O entrelaçamento de tendências como acelerador da inovação

O entrelaçamento de tendências como acelerador da inovação

Sempre que observamos tendências percebemos o quanto elas fazem parte da germinação de produtos e serviços inovadores, isso é fruto do envolvimento das pessoas com o movimento hiperdinâmico produzido pelas necessidades e/ou desejos da sociedade, que cresce demograficamente e tecnologicamente (psicologicamente muito pouco, infelizmente)

Sempre que observamos tendências percebemos o quanto elas fazem parte da germinação de produtos e serviços inovadores, isso é fruto do envolvimento das pessoas com o movimento hiperdinâmico produzido pelas necessidades e/ou desejos da sociedade, que cresce demograficamente e tecnologicamente (psicologicamente muito pouco, infelizmente).

Até um tempo atrás, identificar, observar e apontar tendências, era percebido isoladamente ou no máximo dentro de um grupo de situações com muita afinidade, mas isso acabou, a complexidade deu cabo do modelo linear definitivamente, agora as tendências também atuam em rede.

Então quando, por exemplo, vemos a notícia de que os jovens andam usando mais o Whatsapp e abandonando as ligações telefônicas tradicionais, também percebemos que os contact centers tendem à migração do atendimento falado para o chat, bem como o fato de ter que dispor de mais de um chip para economizar com ligações ficar obsoleto, até o ponto de perceber que as mãos livres para dirigir o carro são essenciais, por isso tanto investimento nos carros autónomos, que serão obviamente mais seguros, mas se eles voarem como drones serão também mais ecológicos e rápidos, dispensando o grande parte do isolamento do solo com estradas feitas com derivados de petróleo, então o transporte público seria muito mais inteligente se migrasse para estes drones, dando tudo aquilo que o cidadão almeja (rapidez, conforto, praticidade, atitudes verdes, etc.).

É claro que desenvolvi o parágrafo anterior para simbolizar o quanto tudo está entrelaçado, melhor seria colocar as frases cruzando-se visualmente, como num mind map, evitando assim a limitação espacial do texto corrido.

Esse cruzamento de tendências potencializa o processo da inovação, porque agrega informações de outros vetores sociais, outros segmentos industriais e de serviços. Talvez o modelo de negócios do futuro próximo seja o da incubadora de empresas como centro dos negócios e não como um apêndice isolado, com alguma possibilidade de dar certo.

Se pensarmos no modelo tradicional, talvez estejamos desperdiçando recursos, perdendo tempo, não inovando. O conceito de redes colaborativas é exatamente assim, mas é claro que é embrionário, porque apenas recebe os inputs inovadores prontos, alguém da Índia inventa um componente e oferece à HP, outro do Uruguai cria um software solicitado abertamente pela Cisco. Numa incubadora as pessoas estão ao vivo, interagindo massivamente, se o entrelaçamento de tendências é vislumbrado por todos que ali estão, podem surgir coisas realmente impactantes como inovação.

Em 2008 fiz uma conferência em Lisboa apontando que a espionagem industrial estava obsoleta, porque as redes colaborativas iriam ser mais rápidas em termos de resultados, além de trazerem produtos e serviços realmente inéditos e que isso só dependia da forma com que as empresas estimulassem a colaboração. Isso aconteceu, mas apenas na escala das megacorporações, o mundo das pequenas e médias empresas (PME) não chegou lá, não há recursos para gerir a colaboração, nem informáticos, nem pessoais, nem financeiros.

Talvez, se as PME que pretendem inovar, concentrarem suas inteligências dentro do conceito de coworking, abra-se a possibilidade nos dois sentidos, o físico (incubadoras) e o virtual (colaboração). Aí está uma boa tendência imobiliária, grandes galpões industriais transformados nestes espaços, com conforto, tecnologia, ambiente agradável e custos lowcost para que os utiliza, possibilitando “agarrar” as tendências entrelaçadas e assim criar e viabilizar (a minha definição mais simples para inovação é esta) produtos e serviços.

Em 2004 escrevi um artigo que se intitulava “Os direitos autorais estão em extinção”, era um tiro no meu próprio pé (porque sou autor), mas era uma tendência inevitável e que se afirma todos os dias, talvez um dia aconteça o mesmo com as patentes, mas estas são muito mais “controláveis”, enquanto isso não acontece, ainda vale muito a pena inovar, o que não vale a pena é acreditar que a forma de se fazer isso e obter recompensas financeiras é a mesma de tempos atrás, com se estivéssemos na garagem do adolescente Bill Gates.


Fonte: Artigos Administradores / O entrelaçamento de tendências como acelerador da inovação

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