O cenário político atual converge com a falta de gestão

O cenário político atual converge com a falta de gestão

A ausência de gestão no cenário do Poder Executivo Federal é principal motivo da crise vivenciada atualmente nas áreas econômicas e política.

Em temos de implementação de uma Gestão Pública Gerencial, o cenário político atual é de extrema delicadeza. A Presidente da República está acuada na iminência de ser julgada por ter cometido Crime de Responsabilidade envolvendo as contas públicas. A ausência de governabilidade é presente, o que dificulta ainda mais as condições necessárias ao exercício do poder de governar. Tais fatos elucidam de forma clara que a Gestão ordenada da coisa Pública nunca foi prioridade desse governo. O que se percebe é que o Brasil retrocede aos tempos do patrimonialismo, onde parentes de políticos sem qualquer preparo sendo escolhidos para cargos de confiança importantes na administração pública; empresas financiadoras de campanhas eleitorais vencendo licitações duvidosas, uso de verbas públicas para uso próprio ou para financiamento de campanhas; utilização de empresas e ONGs fantasmas para parcerias criminosas com o poder público. Todos são exemplos modernos do patrimonialismo, e que estão presentes no Brasil em grau alarmante, fazendo parte da gestão pública municipal, estadual e federal.

Em entrevista publicada pela Revista Carta Capital, o brasilianista norte-americano Peter Hakim, presidente emérito do Instituto de Análise Política Inter-American Dialogue, com sede em Washington diz que o País sofre com corrupção, a fraqueza das instituições, e os problemas na economia. Por isso que é importante fortalecer as instituições para que líderes não tão talentosos possam conseguir tocar a máquina governamental. As instituições são cruciais, e não a liderança em si. E, infelizmente, as instituições políticas brasileiras são fracas.

É nesse ponto que reside o erro da Presidente Dilma Rousseff: a falta de Gestão, tanto política quanto de governar. O Brasil enfrenta as dificuldades econômicas atuais porque, nos últimos anos, além dos fatos acima mencionados, não tem adotado uma gestão pública inovadora e empreendedora. A falta de planejamento levou o país a esse quadro, não conseguiram fazer as reformas necessárias para promover o desenvolvimento do país de forma ordeira e inclusiva, que garantisse o potencial de crescimento econômico e ao mesmo tempo o desenvolvimento social.

A implantação efetiva da Nova Gestão Pública (NGP), ramos da Administração Gerencial, que tanto vem se falando desde a Reforma proposta por Bresser no ano de 1995, seria a saída mais viável. Países desenvolvidos, como a Noruega, possuem modelos prezados pela excelência e que justificam a sua posição mundial como país de mais alto nível de desenvolvimento econômico e social. Moller e Skedsmo (2015) salientam que o modelo utilizado naquele país, enquanto um programa de modernização para o setor público, a NGP, inclui dois projetos paralelos, porém não idênticos. O primeiro é geralmente vinculado aos partidos conservadores e enfoca a transformação do setor público em um setor mais eficaz e eficiente ao estabelecer mecanismos de mercado, como a competição, a privatização e a terceirização, com base na crença de que aqueles que trabalham no setor público então darão o melhor de si para atender a um bem comum. O segundo projeto está relacionando ao estabelecimento de unidades em níveis inferiores da hierarquia pública, que sejam responsáveis por resultados específicos, e à profissionalização da liderança. O segundo projeto não entra, necessariamente, em conflito com o legado da escola comum para todos como um princípio de oportunidade igualitária à educação, e parece ter apoio total tanto dos partidos de esquerda como de direita. Ambos os projetos objetivam a redução da burocracia e tornar a governança mais eficaz e eficiente e, como tal, é possível que a governança democrática seja sacrificada no altar da eficiência.

Em todo esse imbróglio, só existe um ator capaz de mudar isso, a sociedade. De certa forma, o povo brasileiro vem mudando a concepção retrógrada de que “política é uma coisa ruim”, isso é evidente no cenário contemporâneo. Enquanto mais a população se interessar em saber quem são os governantes, a sua formação, seu currículo; mais as chances de elegerem pessoas comprometidas e qualificadas que buscarão implementar uma Gestão Pública de qualidade.

 


Fonte: Artigos Administradores / O cenário político atual converge com a falta de gestão

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