O profissional "pau pra toda obra" é mesmo bom para a empresa?

O profissional “pau pra toda obra” é mesmo bom para a empresa?

Não determinar funções claras e simplesmente contratar a pessoa que “faz de tudo” pode ser a razão de uma cultura organizacional fraca e relações de trabalho escorregadias

Certa vez participei de um processo de seleção de pessoas numa empresa na qual estava prestando uma consultoria. Apesar dessa atividade não ser “minha praia” a responsável pelo recrutamento achou interessante que eu presenciasse a maneira como eles selecionavam seus profissionais para tentarmos minimizar o altíssimo turnover (expressão usada para se comentar a rotatividade das pessoas dentro de uma organização) que existia na empresa, especialmente dos líderes.

Dentre várias atitudes interessantes nas entrevistas que presencie, uma que me chamou atenção, foi o fato de que a grande maioria das pessoas entrevistadas tinham um discurso muito semelhante ao serem abordadas em relação à sua performance de trabalho.

Quase todos os entrevistados, diziam de peito inflado que eram muito dinâmicos e muitos enfatizavam que “eram pau pra toda obra”.

Como isso se mostra tão distante da realidade para a maioria das pessoas.

Impressionante como este discurso acaba tão rápido que ainda dá tempo de lembrar das feições da pessoas quando mencionaram como reagiriam a pressões e dificuldades que poderiam ocorrer nas suas funções.

Isso se torna ainda mais grave se pensarmos que muitas das pessoas entrevistadas eram futuros líderes da empresa e que provavelmente irão alegar que na entrevista não tinha ficado muito claro as atividades que eles exerceriam.

É importante destacar que infelizmente existem empresas que realmente extrapolam o poder de exploração da sua mão de obra. Nesses casos, cabe aos funcionários se revelarem e não pertencerem ao quadro de colaboradores e pedirem para sair, sem ficar culpando os outros pela sua falta de atitude.

No entanto, o que verificamos muitas e muitas vezes, é que as pessoas adotam um discurso de que irá se entregar nas suas atividades, que estará atenta para poder ocupar os espaços que a empresa proporcionar, que não medirá esforços para superar as suas próprias competências com o intuito de colaborar ao máximo para o sucesso da empresa e assim por diante.

Mas na prática…

Assistimos muitas vezes, um verdadeiro descaso com as necessidades da empresa e como se isso já não bastasse, existem as pessoas que promovem um clima nocivo ao ambiente de trabalho provocando a sensação de revolta em outras pessoas que até então não pensavam desta maneira.

Começamos a verificar cada vez mais, que as pessoas começam a criar dentro delas um senso de responsabilidade limitada em suas tarefas, como se o contexto da empresa pouco importasse para ela.

Isso já não é bacana quando falamos de qualquer funcionário da empresa, ao falarmos de líderes está conduta é ainda mais grave. É esperado do líder, um papel de defensor das crenças e da maneira como a empresa trabalha, jamais alguém que trabalha sorrateiramente para enfraquecer a estrutura da empresa.

O líder pode discordar de procedimentos da empresa, caso isso ocorra, na hora oportuna deve se posicionar perante sua cadeia ascendente. O que ele não pode de maneira nenhuma é compor com sua equipe para prejudicar o bom andamento do trabalho.

É fácil verificar o quanto as pessoas perdem o interesse de se dedicarem para suas atividades diretas, quando o líder se posiciona contra estas atitudes. Sendo que o bom líder sabe identificar o quanto é bom que seus liderados estejam a disposição para praticarem bons atos que fortaleçam o dia a dia da empresa.

E o que pode ser feito a respeito?

O que os líderes devem fazer para saírem dessa cilada que muitas vezes eles mesmo se colocaram é proporcionar ao seu grupo um ideal de colaboração mutua. Fazer com que seu grupo entenda que a performance individual terá maiores chances de ser boa, quando a coletiva também for.

Um primeiro grande passo é promover o que eu chamo de “Agradecimento Coletivo”, onde no final de cada projeto, ou mesmo, no final de períodos estabelecidos (o ideal é estabelecer o mínimo de um mês para não se tornar banal a atividade), as pessoas da equipe se reúnem e naquele momento agradecem o quanto um determinado colega ajudou nas atividades que ocorreram no período.

Depois disso, pode se adotar o reconhecimento deste profissional por algum benefício a ser concedido, nunca em forma de dinheiro. Pode se fazer uma brincadeira durante o próximo mês onde todos reconheçam a presença daquele que ajudou alguém, como por exemplo ter um tempo maior de almoço, poder escolher um lugar diferente para sentar na empresa, poder fazer uma reunião com a diretoria para expor suas ideias, outras tantas coisas que dependem muito da situação e realidade de cada empresa para serem escolhidas.

Esse primeiro passo pode fazer com que outras ideias surjam, ideias que combinem ainda mais com o contexto da empresa, não existe um padrão e sim um propósito de fazer com que as pessoas entendam que um dos melhores meios para a superação pessoal e coletiva é inspirar a cooperação entre os parceiros de trabalho.

Se a sua empresa não promove isso, que tal começar você como LÍDER promover isso para a sua equipe e ser um destaque dentro da sua organização?

Aproveite e faça a diferença.


Fonte: Artigos Administradores / O profissional “pau pra toda obra” é mesmo bom para a empresa?

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