O poder de investir ao menos 10% de sua receita

O poder de investir ao menos 10% de sua receita

Para começar a investir não é necessário uma grande quantidade de dinheiro, se iniciarmos nossos investimentos com 10% de nossa renda mensal temos grandes oportunidades a nossa espera

Quando se fala em educação financeira lembramos sempre da necessidade de definir previamente quanto será poupado para investir, sendo que esse valor deve ser sempre o primeiro a ser retirado, pois a pessoa estará pagando a si mesma.

A necessidade de poupar ao menos 10% da receita mensalmente não é algo arbitrário, na verdade, está mais para uma lei comprovada, pois todo educador e consultor financeiro sabe que a pessoa precisa normalmente de poucos ajustes para poupar esses 10% e que ao começar a poupar assim ela nem sente falta do dinheiro que, ao invés de ser gasto, estará trabalhando silenciosamente e incansavelmente para ela.

Isso pode ser visto em diversas passagens do livro de George S. Clason, intitulado: O homem mais rico da babilônia. Em diversos capítulos do livro vários personagens mostram como enriqueceram e conseguiram se livrar de suas dividas quando passaram a planejar melhor sua vida financeira e a guardar 10% de seus rendimentos, para depois investi-los.

O livro citado é antigo, mas suas leis são muito atuais, ninguém enriquece tendo dívidas já que os juros das dívidas são maiores que a rentabilidade natural dos investimentos; sem um plano financeiro as pessoas tendem a gastar sem disciplina, se gastam todo o dinheiro não têm como investir ou conseguir criar uma reserva, e assim continuam dependentes da sorte.

Não sem razão é então a dica de poupar ao menos 10% da receita no mês, para muitos pode ser difícil no início, mas rapidamente se mostra como algo simples. Alguns podem inclusive achar que é pouco apenas 10%, mas de início é mais do que o suficiente para criar o hábito, depois do hábito criado pode ser mais fácil aumentar o valor guardado.

Vamos imaginar o seguinte exemplo: Uma pessoa que ganha R$ 3.000,00 ao mês pode guardar sem se apertar normalmente R$ 300,00 e investir isso em uma operação que renda 1% ao mês durante 12 meses, quanto ele teria no final de um ano? E no final de 5 anos?

Bom, veja que 1% bruto ao mês é uma taxa muito fácil de se conseguir, sobretudo no atual cenário econômico do Brasil. Se ele guardar todos os meses R$ 300,00 durante 12 meses (1 ano) a essa taxa ele terá por volta de R$ 3.804,75 e no fim de 5 anos (60 meses) guardando o mesmo valor, com a mesma taxa, ele terá por volta de R$ 24.500,90.

À primeira vista os valores podem parecer pequenos, mas não são, pois, se avaliarmos bem, guardando R$ 300,00 por mês durante um ano o poupador teria acumulado R$ 3.600,00 já o valor bruto estará em R$ 3.804,75; o que compreende uma rentabilidade bruta de 5,69% no primeiro ano. Já em relação ao investimento de 5 anos, o investidor teria acumulado R$ 18.000,00. Mas por conta do investimento teria R$ 24.500,90; o que dá uma rentabilidade bruta de 36,12%.

Isso acontece logicamente pelo efeito dos juros compostos, então, quanto maior o tempo em que continuar investindo, com a mesma taxa e mesmo valor mensais, maior a rentabilidade bruta. A título de exemplo: um investidor que guardasse R$ 300.00 por 10 anos com uma taxa de 1% bruto ao mês, teria juntado R$ 36.000,00 mas teria um total bruto de R$ 69.011,61; o que seria uma rentabilidade bruta de 91,7%, ou seja, quase o dobro do capital investido.

Nesses exemplos podemos ver que mesmo com pequenos valores podemos, ao longo do tempo e com uma taxa pequena de retorno, conseguir uma alta rentabilidade, mas por sorte as taxas mais seguras do Brasil estão atualmente bem acima de 1% ao mês.

Acontece que por pensar que recebe pouco e que 10% seria um nada a pessoa se engana. Invista 10% do que ganha com regularidade e deixe os juros compostos agirem, pois é uma forma de no futuro garantir uma boa qualidade de vida.

Inclusive essa é uma estratégia válida para uma aposentadoria complementar, olhe a tabela no fim do texto. Como disse anteriormente, a taxa de 1% ao mês é muito fácil de conseguir, sendo assim, não é necessário para o investidor iniciante correr atrás de taxas maiores, o que aumentaria seu risco, mas depois que ganhar experiência pode ser bem interessante buscar rentabilidades melhores.

