O empreendedorismo social como uma via de mobilidade social

O empreendedorismo social como uma via de mobilidade social

O movimento social em tela, embora visionário, também deve ser realista e auto-sustentável, focado na localidade que está inserido, com o objetivo de se reverter ao bem estar social

Diante de inúmeras políticas assistencialistas institucionalizadas que visam à erradicação da pobreza e à desigualdade social, o Brasil tem se caracterizado um Estado paternalista.

A nosso ver, ao prover a subsistência de determinadas classes sociais com serviços ou de dinheiro, através das denominadas “políticas assistencialistas”, o Estado tem apenas perpetuado um mal, privando a liberdade e empreendimento do cidadão para a atividade economicamente ativa.

Neste contexto, passamos a analisar o empreendedorismo social como uma forma de se alcançar a mobilidade ou ascensão.

A prática em comento teve como pioneiro o norte americano Bill Drayton, fundador da Ashoka, uma organização mundial sem fins lucrativos que atua no campo da inovação, trabalho e apoio aos empreendedores sociais, em 1980.

A proposta basicamente consiste na maximização do capital social de uma comunidade, bairro, cidade ou país, por meio de técnicas de gestão, inovação, criatividade e sustentabilidade. Em outras palavras, empreendedores sociais buscam transformar uma realidade, ampliar a participação política da sociedade e estendê-la aos cidadãos excluídos utilizando métodos geralmente presentes no cotidiano das empresas.

Considerando não ser o Estado fonte de riquezas, denota-se que o modelo intervencionista e assistencialista é insuficiente para erradicar as mazelas sociais e, muitas vezes, tem o caráter meramente eleitoreiro.

Assim sendo, o empreendedorismo tem o intuito de preencher essas lacunas e contribuir para a criação um setor cidadão empreendedor, eficiente e globalmente integrado ao propiciar meios para seu desenvolvimento intelectual, profissional, artístico, esportivo e qualidade de vida, com o aporte de infraestrutura adequada para cada setor social.

Entretanto, o movimento social em tela, embora visionário, também deve ser realista e auto-sustentável, focado na localidade que está inserido, com o objetivo de se reverter ao bem estar social, sob pena de se tornar utópico e ineficiente.

A idéia do projeto em si é louvável, vez que delega à sociedade civil a busca pela transformação social, repelindo a tese retrógrada de que o Estado é único provedor de todas as necessidades vitais básicas do indivíduo.

Todavia, como toda ideia louvável incutida no exterior e disseminada em nosso país, este projeto social é vítima de todo tipo de deturpação.

Muitos dos que se dizem “empreendedores sociais” visam tão somente a interesses mesquinhos como benefícios fiscais e, ainda, temos os casos mais graves de lavagem de dinheiro, entre outras ilicitudes praticadas por organizações não governamentais meramente de fachada.

O legítimo empreendedor almeja resolver um problema da comunidade, podendo obter lucro de forma simultânea. Para atingir este fim, os seus negócios são voltados, essencialmente para as pessoas de baixa renda, e só se tornará sustentável financeiramente em larga escala, no volume de vendas ou no futuro, a título de investimento.

A falta de mobilidade social é um dos principais problemas contemporâneos relacionados à desigualdade social. Pode o empreendedorismo ser visto como um canal de mobilidade ou ascensão social?

A princípio, todas as iniciativas devem levar em consideração as peculiaridades de cada localidade e, em especial, o nível de desenvolvimento na qual se encontra a fim de potencializar os resultados.

Acreditamos que o esporte seja um importante fator de mobilidade social. A exemplo das escolinhas de futebol de grandes times esportivos do país instaladas em favelas e comunidades carentes que contribuem para o desenvolvimento da personalidade de crianças e adolescentes, dando-lhes técnicas de ofício para um mercado promissor.

Os ganhos são recíprocos, seja para a criança que adquire conhecimentos esportivos e cidadania, despertando-lhe para um mundo de oportunidades profissionais, ainda que não venha a ser um jogador de futebol profissional e, obviamente, aos franqueados e clubes desportivos, na busca de novos talentos.

Portanto, o empreendedorismo social pode sim ser um dos canais de mobilidade social, desde que os ganhos sejam recíprocos, de modo agregar um valor social ao seu público alvo e na localidade da execução do projeto social, potencializando-se a sua propagação com bons exemplos e resultados. Sejamos protagonistas da nossa história!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fonte: Artigos Administradores / O empreendedorismo social como uma via de mobilidade social

Os comentários estão fechados.