O desafio de ter que ser o melhor

O desafio de ter que ser o melhor

As pessoas que buscam recolocação profissional estão lidando com um desafio que é o de serem as melhores em dinâmicas de grupo para vagas de todos os níveis hierárquicos, o que está levando a uma nova racionalização na busca de emprego

As pessoas que buscam emprego estão tendo que lidar com algo inédito no mercado brasileiro, elas têm que provar que realmente são qualificadas e boas para as vagas que disputam. Além das dinâmicas de grupo com uma média de vinte concorrentes por rodada, as mesmas fazem testes surpresa, muitas vezes sem saber o conteúdo, de modo que o melhor candidato ganhe o desafio.

Sim realmente falo de desafio, porque da vaga mais básica a mais complexa a concorrência está acirrada. Com muitos profissionais disponíveis no mercado de trabalho, as organizações podem escolher aquele candidato que atende além da expectativa, sendo que o mesmo passando por necessidade de ter um emprego acaba se sujeitando e aceitando um salário até 50% menor do que ganhava antes.

Enquanto muitos candidatos lamentam, outros já perceberam que por momento não há saída, além de entrar na dança das cadeiras e dar o seu melhor. Assuntos e disciplinas antes desprezados na faculdade ou nos cursos técnicos estão sendo revisados, como língua portuguesa, matemática financeira, conteúdo de excel do básico ao avançado, pois qualquer questão pode cair nos testes surpresa das empresas. Virou uma verdadeira guerra como dizem as recrutadoras, que vençam os melhores!

Além do desempregado ter que passar pela parte técnica, que são os conhecimentos, o mesmo ainda tem que passar por entrevistas individuais e mostrar conexão com o gestor da área, isso mesmo, não basta ser bom no que faz e querer trabalhar, tem que ter uma ligação, a tal empatia para ser contratado. De nada adiantará ser bom se não for aceito de bom grado.

Obviamente que em um sistema capitalista isso sempre existiu, mas a agressividade e “fome” com que as empresas estão pelos melhores é algo inédito no Brasil. A variedade e distância de experiências de um candidato para outro é impressionante.

Por exemplo candidato X tem curso técnico e experiência e disputa com candidato Y com ensino superior sem experiência, desse embate por hora vence o com curso superior, após o grau de dificuldade vai aumentando e o candidato Y se depara com o Z que tem especialização e experiência, adeus candidato Y e assim segue em progressão geométrica, muitas vezes para um cargo de auxiliar administrativo.

Se esses são os novos tempos, muitos já andam preparados com apostila e livros na mão. O tempo de desempregado só usando os sites de recolocação e fazendo escolhas mais acertadas ao perfil que cada um tem de si acabou, agora a métrica usada é atire para a vaga mais provável e onde você seja o melhor de todos ou fique na média e boa sorte.

Dar um passo para trás pode ser o que te levará para frente em um futuro onde a valorização não seja tão distante dos dias atuais. Porém com a reprovação de candidatos em testes, estes se veem obrigados e até cutucados pelo não, e buscam estudar, se especializar e melhorar seus pontos fracos, o que já é um grande avanço para o desenvolvimento pessoal e profissional pelo menos.

“Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins.” (Jean-Jacques Rousseau)


Fonte: Artigos Administradores / O desafio de ter que ser o melhor

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