O poder da comunicação assertiva

O poder da comunicação assertiva

É nas interações que exprimimos o que somos, o que fazemos, o que pensamos, o que sabemos, e como reflexo, nos colocando como agentes modificadores da realidade

Na atualidade, o ato de se comunicar adquiriu dimensões grandiosas, afinal as experiências da humanidade avolumaram-se em demasia e as possibilidades para interação multiplicaram-se, conforme salienta Valéria Cristina, pesquisadora e Doutora em estudos literários na PUC/ Rio. Hoje é possível comunicar-se pelo rádio, pelo jornal impresso, pelo cinema, pela internet, entre diversas outras formas, que variam por sua vez em níveis de complexidade (ROBBINS, 2005).Enfim, as várias linguagens atropelam-se em um mundo cada vez mais veloz, multicultural, tecnológico e globalizado.

“Muito antes de servir para comunicar, a língua serve para viver”. Beneviste, lingüista (1902,1996)

 Sendo o homem complexo, com a capacidade de julgar e discernir, tendo diversas necessidades tais como as fisiológicas, a de segurança, a social, a de auto-estima, auto-realização, entre outras, logo, como essas necessidades são satisfeitas?

São satisfeitas através das diversas formas de interações, de vínculos, utilizando para tanto as diversas formas de linguagem dos quais ressaltamos aqui, neste artigo, as interações interpessoais (face a face). É nessas interações que a realidade é construida.

“Como o ser humano dialoga, e todo comportamento é comunicação, TODA interação, qualquer que seja, supõe por definição um modo de comunicação” (Bateson, 1979)

Então o que é comunicação e linguagem? Qual é a sua função e quais os elementos necessários para que ela ocorra?

Linguagem é qualquer sistema de signos que sirva à comunicação entre homens”. Podem ser verbal ou não-verbal, exteriorizada – comunicação interpessoal – ou não – comunicação intrapessoal. Os signos podem ser verbais: oral, escritos e não-verbais: sonoros, visuais, gestuais, corporais, fisionômicos, outros. Esses não se apresentam em estados puros e sim, de forma combinada, interdependente e simultânea, seja consciente/ voluntário, seja inconsciente/ involuntária. As combinações dependem do contexto.

Roman Jakobson, um dos mais expressivos lingüistas do século XX formulou, a partir dos elementos da comunicação, um modelo para as funções da linguagem. Segundo ele, para cada um dos elementos da comunicação há uma função da linguagem específica. São seis (6):

-Função emotiva ou expressiva: centrada no emissor e refleti seus sentimentos, sua visão de mundo, suas emoções e suas características subjetivas;

-Função apelativa ou conativa: concentra-se no receptor procurando influenciar em suas idéias modificando-as, suas opiniões e seus estados de ânimos. Geralmente os discursos se dão por ordens, apelos e tentativas de persuasão ou sedução;

-Função fática: quando queremos testar, abrir, fechar ou simplesmente reforçar o envio da mensagem e sua recepção;

-Função metalingüística: é quando a própria linguagem fala dela mesma, ocorre também quando tentamos explicar o que foi dito anteriormente com outras palavras, ou seja, esclarece o código;

-Função poética: busca construir a mensagem de forma inovadora, criativa e original onde a forma predomina sobre o conteúdo, não sendo exclusiva dos textos literários e poéticos;

-Por último, a função referencial: utilizada essencialmente para informar fatos cotidianos, sem o emprego de juízo de valor do emissor.

Cabe ressaltar que também as funções aparecem nos diversos contextos de formas combinadas podendo haver predominantemente várias funções de forma igualitária.

Sendo assim, o que é emissor, receptor, mensagem, canal, código e contexto citado anteriormente? Saliento que para que haja uma comunicação efetiva é necessário que esses elementos estejam presentes.

Respondendo à indagação de forma objetiva, o processo de comunicação consiste em o emissor enviar suas idéias, pensamentos, sentimentos, informações por meio da linguagem (código) a um receptor (destinatário) utilizando-se  para tanto, de um canal. Nessa interação há uma reciprocidade e o diálogo vai se desenvolvendo.

Embora esses seis elementos sejam essenciais para que se efetive a comunicação, devemos nos atentar para os aspectos mais sutis e subjetivos da comunicação, em especial, na comunicação interpessoal, tais como: aspectos cognitivos, sentimentos envolvidos, desejos e motivações, cultura, reconhecimento,  respeito das diferenças e das limitações, enfim, nos atentarmos para a  construção da empatia e da escuta dinâmica. Carnegie (2002) em seu livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas sugere, para cultivarmos a empatia para com o outro, ações como:

-Seja simpático,

-Sorria;

-Saiba e chame as pessoas pelo nome;

-Seja um bom ouvinte e não só um bom orador;

-Quando tiver conversando, se interesse verdadeiramente pela a outra pessoa;

-Faça o outro se sentir importante; 

-Não critique, há outras formas de fazer a pessoa mudar o comportamento desejado.

