O que fazer para que os meus filhos sejam campeões e não perdedores?

O que fazer para que os meus filhos sejam campeões e não perdedores?

Uma breve reflexão sobre a função estratégica do pai e da mãe na vida e no futuro dos seus filhos, e como influenciam se estes serão campeões ou perdedores.

Ao final de uma de minhas palestras, em um auditório composto por empresários, executivos e líderes em geral, recebi, por parte de uma senhora da plateia, um dos formulários de avaliação do evento com o seguinte questionamento:

Caro professor,

Estou muito preocupada com a minha filha! Eu sou Diretora Financeira de um grande grupo empresarial. Tenho tentado ensina-la o segredo do meu sucesso, porém, parece que entra por um ouvido e sai pelo outro! Por mais que eu me esforce, ela não muda! O que nós pais podemos fazer para transformar um filho perdedor em um campeão?

 Logo que foi possível, busquei fazer um contato pessoal com esta mãe aflita. Na ocasião, descobri que a filha por ela citada, era uma jovenzinha de 13 anos de idade que tinha passado por algumas situações difíceis, como ficar reprovada na escola e perder o ano letivo e com isto levou sua mãe a uma situação de verdadeiro desespero.

Não sou um especialista em futebol ou qualquer outro tipo de esporte, mas, tenho observado que sempre que um esportista se destaca em alguma modalidade, ele faz uma série de agradecimentos a um grupo de pessoas e há uma figura que sempre é lembrada nestas horas: o treinador.

É verdade que se os resultados almejados não são alcançados, o primeiro a ser demitido também é o treinador. Parece que há uma intima relação entre o treinador e os resultados obtidos pelo time ou pelo esportista.

A nossa vida também é mais ou menos assim. Nós, os pais, somos os treinadores do nosso time, que chamamos de família. Alcançamos esta posição por vários motivos: Somos mais velhos e mais sábios, temos mais experiências, somos os provedores financeiros, temos maior maturidade emocional, temos uma posição social que nos qualifica como tal, etc.

Você pode estar se perguntando: O que tem isso a ver com a pergunta feita por aquela senhora no início do artigo? Qual a relação entre eu ser o treinador do meu time familiar e o meu filho ser ou não um vencedor?

A resposta é simples e dolorida: Eu e você, como pais e mães, somos diretamente responsáveis pelos resultados que nossos filhos alcançam!

Se eles têm alcançado grandes resultados: Parabéns papai! Parabéns mamãe! Vocês são ótimos treinadores e têm conseguido levar seu time à vitória! Seus filhos são campeões, continuem no jogo!

Se eles têm alcançado resultados medíocres: Que ruim papai! Que ruim mamãe! Vocês não são bons técnicos e não têm conseguido levar seu time à vitória! Seus filhos são perdedores, vocês estão fora do jogo, estão demitidos!

Eu sei que esta palavra é dura, porém, tenho certeza que ela é verdadeira e necessária!

Nossos filhos não têm poder para nos despedir da função de pais, mas eles têm o poder de se desconectar de nós. Eles fazem isto por dois motivos. Em um primeiro momento para chamar a nossa atenção e no segundo momento, por não acreditarem mais em nossa liderança.

Pode ser que a forma como temos conduzido a nossa relação com os nossos filhos esteja sendo tão insatisfatória e esteja produzindo tanto descontentamento, que eles estejam agindo como perdedores só para chamar a nossa atenção.

Se com este tipo de atitude eles conseguirem chamar a nossa atenção e mudar a nossa forma de agir, eles também mudam e começam a agir da forma como gostaríamos que eles fossem. Porém, se ao contrário, não conseguirem sucesso em chamar nossa atenção e mudar o nosso comportamento, eles passam a descrer de nossa liderança e se desconectam de nós.

Simples assim!

Este é um processo racional? Não, de forma alguma! Este processo é emocional, instintivo e involuntário. Ele não é nada racional. Os filhos simplesmente reagem assim!

Quanto mais tempo este embate permanece, mas difícil é resolver a situação e mais frustrações teremos no âmbito familiar.

Enfim, homens e mulheres que exercem de forma deficitária as suas funções de treinadores do time familiar, geram filhos perdedores e experimentam maior nível de infelicidade na sua vida particular.

Esta Infelicidade contamina todas as outras áreas da nossa vida, já que somos seres holísticos e, portanto, uma área de nossa existência é intimamente influenciada pela outra.

Infelizmente esta é uma sentença com precisão matemática e que tem se evidenciado em muitos lares de nossa sociedade. Ela se aplica nos lares ricos e nos lares pobres, sem fazer qualquer distinção de origem, cor, raça, posição social, religião ou a quantidade de sucesso que tenhamos alcançado em nossas vidas empresariais.

Grandes empresários podem ser péssimos pais!

Existe alguma maneira de revertermos este triste quadro e conseguirmos fazer com que esta sentença funcione a nosso favor?

A bom notícia é que a resposta a esta pergunta é sim, existe como revertermos este quadro e usarmos esta sentença a nosso favor e transformarmos filhos perdedores em campeões!

