O dono do bar

O dono do bar

Um papo descontraído sobre gestão entre um cliente, com MBA, e o dono do bar, sem o primário completo!

Certa vez um dono de um bar me abordou enquanto me preparava para tomar uma cerveja que acabara de pedir:

“- Meu caro, você que é uma pessoa estudada, me dê umas dicas de como faço com meu bar porque está complicado. O que ganho não dá para nada! Muitos “fiados”. Ninguém vem mais aqui. Parece que fiz alguma coisa…”

Lembrei desse episódio porque li recentemente as dicas de Abílio Diniz em seu artigo que fala de determinação e do Renato Galisteu que fala de comunicação.

O primeiro trata da importância de ser uma pessoa determinada. De saber o que quer. É a sábia persistência! Porque exalta também a flexibilidade no agir.

O segundo trata da importância da comunicação em um pequeno negócio, no caso, um tradicional bar da Vila Madalena. Fala de ser profissional. É o sábio ouvinte! Esse exalta a impessoalidade na gestão.

Pois bem, respondi ao dono do bar. E continuei enquanto alternava palavras e goles da bebida.

“Rapaz…

Não existe uma receita que garanta que as coisas deem certo nisso ou naquilo nessa vida. Seja na gestão de um empreendimento. Seja na gestão de uma carreia profissional.

No seu caso específico vejo dois itens como fundamentais para alavancar financeiramente seu bar:

1) Gestão do Atendimento
2) Gestão do Fluxo de Caixa

O atendimento do seu bar deve ser feito de forma “impessoal”. Não é você, o dono, que atende o fulano, o sicrano, o amigo, o vizinho, o filho do amigo ou o parente que veio de longe. É o gerente, o administrador, o gestor! Logo, isso indica que os seus sentimentos como pessoa (mau humor, problema pessoais, dividas, intrigas, saúde, etc…) devem ser planejados, organizados, dirigidos e controlados de maneira que o “cliente” – não mais o freguês – não perceba esses pontos negativos (que são inerentes a sua pessoa e não ao seu bar) no atendimento e que ele fique com a percepção e a certeza do que o bar forneceu o melhor atendimento. E o que é o melhor atendimento? É fazer o que deve ser feito.

Disponibilizar o produto ou o serviço para o cliente na hora que ele quer, no lugar que ele quer e do jeito que ele quer. Isso tudo nas instalações do bar. Respeitando, claro, aqui o contexto do seu bar!

Mas não foque apenas no produto ou serviço. Foque na experiência positiva e agradável que esse cliente terá em tomar uma cerveja em seu bar. Entregue, algo a mais que seu produto, como gentileza, cortesia, educação, bebida gelada, copos limpos, ambiente sadio, som adequado, iluminação coerente, uma porção (gratuita) de amendoins. 

Fazendo assim certamente ele pensará duas vezes em ir a outro bar! Uma comunicação eficaz ajuda a trazer novos clientes. Uma comunicação eficiente ajuda a fidelizar esses clientes!

O fluxo de caixa, a meu ver, é a coisa mais simples para garantir uma boa gestão de qualquer negócio porque trata do que o mantém “vivo”. Seja um bar. Seja uma empresa. Vá até a papelaria e compre um livro-caixa. Ou faça de seu caderno um livro caixa. Para que serve o livro-caixa? Para controlar a entrada e saída do dinheiro do seu bar. Note, o dinheiro é do seu bar. Não é seu! No fim do dia, após fechar o bar, você terá condições de saber quanto vendeu e quanto pagou. Isso ajuda em “bolar” várias estratégias como “a dos amendoins grátis”. A fazer um fundo de reserva para emergências. A planejar quando pagar as contas. Enfim!

As vezes, você pode deixar de ganhar em um produto (amendoim) para ganhar muito mais em outro (cerveja). O “deixar de ganhar”, nesse caso, é um investimento. Pois desperta no cliente o desejo de comer amendoim e o próximo pratinho de amendoim pode ser cobrado, claro! Muitas pessoas aceitam pagar um pouco a mais por um atendimento excelente!”

Como podem notar, eu falei de forma simples e objetiva sobre a importância da ciência da administração.

Falei dos conceitos das teorias de Henri Fayol e Philip Kotler. Falei de logística. De promoção.

Evangelizei que uma organização não deve ser administrada pelo “dono”. Para mim, “dono” é muito pessoal! Chega a soar um pouco arrogante! “Sou o dono!”. Tem de ser administrada pelo “administrador” que está dentro de cada um nós!

Um administrador é determinado, sabe o que quer e sabe como comunicar esse querer!

Ele – com ar de espanto – soltou “É só isso?”. Sorriu e me serviu outra cerveja. Dessa vez bem gelada e com uma porção de amendoins!


Fonte: Artigos Administradores / O dono do bar

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