Nesse contexto todo da atualidade, onde nas organizações formais e orgânicas (tecnossociais) são cada vez mais comuns palavras e conceitos como: Era do Conhecimento, Economia do Conhecimento, Networking (rede de contatos), Aprendizado Contínuo, além de outros conceitos, isto devido ao aumento da complexidade dos sistemas técnicos e sociais, o aperfeiçoamento contínuo das habilidades de comunicação e linguagem tornam-se extremamente necessários, além de estratégicos para as empresas e para a construção de carreiras.

O estudioso Henry Mintzberg propôs, estudando grupos de executivos, dez (10) papéis diferentes que podem ser agrupados basicamente em três (3) conjuntos:

Relacionamentos interpessoais;

Transferência de informações e

Tomada de decisão, e que, ainda, segundo ele, são interdependentes e têm como base fundamental a comunicação. 

Podemos acrescentar ainda os papéis dos gestores proposto por Katz (1974) que também têm como base à comunicação.  Os papeis são:

-Habilidades Técnicas: conhecimento na área de atuação específica.

-Habilidade Humana (interpessoal): comunicação, negociação, motivação, percepção, entre outros.

Habilidade Conceitual: análise de problema, tomada de decisão, etc.

Já Mumford Et Al.(2005), acrescenta Habilidade Cognitivas: transmissão eficaz de informações (falada e escrita), escuta ativa e reflexiva, compreensão do que se lê, aprendizagem ativa, raciocínio lógico e crítico. Ele também vai além no que se refere à Habilidade Interpessoal, acrescentando a percepção social e adaptação ao comportamento alheio.

Notemos que em qualquer das habilidades mencionas anteriormente a comunicação e a linguagem são fundamentais, haja vista a valorização dessas habilidades nesta Era da Informação e do Conhecimento.

As organizações como um todo, conforme demonstram as pesquisas, sofrem com inúmeros problemas gerados pelos ruídos oriundos de falhas na comunicação em seus diversos aspectos. Resultado de um processo ligado a certa deficiência na formação de profissionais, relacionado a outro mais amplo de ordem do sistema educacional.

Esta base fundamental, porém, não se encontra, de forma necessária, apenas nas organizações formais (empresas), e sim, na sociedade como um todo, uma vez que o indivíduo é um ser biopsicossocial e sua capacidade de pensar, sentir e agir são expressadas pela múltiplas linguagens. Ainda, é nessas interações que exprimimos o que somos, o que fazemos, o que pensamos, o que sabemos, como reflexo, nos coloando cada vez mais como agentes modificadores da realidade.

Mas para que haja tais interações e aperfeiçoamento das habilidades de comunicação, seja no campo pessoal ou profissional, como mencionado em relação às habilidades necessárias dos gestores modernos, os interlocutores (indivíduos) devem estar aptos a ler os diferentes discursos e esta mesma aptidão, que podemos chamar aqui de consciência lingüística e consciência das relações humanas – com seus múltiplos e complexos aspectos -, somente pode ser adquirida com o exercício das leituras das diferentes linguagens, verbais e não-verbais, como livros, revistas, jornais, artes, comportamento, gestos, expressões corporais, outros.

Caso não haja um estudo sistemático dos indivíduos sobre o tema, o ato de comunicação sofrerá grandes prejuízos e ruídos em qualquer âmbito. Podendo ser oriundos da percepção diferente do contexto, utilização de palavras desconhecidas pelos agentes da comunicação, linguagem inadequada, falta de organização dos pensamentos e  fatores subjetivos, sobrecarga de informação, entre outros aspectos. 

 “Qualquer que sejam as razões profissionais que no ambiente de trabalho levam as pessoas a se comunicarem, é importante ressaltar que o fracasso nesse domínio é doloroso para as pessoas envolvidas e, também onerosa para a empresa como um todo”

(CHANLAT, 1996)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS                         

  • ALLAN; PEASE, Bárbara. Desvendando os segredos da linguagem corporal. Rio de Janeiro: Sextante, 1995.
  • BERGER, Peter L; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1973.
  • CAPRA, F. O ponto de mutação. São Paulo: Cutrix, 1995.
  • CHANLAT, Jean François. O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. São Paulo: Atlas, 1996.
  • MAXIMIANO. Introdução á administração. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2004.
  • O`CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolingüística. 5.ed. São Paulo: Summus, 1995.
  • OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução à sociologia. 22. ed. São Paulo: Ática, 1999.
  • PRESTES, Fernando C; VASCONCELOS, Isabela F. Teoria Geral da Administração. Ed. 3. São Paulo: Thomson, 2006.
  • ROBBINS, Stephen. Comportamento organizacional. São Paulo: Perarson Prentice Hall, 2005.
  •  SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma visão psicolingüística da leitura e do aprender a ler. Ed 5
  • WEISINGER, Hendrie. Inteligência emocional no trabalho: como aplicar os conceitos revolucionários da I.E. nas relações profissionais, reduzindo o stress, aumentando sua satisfação, eficiência e competitividade.Tradução: Eliana Sabino. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.
  •  YUNES, Eliana. A experiência da leitura. São Paulo: Loyola, 2002


Fonte: Artigos Administradores / O poder da comunicação assertiva

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