O executivo e o professor: conceitos da Educação para a liderança eficaz

O executivo e o professor: conceitos da Educação para a liderança eficaz

“Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano.” (Skinner)

O paradigma de pensamento mecanicista tende a analisar as ciências de forma fragmentada, então por esta ótica e para alguns, as ciências da Administração pouco tem haver com a Pedagogia e com Psicologia do Desenvolvimento. Entretanto, é reducionista analisar o indivíduo no contexto organizacional não levando em consideração suas dimensões biológicas, físicas, cognitivas, emocionais e sociais em dado contexto. Sobre essa perspectiva das dimensões do indivíduo que a Pedagogia e a Psicologia do Desenvolvimento são extremamente úteis aos líderes e aos profissionais de RH. Ou melhor, a qualquer indivíduo e em qualquer nível hierárquico. O autoconhecimento permite tomar decisões mais assertivas e construir uma carreira mais sólida.

  Ao longo da história da ciência da Administração, o ser humano deixou de ser visto como um ser totalmente previsível e simples, onde o controle e os incentivos financeiros eram suficientes para ser visto como um ser complexo, em desenvolvimento, em formação e possuindo necessidades psicológicas, materiais, emocionais, sociais, etc. O homem deixa de ser então o “Homo Economicus” para se tornar o “Homo Complexus”.    

  Nos dias atuais, nesta Sociedade do Conhecimento e da Informação, esta complexidade do indivíduo ainda interage com a complexidade das tecnologias e com as mudanças em movimentos bidirecionais: o indivíduo influencia o meio mas, o meio também influencia o indivíduo. O líder influencia a equipe, mas a equipe influencia o líder. A organização influencia o meio, mas o meio influencia a organização. Nesta Sociedade também surge o conceito de “aprender a aprender” ou “o homem que aprende”.

  Podemos perceber então, que levando em consideração o homem complexo (Homo Complexus) com a sua capacidade de interação e aprendizagem, a aproximação da Administração com a Pedagogia e com a Psicologia do Desenvolvimento vão se elucidando. No que tange a essas duas últimas, destacamos, não com o intuito de esgotar às reflexões sobre o tema, alguns conceitos gerais de Piaget, Wallon e Lev Vygotsky que podem nos inspirar em práticas no contexto organizacional. Na verdade, penso que as organizações modernas, direta ou indiretamente já praticam, só não dão a ênfase necessária em alguns casos.

  • Piaget: se interessou em como as pessoas aprendem e, em vários estudos, defendia que passamos na vida, por 4 estágios (sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal) subsequentes e de mudanças qualitativas em termos de desenvolvimento cognitivo. Para tanto, para irem construindo o aprendizado, os valores, as regras e símbolos nos indivíduos, este se dá por meio de dois mecanismos: assimilação e acomodação. Assimilação envolve incorporar os objetos e estímulos do mundo exterior aos nossos esquemas preexistentes. Acomodação, por sua vez, são as modificações e adaptações, fruto da influência do mundo externo nos esquemas mentais do indivíduo, de modo a contemplar aquela nova informação. Voltando para a ciência da Administração, a capacidade e a habilidade de aprender e reaprender são fundamentais para o sucesso nesta Sociedade da Informação e do Conhecimento. Constantemente estamos mudando os nossos esquemas mentais para abarcar de forma mais positiva os estímulos externos.

 

  •  Lev Vygotsky: ele enfatizava a preponderância das relações sociais e da cultura para o desenvolvimento intelectual. É em meio às diversas relações, por meio de instrumentos, seja eles físicos, como por exemplo o computador, seja eles simbólicos, como a linguagem e seus significados emocionais para o sujeito, que o desenvolvimento ocorre. Entre os vários tipos de linguagem, a escrita é um sistema arbitrário de códigos convencionados. Outra temática que surge em Vygotsky é a importância de alguém mais experiente e habilidoso para conduzir (intervindo) o aluno a sair de um estado para outro de maior de aprendizado, assim, o aprendiz vai ganhando mais autonomia. Em outras palavras, ele sairia de uma zona de desenvolvimento real (o que ele sabe agora) para uma zona de desenvolvimento potencial (aquilo que o indivíduo tem potencial para aprender). De forma análoga à Administração, os líderes não buscam desenvolver a habilidade de conduzir sua equipe para suas potencialidades? As empresas te contratam não só pelo que você faz e sabe hoje, mas também pelas suas potencialidades. Em termos de linguagem e simbolismo, as interpretações (positivas ou negativas) que você faz no dia a dia, impacta diretamente seus sistemas de crenças e motivações. Ainda, quem nunca ouviu falar sobre a importância da cultura e do clima organizacional ou quando entrou em uma empresa e disse: “Nossa, que clima estranho, lá eu não fico!” A cultura organizacional é ou não é importante?

 

  • Wallon: em seus estudos, demonstrou a importância da efetividade (emoções) e do movimento como aspectos importantes do desenvolvimento e da aprendizagem. A construção do “eu”; do indivíduo, se dá nas interações com o outro. Fazendo um paralelo com a Administração mais uma vez, não é por menos que as empresa investem (ou deveriam investir), quando o colaborador é contratado, em períodos de adaptação e integração. Não é por menos que as empresas investem (e você precisa dela) no desenvolvimento de habilidades sociais (comunicação, empatia, inteligência emocional, etc.), em especial, dos seus vendedores e líderes. Não é por menos que em alguns programas de treinamento e desenvolvimento o facilitador incentive dinâmicas de grupo (movimentar-se) de modo a facilitar o aprendizado. Você, por exemplo, já se pegou andando de um lado para o outro para memorizar e aprender algo? Algumas empresas já aboliram cadeiras de reuniões diárias de modo a otimizar a atenção e os debates.

 

Percebemos que a Pedagogia e a Psicologia do Desenvolvimento tem muito a contribuir com as ciências da Administração, não só em termos de construção do pensamento administrativo, mas também no aperfeiçoamento de práticas de Gestão como de liderança, treinamento e desenvolvimento, comportamento organizacional, entre outros. Na ótica do indivíduo em si, o acesso a certos conceitos desses campos contribuem para o autodesenvolvimento e para o autoconhecimento, logo, para carreiras mais sustentáveis e de sucesso.

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REFERÊNCIAS

O`CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolinguística: como entender e influenciar pessoas. Trad: Heloísa Martins-Costa. Ed. 5. São Paulo: Summus, 1995.

MATTA, Villela da; VICTORIA, Flora. Personal & Professional Coaching: livro de metodologia. São Paulo: SBCoaching Editora, 2014.

MOTTA, Fernando C. Prestes; VASCONCELOS, Isabella F. Gouveia de. Teoria da administração. 3 ed. São Paulo: CENGAGE Learning, 2006.

NOVA ESCOLA. Grandes pensadores: 41 educadores que fizeram história, da Grécia antiga aos dias de hoje. Edição Especial, n. 25. Julho, 2009.

PhD WEISINGER, Hendrie. Inteligência emocional no trabalho. Trad: Eliana Sabino. Rio de janeiro: Objetiva, 1997.

 


Fonte: Artigos Administradores / O executivo e o professor: conceitos da Educação para a liderança eficaz

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