O mito do diploma e a preguiça universitária brasileira

O mito do diploma e a preguiça universitária brasileira

Infelizmente, muitos estudantes têm acreditado em ilusões que nem de longe correspondem a verdadeira realidade

Se voltarmos ao passado veremos que a colonização do Brasil teve uma marcante fase: a mão de obra escrava. Os portugueses, sedentos por riquezas e facilidades queriam contar com um diferencial que os fizesse produzir muito a um custo tipicamente reduzido. Desta forma, os senhores de engenho viram nos negros africanos uma oportunidade única para satisfazerem suas cobiçosas avarezas e suas ardilosas vontades.

Por volta do ano de 1550 essa escravidão alienadora e descerebrada começou a ser drasticamente implementada no país. O negro, com sua força bruta e sua vasta capacidade de resistência era de grande utilidade na exploração de minas, na derrubada de árvores, no plantio de sementes e em todas as outras tarefas determinadas pelos embasbacados “donos do poder”.

O tráfico de escravos em terras brasileiras representa um dos acontecimentos mais horrorosos e lamentáveis da história do nosso amado país, pois esses cidadãos eram totalmente impedidos de terem suas liberdades, viviam explorados de todas as formas e habitavam em condições tremendamente pífias. Certamente, o ser humano tem direito de ser tratado com respeito, dignidade, amor e compaixão, no entanto o que vimos nessa era longínqua e pútrida foi exatamente o contrário.

Com a abolição da escravatura, essas criaturas foram libertas do endiabrado sistema prisional em que viviam, porém sem gozarem de nenhuma estrutura para se desenvolverem e sobreviverem a alta competitividade humana. Em outras palavras, eles tinham conquistado algo valioso, mas ainda muito distante daquilo que eles realmente mereciam: o direito a educação e aos numerosos meios de crescimento.

Assim como essa triste história dos nossos aguerridos e honrados negros, a nossa cultura ainda sofre com as fantasias sociais que existem para nos ludibriar. Uma delas é o pernicioso mito do diploma, que faz com que os universitários pensem que serão profissionais de alto impacto só por carregarem um pedaço de papel com alguns carimbos e estrelinhas. Ora, um diploma conquistado de forma imerecida é um objeto sem valor, pois representa a autorização para o graduado exercer uma função que ele mal conhece. Decerto, essa é uma tragédia para todos os envolvidos no núcleo: professor, instituição e aluno. Infelizmente, isso acontece porque em linhas gerais os estudantes são demasiadamente preguiçosos e não buscam se aprofundar consistentemente em suas ocupações.

Henry Thoreau disse: “A maioria dos homens vivem vidas de silencioso desespero.” Evidentemente, o que o grande pensador americano quis dizer foi que muitos dos nossos semelhantes vivem pressionados pelos próprios hábitos que criaram, sofrendo constantemente por construírem comportamentos autossabotadores, autodestrutivos e tipicamente alienadores.

Então, existem duas catástrofes a serem herdadas por um estudante sem conhecimento: a primeira é a total incompetência no exercício de sua profissão, porquanto o mesmo possuirá um cargo que não tem condições técnicas de ocupar e a segunda é a criação de condutas que destruirão sua própria estabilidade, fazendo o mesmo colher (merecidamente) os espinhos venenosos que suas mãos instintivamente plantaram.

Indubitavelmente, essas ideias só confirmam o que Platão disse sapientemente na lendária Grécia clássica: “Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.” Esticando a reflexão de Aristocles digo enfaticamente que as pessoas são individualmente responsáveis pelo cultivo do jardim pessoal que herdaram gratuitamente dos deuses e ele será formoso ou horrendo, dependendo da eficiência do referido cuidador.

Naturalmente, é fácil reconhecer as características dos estudantes fracos e despreparados, vejamos as mais marcantes:

1 – Não possuem referências (alguns nem ao menos sabem o que isso significa).

2 – Não sabem se comunicar internamente e com os outros: ler, pensar, escrever e falar.

3 – Não ostentam um propósito de vida sólido e objetivo.

4 – Não possuem valores, princípios e regras inquebráveis.

5 – Não praticam nada que aprenderam na teoria.

6 – Fazem investimentos em bens perecíveis em detrimento de bens duradouros.

7 – Não sacrificam nada na esfera pessoal para alavancarem tesouros na esfera profissional.

8 – Carregam pensamentos apequenados passados de geração a geração.

9 – Trocam atividades produtivas por tarefas abjetas e superficiais.

10 – São indolentes e fazem cera o tempo todo.

11 – Desconhecem os próprios pontos fracos e fortes.

12 – São medrosos por natureza e não arriscam sequer o valor de uma pequena moeda.

13 – Não sabem debater de forma argumentativa e resiliente sobre nenhum tipo de assunto do globo.

14 – Não são criativos e preferem repetir constantemente as coisas que outros seres humanos já criaram.

15 – Vivem andando em círculos e reclamando de tudo e de todos.

16 – Odeiam conhecimento em qualquer espécie inventada.

17 – Sonham em ser reconhecidos por patrões avarentos e mesquinhos.

18 – Acham que empreendedorismo e riqueza são a mesma coisa.

19 – Negligenciam oportunidades regularmente e são orgulhosos por excelência.

20 – São fofoqueiros e se preocupam mais com a casa dos outros do que com a própria casa.

Por isso, trace o caminho inverso: valorize o raciocínio, o intelecto e a curiosidade para que a cultura seja o seu orgulho e a sua egrégia referência.

 


Fonte: Artigos Administradores / O mito do diploma e a preguiça universitária brasileira

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