Nunca está bom

Nunca está bom

Toda meta deve ser factível. Portanto, erra o gestor que desafia a equipe com objetivos além das possibilidades

Toda meta deve ser factível. Portanto, erra o gestor que desafia a equipe com objetivos além das possibilidades. Como Fernando Pessoa (em seu heterônimo Álvaro de Campos), deseje impossivelmente o possível. Queira tudo e um pouco mais, se puder ser, ou até se não puder ser. Mas não viole a integridade emocional daqueles que estão ao seu lado, empenhados pelo tangível.

Vontade e determinação, com toques de ousadia, são fundamentais em qualquer rotina empresarial, porque senão o ambiente de trabalho perde a vivacidade e a capacidade de estimular as pessoas envolvidas no projeto. Mas não faça dessa ambição a força geradora do cansaço. Expectativas inúteis, jamais realizáveis, ao invés de ser o alimento de uma jornada virtuosa pode, com o tempo, esvaziar os ânimos e se tornar um impulso inócuo, infecundo.

Quando o gestor perde o controle da sua equipe? Essa condição já pode ser a real, mas ele, sedado pelo seu compromisso com o irrealizável, não percebe que as pessoas ao seu lado não lhe dão mais ouvidos, mesmo se submetendo, por senso de sobrevivência, às suas reprimendas. Tornou-se, então, aquele profeta ranzinza que apenas cobra desempenho com os olhos voltados ao poderia ter sido, mas não foi em nem será.

Esse desligamento da realidade pode ser fruto de uma ideia equivocada que o alimenta. De fato o gestor quer o melhor para a empresa, mas nunca o que acontece está bom para ele. Exige progresso contínuo da equipe, mas se esquece de que ali ninguém está para brincadeira e todos se empenham de verdade.  Crê que agindo assim está estimulando o time. E nem se dá conta que dessa maneira insensível está obtendo o efeito contrário. Ao invés de avançar, a equipe está retrocedendo e perdendo o comprometimento.

Todo sistema tem sua dinâmica e sofre alterações permanentemente. Caso contrário não seria um mecanismo vivo. O que a empresa precisa entender é que os resultados almejados precisam ser avaliados tendo em vista essa constante alteração provocada pela realidade, pelas coisas vivas. A caminhada exige ajustes contínuos. Quando você, com a mania de falar que nunca está bom, visando ganhar comprometimento, não reconhece as evoluções em cada etapa a médio e longo prazo, não reconhece o desempenho da equipe, ao invés de comandá-la pode estar perdendo o controle da situação, sem perceber também que pode estar matando o sistema que pensa alimentar.


Fonte: Artigos Administradores / Nunca está bom

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