O executivo que encontrou Sócrates

O executivo que encontrou Sócrates

“O pensamento deve ser mais prudente. Se as respostas saem fáceis é porque a pergunta foi mal formulada, e apenas contorna o problema.”

  O legado da Filosofia é incontestável! A filosofia serve e serviu de base para diversas ciências e campos do saber, como a Medicina, a Psicologia, o Coaching, o Direito, a Física, inclusive a ciência da Administração e Gestão, entre outros.

  Ao longo do tempo, perdemos um pouco o amor ao conhecimento, ou seja, nos afastamos da filosofia e do pensamento filosófico. Vivemos na Era do Conhecimento e da Informação mas, em sua grande maioria, não estamos melhorando a nossa forma de pensar, refletir, processar e aplicar os conhecimentos adquiridos.

  Assim sendo, um determinado executivo, parecido conosco, resolve buscar os conhecimentos filosóficos por meio de Sócrates, para aplicar em sua empresa e, acima de tudo, na sua vida como um todo. Eis o que ele descobre:

  Sócrates (469 – 399 a.C.) é um marco na história. Até então, a filosofia buscava explicar o mundo por meio de observações sobre a natureza. A ruptura foi tamanha, que antes de Sócrates, os filósofos foram denominados, de forma genérica, de “pré-socráticos”. Sócrates nada escreveu, entretanto, seus diálogos foram retratados pelos seus discípulos.

  A preocupação de Sócrates era voltar o ser humano para si mesmo, levando as pessoas à sabedoria por meio do autoconhecimento e prática do bem. Tal sabedoria era buscada por meio de troca de ideias, da contestação entre mestre e discípulo (e entre discípulo e mestre), enfim, dos diálogos como método de investigação. Daí a expressão “método socrático” ou método dialético. Para muitos, ele é considerado o modelo do professor clássico. Arrisco ainda a dizer e relacionar os princípios de Sócrates com requisitos para uma liderança inspiradora.

  Sócrates usava como método o questionamento partindo do ponto de vista “que nada sabia”. Desta forma, fazia perguntas ressaltando as contradições do seu interlocutor, as brechas nas respostas e suas pressuposições, para então, expor as contradições do discurso e levar o outro a um novo patamar de conclusões e insights. Era um método de examinar argumentos por meio da discussão racional, se colocando em uma posição de ignorância (no sentido de compreender os limites da mesma) e removendo as ideias preconcebidas para adquirir um conhecimento mais fidedigno de si mesmo e acerca do mundo.

  Evidentemente que o legado de Sócrates vai além do exposto acima. “Sócrates simplesmente perguntava. Não ensina; quer aprender. Seu pensamento parece desprovido de conteúdo. Mas, se não há ensinamentos, ele propõe algo. Destruindo as respostas fáceis dos seus interlocutores, mostra que o pensamento deve ser mais prudente. Se as respostas saem fáceis é porque a pergunta foi mal formulada, e apenas contorna o problema” (ABRÃO, 1999, p. 43).                                                                                                                                                    

  A ignorância nos incomoda e nem sempre temos a humildade necessária para reconhecer e indagar sobre a realidade. Nos irritamos, por exemplo, com o excesso de perguntas das crianças, talvez por não sabermos as verdadeiras respostas! Na sala de aula, como alunos, ficamos com receio de perguntar ao professor ou até mesmo contestá-lo racionalmente! Alguns professores, por outro lado, preferem dar uma resposta ampla e vaga do que reconhecer a necessidade de buscar a informação necessária. Paulo Freire dizia que “o não saber faz parte do saber e que é isto que nos motiva a aprender”.

  Nas reuniões de executivos, Jack Welch (ex-CEO da General Electric Company – GE) mencionava isso ao dizer que as empresas careciam de franqueza. São raros os colaboradores que apontam falhas ou promovem a reflexão racional para encontrar novos pontos de vista ou contestar (para aperfeiçoar) determinado projeto! Temos medo de demonstrar a nossa ignorância, e isto acaba reforçando uma visão limitada de nós e do mundo! Em outras palavras, “[…]. Todos falam como se fossem sábios e, mesmo quando conhecem algo, extrapolam seus conhecimentos para assuntos dos quais não tem noção” (ABRÃO, 1999, p. 43).      

Agora reflita!

Em que a Filosofia pode lhe ajudar nos negócios e na carreira?E Sócrates?

De que forma reconhecer a própria “ignorância” pode nos levar ao aumento do conhecimento de si e do mundo?

As reuniões e o ensino poderiam ser mais efetivos se fosse utilizado o método socrático?

 

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                                                              REFERÊNCIAS

ABRÃO, Bernadette Siqueira. Os pensadores: história da filosofia. São Paulo: Nova Cultura Ltda, 1999.

BUCKINGHAM, Will; BURNHAM, Douglas; HILL, Clive; KING, Peter J….. O livro da filosofia: as grandes ideias de todos os tempos. São Paulo: Editora Globo, 2011.

O`CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolinguística: como entender e influenciar pessoas. Trad: Heloísa Martins-Costa. Ed. 5. São Paulo: Summus, 1995.

MATTA, Villela da; VICTORIA, Flora. Personal & Professional Coaching: livro de metodologia. São Paulo: SBCoaching Editora, 2014.

PESSANHA, José Américo Motta. Os pensadores: Sócrates. Trad: Enrico Corvisieri e Mirtes Coscodai. São Paulo: Nova Cultura Ltda, 1999.

Revista Nova Escola. Grandes pensadores: 41 educadores que fizeram história, da Grécia antiga aos dias de hoje. Edição especial, nº 25, Julho, 2009.

 


Fonte: Artigos Administradores / O executivo que encontrou Sócrates

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