O "não" nosso de cada dia: a dificuldade de entender, se manter e viver no mercado de trabalho

O “não” nosso de cada dia: a dificuldade de entender, se manter e viver no mercado de trabalho

Como anda difícil entrar no mercado de trabalho, temos que ter estudo, estarmos habilitados….Mas há um lado um pouco pior: a dificuldade de se manter e se recolocar no mercado de trabalho, mesmo tendo estudo, habilitações, qualificações e experiências

Em mais de 10 anos de atuação no mercado de trabalho, hoje consigo encará-lo de um modo simples: Ele é Cruel. O Mercado de trabalho junto com aqueles que o compõem, na maioria das vezes, é como um assassino frio e calculista, sem dó nem piedade, escolhe suas vítimas, e se não as servirem, destroem sonhos, objetivos, metas, e porque não famílias, amizades, vidas….
Tudo bem, posso estar sendo um tanto quanto exagerada, mas vamos lá, então vou comparar o mercado de trabalho, com uma pessoa fria e calculista que não tem coração, só tem interesses, usa as outras e quando não mais lhe interessa as abandonam, as despedem, viram as costas ou simplesmente terminam tudo por telefone, isso quando nos ligam….

Mas por que tanto ódio nesse coração, você pode estar se perguntando. Não, não é ódio não, mas sim frustração. Pesquisando o significado dessa palavra encontrei muitas coisas interessantes, e consegui entender como realmente me sinto, olha lá e veja se você também não anda se sentindo assim: Frustação – é uma emoção que ocorre nas situações onde algo obstrui o alcance de um almejo pessoal. Quanto mais importante for o objetivo, maior será a frustração.

Bingo! Taí porque cada vez dói mais, pois é assim que me sinto em relação ao mercado de trabalho, ao meu alcance profissional. Mas será que é porque não sou competente o bastante, ou será que seria porque não tenho experiência ou talvez estudo? Não….me graduei, me pós graduei, me atualizei, continuo me atualizando e buscando cada vez mais experiência, e oportunidade após oportunidade ganho mais Nãos, e portas sendo fechadas, e o pior sem saber o porque.

Fiz um processo seletivo a algum tempo na rede Sicredi de Cooperativas de Crédito, e infelizmente não deu certo. Ok, estamos sujeitos a isso, não seria meu primeiro e nem meu último não, mas pintou uma nova chance, sim!!! Fiquei feliz, me preparei mais e lá fui eu, cheia de si, ou melhor de mim, com informações na ponta da língua, com motivação a mil, pois é uma empresa que eu sempre quis fazer parte,(diga-se de passagem, moro em uma cidade pequena e não temos tantas oportunidades e empresas por aqui) e parti para a parte mais complicada de um processo seletivo: A entrevista. Ali é complicado, a gente pensa: como me portar, o que falar, como gesticular, porque é difícil entender o que eles esperam. Já fiz entrevistas que se você for muito séria não dá, se for muito simpática não dá, se for muito interativa não dá, se for introspectiva também não, se for bem humorada não dá e se for mal….nem se fala. Então como me portar se não sei o que eles querem??? Complicado, por isso, mesmo tendo todas as características, sabendo o que falar, tendo experiência, estudo e qualificação, não deu certo novamente. Pior que levar um fora é levar dois, correto? Pois é, mas pior ainda é ligarem para você e te dispensarem em 5 segundo e sem te dar um feedback, sem motivos ou razões, pelas quais eu poderia melhorar talvez.
Não sei mais ao certo o que o mercado de trabalho quer, não sei mais o que fazer para conseguir grandes oportunidades. Que cada vez mais somos insubstituíveis, isso eu sei, mas você não ser necessária é outros quinhentos e isso dói, dói pra uma profissional que estudou, lutou e luta muito ainda, que se orgulha de ser Administradora, uma área que ninguém dá crédito mas não vive sem, dói você ter que aceitar o precário para sobreviver e não poder sonhar, crescer ou alçar novos conhecimentos, pelo fato de te negarem isso. Sim, eles tem esse direito, mas eu tenho o direito de saber porque, e saber o que me falta para depois de mais de 10 anos, conseguir ser uma profissional sem frustrações, realizada…Acho que não é pedir muito.

Tenho certeza que vários pensam e passam por isso, por isso encaro o mercado de trabalho de forma cruel e fica cada vez pior. Me sinto correndo de um rolo compressor. As exigências estão cada vez maiores e o que nos resta é se atualizar, estudar e com certeza rezar, torcer, para que um dia uma alma boa ou uma alma coerente e ética veja os profissionais reais que batem a sua porta pedindo somente oportunidade de mostrar serviço, trabalho e qualidade. Dinheiro???? sim, preciso, mas acredito que isso seja consequência do nosso trabalho.

Desistir? Não, jamais, acredito que terei meu Sim um dia, e farei isso valer a pena, por cada Não recebido, cada telefonema de não foi dessa vez ou cada e-mail não respondido, sim farei valer a pena.


Fonte: Artigos Administradores / O “não” nosso de cada dia: a dificuldade de entender, se manter e viver no mercado de trabalho

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