Existem investimentos que permitem conseguir taxas de retorno de 1% com aportes a partir de R$ 30,00. Logo, não há desculpa mesmo para quem ganha um salário mínimo para não investir pensando em seu futuro e para quem pensa que 10% de um salário mínimo não renderia muita coisa, olhe a tabela no fim do texto.

Claro que ainda pode ser argumentado que é difícil poupar mesmo 10% quando se ganha pouco, eis uma verdade, mas existem dicas para que isso se torne menos tortuoso, mas sobre essas dicas trataremos em outra oportunidade.

A seguir tem uma tabela ilustrativa simulando o Valor Futuro do capital de um investidor que, pensando na aposentadoria, investe 10% do salário mínimo, por volta de R$ 80,00; e de outro que também pensando na aposentadoria investe R$ 300,00. A tabela não inclui o ajuste anual provável do salário mínimo, mas serve para ilustrar bem o poder multiplicador dos juros compostos, também devo lembrar que esses valores são brutos, ou seja, não descontam impostos nem inflação no período.

Tempo de aplicação

Acumulado R$ 80,00 mensais

Total Bruto R$ 80,00 mensais

Acumulado R$ 300,00 mensais

Valor Bruto R$ 300,00 mensais

1 ano (12 meses)

R$ 960,00

R$ 1.014,60

R$ 3.600,00

R$ 3.804,75

5 anos (60 meses)

R$ 4.800,00

R$ 6.533,57

R$ 18.000,00

R$ 24.500,90

10 anos (120 meses)

R$ 9.600,00

R$ 18.403,10

R$ 36.000,00

R$ 60.011,61

20 anos (240 meses)

R$ 19.200,00

R$ 79.140,43

R$ 72.000,00

R$ 296.776,91

30 anos (360 meses)

R$ 28.800,00

R$ 279.597,13

R$ 108.000,00

R$ 1.048.489,24

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A tabela acima mostra como no longo prazo os juros se tornam muito fortes, pois as rentabilidades para ambos os investidores após 30 anos é de 870,83% no período, a diferença está no valor acumulado em que essa rentabilidade incide.

Agora imaginemos isso como um plano de aposentadoria complementar: temos que alguém que guardou apenas R$ 80,00 por mês durante 30 anos (360 meses) a uma taxa de 1% ao mês, teria um fundo de R$ 279.597,13, o que poderia ser posto em um investimento que rendesse juros de 10% ao ano, tendo assim uma renda anual extra de R$ 27.959,72 (aqui ainda falta descontar impostos) isso daria por volta de R$ 2.329,75 por mês, nada mal para uma aposentadoria complementar.

O mesmo ocorre com quem guardou R$ 300,00 por mês, só que a renda anual (ainda falta tirar impostos) será próxima a R$ 104.848,95, isso daria por volta de R$ 8.737,41, muito bom para quem guardou apenas 10% do que recebia.

Esses exemplos ignoram o fato que a pessoa pode, com o passar do tempo, aumentar o quanto investe ou buscar taxas maiores que 1%; provavelmente com o tempo o investidor fará os dois, e obterá valores que mesmo após retirar o IR, as taxas e a inflação ficará próximo desse patamar.

Está ai a importância de observar o futuro, ao guardar apenas 10% do que recebemos hoje (e ajustar isso sempre que o salário aumentar) criamos no mínimo um fundo de segurança que permitirá uma aposentadoria mais tranquila e até fazer o planejamento sucessório, vivendo apenas da renda do investimento e deixando o principal lá para auxiliar os herdeiros.

Por isso, não importa se a pessoa ganha apenas um salário mínimo ou muito mais que isso, se ela se planejar pode gozar no futuro de um padrão de vida até maior que o que leva hoje e isso é importante, já que não podemos confiar na previdência pública toda nossa aposentadoria.

Então, deixo a reflexão: não fique esperando poder investir para começar, comece com apenas 10% do que ganha e verá que você que agora lê esse artigo sempre pode investir. O Brasil é um dos países com maior índice de oportunidade na renda fixa, busque informação e saia da poupança o quanto antes, faça seu dinheiro, que é suado de certeza, render de verdade e com segurança.


Fonte: Artigos Administradores / O poder de investir ao menos 10% de sua receita

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