O que Carlos Drummond de Andrade diria a Henri Fayol

O que Carlos Drummond de Andrade diria a Henri Fayol

Um convite à reflexão sobre como fazer uma administração sustentável nos tempos atuais

As dificuldades dos tempos atuais , onde a crise assola boa parte dos países, fazem brotar – em nós cidadãos administradores – dúvidas sobre a competência do capitalismo em promover, no mundo, uma gestão sustentável.

É de conhecimento mútuo que a sustentabilidade é um termo bastante propagado atualmente e que basicamente trata de chamar atenção ao cidadão gestor policiar as ações dos humanos no atendimento das suas necessidades do “hoje” sem comprometer o “amanhã” dos demais  que estão por vir.

Para muitos sustentabilidade está intrinsecamente relacionada ao meio ambiente, mas vale uma ressalva porque não é só com o meio ambiente que a humanidade deve se preocupar. Lógico!

Vejo o conceito de sustentabilidade muito mais amplo com um foco, a meu ver, no individuo. Tudo passa pelo individuo. Mas isso não pode caracterizar o individualismo exarcebado exaltado pelo mundo capitalista onde a ausência da moral e da ética mascarada como “ser profissional” ou “ser politicamente correto” ou “cada um com seus problemas” é qualidade primordial para o sucesso como pessoa ou como profissional.

Falo do individuo que tem consciência que seus atos influenciam o meio em que ele vive. E isso, por si só, é elemento consistente para refletir sobre “o próximo”.

No contexto desse artigo vou abordar individuo também como um gestor como já podem notar. Melhor que seja um administrador. Pode ser de empresas. Pode ser de sua própria vida!

Vejo que as universidades atualmente tem a preocupação, para atender o mercado, de formar profissionais formatados, prontos e acabados para serem meros executores de tarefas. Na condição de gestor, seria um mero profissional do “nível tático” que em alinhamento as diretrizes e independente das circunstâncias tem de controlar e confirmar se o profissional do “nível operacional” está fazendo exatamente o que o “nível estratégico” entende ser o ideal que invariavelmente visa maximizar o capital  dos acionistas.

Em sendo assim, podemos dizer, como em Tempos Modernos de Charlie Chaplin, que ainda estamos administrando nossas empresas com o olhar apenas no modelo cientifico e clássico dos engenheiros Frederick Winslow Taylor e Henri Fayol, respectivamente. Foco nas tarefas.Foco no econômico!

Estamos nos esquecendo de aplicar as diretrizes da Teoria das Relações Humanas de George Elton Mayo que em 1933 publicou seu livro The Human Problems of Industrial Civilization onde reforça que a organização deve ser vista também como um sistema social e não apenas um meio de visão econômica e fabril. Não somos “robôs” As pessoas tem sentimentos.

Isso corrobora as recomendações das Teorias de Taylor, Ford e principalmente Fayol que defendia já naquela época a busca máxima da eficiência. Mas ser eficiente passa por considerar também os fatores emocionais e comportamentais do individuo. O sociológo, jurista, historiador e economista alemão Max Weber, apesar da conotação pejorativa que o mundo moderno deu ao vocábulo “burocracia”, esclarecia em sua Teoria das Organizações que qualquer sociedade, organização ou grupo que baseia seu “modus-operandi” em leis (podemos aqui entender em regras, regulamentos, ordens, definições, etc…) é “burocracia” e isso não é ruim como muitos dizem. Para ele, a burocracia é a empresa eficiente por padrão. Por excelência.

É claro, que não podemos esquecer de usar também a Hierarquia das Necessidades do psicólogo americano Abraham Maslow do MIT que apresentava a realização do individuo como sendo o ápice de uma administração de sucesso. A auto-realização é o aspecto mais relevante para o individuo. Individuo aqui entendido como uma pessoa que também tem vida fora do contexto corporativo. É uma definição para individuo coletivo!

Note que muito do que se requer hoje é o que eles já recomendavam naquela época:
– fazer mais com menos.
– eficiência operacional.
– os meios não justificam os fins. 
– O individuo não é só um “número”. Ele tem sentimentos e necessidades.

Para Fayol administrar é definido pelo mnemônico PODC:
– Planejar
– Organizar
– Dirigir
– Controlar

Planejar indica olhar a frente e saber o que se quer e onde quer chegar e como fazer para chegar.
Organizar é ser burocrático. Definir e seguir regras, padrões e regulamentos. Maior padronização. Maior produtividade. Maior eficiência.
Dirigir é dar o norte para extrair de todos o melhor. As suas vantagens. As suas qualidades. Para isso deve-se utilizar todos os recursos que a organização dispõe.
Controlar é garantir que tudo seja feito conforme as regras definidas e ordens dadas.

Porém, cabe aqui o complemento de Mayo e Maslow:
– A primeira transformação necessária para que ocorra a felicidade é passar a acreditar na possibilidade de um mundo onde todos possam se realizar.

Enfim, uma administração sustentável é aquela pautada nas boas práticas que a História da Administração coloca aqui para nós.

É na simplicidade de aceitar e fazer o que deve ser feito pautado na ética, na responsabilidade, na preocupação com o próximo e com o meio em que se vive é podemos definir o perfil de um administrador de futuro!

Ah. Quase ia me esquecendo. O que Carlos Drummond de Andrade diria a Henri Fayol?


E agora, José?

…Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?…”


Fonte: Artigos Administradores / O que Carlos Drummond de Andrade diria a Henri Fayol

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