse que queria meu perdão, que aquele rapaz era seu irmão

E só era dona do meu coração, coração.

Na canção Dona do Meu Coração, uma versão de Run For Your Life, dos Beatles, feita pelo  grupo Renato e Seus Blue Caps,  o rapaz viu a namorada saindo com outro e ficou aborrecido. Foi para casa e se desmanchou em desespero, com a certeza que havia perdido seu amor. Provavelmente, não dormiu a noite, pensando como seria sua vida dali em diante e, possivelmente, bolando um plano de vingança.  Entretanto, no dia seguinte, a namorada ligou, esclarecendo tudo,  informando que o tal rapaz era somente seu irmão. E ainda pediu perdão, mesmo não tendo feito nada de errado (típico do machismo dos anos 60).

 Essa história tola é uma pequeno exemplo de muitas atitudes precipitadas que tomamos quando não analisamos os fatos como um todo. Geralmente, agimos sem pensar, baseados apenas no superficial da questão. Na vida real, em caso como os mostrados na canção, é comum o sujeito puxar a arma para “defender a honra”.

 Em um tribunal, durante um julgamento formal, os advogados de defesa e de acusação expõem as evidências, provas, testemunhas e considerações para que um júri tome a decisão final em relação ao réu. Tudo é analisado e ponderado. Mesmo assim, ainda acontecem erros (nos EUA, muita gente já foi executada e inocentada depois de morta).

 Fora do ambiente jurídico, não acontece assim. É comum condenarmos apenas com informações superficiais. Essa condenação pode ficar do somente “falar mal” até ir ao extremo, em que ações radicais são tomadas, sem nenhuma evidência concreta.

 Por falta de uma visão mais ampla e justa, acusamos, julgamos e condenamos pessoas, grupos, classes e até raças de uma forma totalmente injusta, sem conhecer os pormenores dos fatos.  Pode parecer exagerado, mas situações desta natureza acontecem em nossas vidas de uma forma assustadora e sequer percebemos. A vítima pode ser um colega, um vizinho, um parente, o conhecido da prima do marido da tia que mora no interior ou mesmo uma celebridade.  Só de ouvirmos falar, já abrimos nosso tribunal mental.  O Juiz é representado pelas nossas convicções, o júri é composto por nossas certezas e o advogado de acusação é personificação de nossa inconsciência. E o réu que se vire.

 A dica deste texto é:  se você é daqueles que defende  a justiça em qualquer  situação, aprenda a ser justo também. E nem sempre somos,  justamente pela falta de bom senso e critério. Quando um fato lhe for apresentado, procure não tomar partido de A ou B (se for esse o caso). Não tome decisões ou atitudes sem conhecer os dois lados da moeda. Não se precipite em julgar o que você não conhece. Ter opinião é uma coisa. Acusar e condenar sem conhecer os detalhes,  é bem diferente.  Muita gente  lamenta das circunstâncias em que “atiraram antes e perguntaram depois”.  Não caia nesta armadilha.

 Se você receber algum “informativo” que o incentive a abrir as portas do seu tribunal mental, faça as seguintes perguntas: isso é um fato ou uma suposição? Se for um fato, que evidências concretas existem?  Se for suposição, porque eu deveria perder tempo com isso?

A chave da porta do seu tribunal mental deve estar com você. Não entregue a terceiros. E ainda assim, se você se sentir tentado a abrir essas portas em alguma ocasião, não esqueça que todos têm o direito de defesa, inclusive você, se um dia precisar.

 Lembre-se: nem sempre o que parece, é. 

Publicado originalmente no blog do autor


Fonte: Artigos Administradores / Nem sempre o que parece é

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