NRF 2015 revela tendências para o varejo e e-commerce brasileiro em 2016

NRF 2015 revela tendências para o varejo e e-commerce brasileiro em 2016

A empresa que adaptar o seu modelo de negócios a essa nova realidade, ou seja, colocar o consumidor efetivamente no centro de suas decisões (consumer centric), estará mais apta a enfrentar os desafios de um mercado imprevisível

Mais do que nunca, quem decide sobre o canal mais relevante para pesquisar, escolher e comprar um produto (seja loja física, e-commerce ou smartphone) é o consumidor, não o varejo. A empresa que adaptar o seu modelo de negócios a essa nova realidade, ou seja, colocar o consumidor efetivamente no centro de suas decisões (consumer centric), estará mais apta a enfrentar os desafios de um mercado imprevisível. Esta é a principal conclusão da NRF Big Show 2015 (National Retail Federation), um dos principais eventos de varejo do mundo realizado em novembro nos EUA, que este ano reuniu 34 mil participantes de 80 países para acompanhar 300 palestras dividas em 125 sessões sobre os mais diversos temas do setor.

Tomás Trojan e Gustavo Bacchin, diretores da agência Cadastra, participaram da caravana brasileira que participou da NRF (o Brasil foi um dos países que mais levou representantes) e fizeram a cobertura para o portal e-Commerce Brasil. Veja a seguir um resumo das principais estatísticas, tendências e novidades apresentadas no programa e que as empresas precisam ficar de olho.

– O desenvolvimento da tecnologia, principalmente o big data e o mobile, está diluindo a fronteira entre o varejo “físico” e o “e-commerce”. Cada vez mais o consumidor faz uso de diferentes canais para pesquisar e comprar produtos, portanto estar presente em todos aumenta as chances de vendas.

– Hoje 10% das vendas do varejo americano são provenientes do e-commerce, mas 35% do total de todas as vendas do varejo são influenciadas pelos canais digitais (site da loja, Google, redes sociais, apps, etc.).

– Na J.C. Penney, uma das maiores redes de varejo americanas, 1/3 das vendas nas lojas físicas são concluídas pelo app da empresa. Ou seja, a pessoa vai à loja, escolhe o produto e paga pelo celular. As pessoas vão às lojas para ter contato com os produtos, mas preferem obter informações e fechar a compra pela internet por considerar que oferece informações mais confiáveis que a dos vendedores. Pesquisas mostram que esse comportamento é maior sobretudo nos jovens.

– Ao contrário do que se pensava anteriormente, as lojas físicas tem demonstrado sua importância como canal de interação entre os clientes. Um exemplo é a Amazon, que abriu recentemente sua primeira loja.

– O varejo “físico” está adotando conceitos do e-commerce para se relacionar com o cliente e monitorar o desempenho das lojas. Vendedores com tablets, por exemplo, fazem o checkout dos produtos na área de vendas para evitar abandono de carrinho e tempo de espera nos caixas. Softwares de análise e tráfego e eye tracking se transformam em web analytics.

– Cresce o número de varejistas que investem em seus próprios aplicativos para proporcionarem experiências de compra mais personalizadas e, ao mesmo tempo, obter mais informações sobre hábitos e comportamentos dos clientes.

– Com o uso intensivo dos smartphones como ferramenta de compra, cresce o número de empresas que estão priorizando o layout de seus e-commerces para esse formato de tela (mobile first).

– Cresce o número de empresas investindo em big data para conhecer o comportamento dos consumidores e personalizar as experiências de compra.

– Previsões indicam que 15% dos shopping centers dos EUA devem fechar as portas nos próximos anos. Diante dessa perspectiva as empresas do setor também estão investindo no digital como forma de inovar seus serviços. A Westfields, rede com shoppings presente em três países, desenvolveu um app que indica ao cliente vaga no estacionamento, promoções e até reserva e pedidos em restaurantes.

– Aumenta o número de empresas utilizandoa tecnologia de beacons (dispositivo que identifica a localização do smartphone) como ferramenta de fidelização. Os clientes das lojas de jogos eletrônicos GameStop, por exemplo, recebem notificações de promoções em seus aparelhos assim que entram em uma das lojas.

– Por serem mais práticos, os vídeos vem ganhando a preferência dos clientes como principal conteúdo visto em aparelhos mobile.

A realidade do mercado brasileiro está muito próxima do mercado americano, principalmente no que se refere ao comportamento do consumidor, como revelaram as empresas nacionais que participaram da NRF. Segundo estudo da Gouvea & Souza, consultoria brasileira que apresentou as tendências do nosso mercado na NRF, o brasileiro usa em média seis canais diferentes em seu processo de compra. Quem trabalha com mais de um canal para se relacionar com o cliente tem vendas duas vezes maiores em relação a empresa que só possui um canal. Cerca de 70% dos consumidores pesquisam em lojas físicas ou no site antes de comprar.

Na mesma linha, pesquisa feita pela consultoria Boston Consulting Group (BCG) recentemente também revelou que dos 102 milhões de internautas no Brasil, 30% fazem compras pela web, mas 72% usam para pesquisar produtos e decidir sobre a compra e 70% usam sites e redes sociais para avalia o produto e o atendimento após a compra.


Fonte: Artigos Administradores / NRF 2015 revela tendências para o varejo e e-commerce brasileiro em 2016

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