 

Uhuuuuu!!! Que bom! Como podemos fazer isto?

Por incrível que pareça, é muito mais fácil do que você pensa!

Vamos começar a construir juntos a solução deste nosso problema…

Por trás da pergunta feita por aquela mãe no início do artigo, há uma preocupação com o futuro. Esta preocupação, muito provavelmente, é advinda da vida aflita que todos nós vivemos, principalmente as mulheres, mais ainda as mães. Devido a esta aflição, há casos extremos em que mães e pais, sobrecarregados por suas múltiplas tarefas e inúmeras jornadas, tentam de todas as formas recompensar a sua ausência através de mecanismos de compensação que só pioram a situação da relação com os seus filhos, ao invés de melhora-la.

Um imenso sentimento de culpa, alimentado pela sensação de não estar cumprindo bem o seu dever de mãe ou de pai, faz com que pais desesperados “entulhem” seus filhos de cursos, atividades e presentes, quando, na verdade, o que eles precisam não é de nada disso. Não estou de forma alguma querendo dizer que os nossos filhos não precisam de cursos, atividades ou presentes, mas, cada uma destas coisas ocupam um espaço dentro da existência humana e não são substitutivos de outras coisas que obrigatoriamente formam a base de formação do caráter e da personalidade do futuro adulto que nós pais estamos formando.

Primeiro passo: Abandone o sentimento de culpa por qualquer tipo de fracasso que você tenha experimentado no passado

O sentimento de culpa tem o seu objetivo e deve servir principalmente como motivador da reflexão e da mudança. Quando nos sentimos culpados por algo que entendemos ter dado errado por responsabilidade nossa, precisamos avaliar a nossa parcela de responsabilidade, tomar as ações corretivas sobre aquilo que impactou a vida de outras pessoas (pedir perdão, ressarcir prejuízos, consertar danos, etc.) e colocar em prática ações que impeçam a repetição dos mesmos erros.

Quando o sentimento de culpa se torna residente ou sistemático, passa a ser danoso para o hospedeiro. O sentimento de culpa permanente tem o poder de minar a nossa capacidade de ver os fatos como eles realmente são. Ele, quando residente, busca apenas se retroalimentar através de ações compensatórias, que por si só não produzem solução (Ex: cursos, atividades, presentes…), mas, sim um breve sentimento de prazer, ligado a autopenitencia. No final, isto tudo só serve para aumentar o nosso sentimento de culpa. Largue isto imediatamente, abandone este sentimento de culpa e assuma o comando das suas próprias emoções!

Segundo passo: Seja o pai do seu filho, seja a mãe do seu filho

Nossos filhos, na formação do seu caráter, precisam que nós realmente ocupemos a nossa posição de pais. A relação pai, mãe e filho é uma relação geradora de segurança. A estabilidade emocional que a criança vai ou não desenvolver é consequência direta da qualidade do relacionamento familiar cultivado dentro de nossas casas. A vida moderna tem nos obrigado a dedicar muito tempo para as atividades seculares (Ex: trabalho, escola, trânsito, laser, academia, e-mails, Facebook, WhatsApp, etc.), em detrimento de outras tarefas que são realmente prioritárias, entre estas o relacionamento familiar. Cada vez somos e nos sentimos mais ausentes!

Como ser pai e como ser mãe, neste contexto? Simples, comece a demonstrar mais interesse pelas coisas que são importantes para os seus filhos. Da mesma forma que na sua agenda profissional está anotado tudo aquilo que é importante para o seu relacionamento profissional, anote também aquilo que é importante para os seus filhos (Ex: aniversário, semana de provas, contatos importantes para eles, etc.). Utilize a tecnologia a seu favor. Como? Simples, sempre que possível, ligue do seu celular para seus filhos e pergunte a eles se eles estão bem, comunique o seu amor por eles dizendo a frase mais poderosa do mundo: Filho, eu te amo! Utilize o WhatsApp e mande mensagens para eles quando eles não estiverem esperando. Enfim, faça tudo aquilo que você faz com todos os contatos que considera importante, só que a motivação agora é outra: faça por amor e deixe eles perceberem isto.

 

Terceiro passo: Deixe seu filho ser criança, adolescente ou jovem! Não tente transformá-lo em um pequeno executivo.

Nós gestores estamos acostumados a tomar muitas decisões dentro do nosso cotidiano e, ao contrário dos outros mortais, isto nos motiva. A quantidade de adrenalina aumenta muito diante dos riscos que somos expostos durante o processo decisório. Ficamos viciados em tomar decisões. Dependendo do nível de responsabilidade, um só executivo toma mais de cem decisões importantes por dia. Este processo avassalador exige de nossas mentes uma objetividade pouco encontrada em outras atividades. Esta objetividade, absolutamente necessária ao desempenho das funções empresariais, tem como consequência o declínio da sensibilidade em relação as questões subjetivas (EX: amor, sentimentos, afeto, carinho, etc.). Estatisticamente falando, na ampla maioria dos casos, quanto maior o nível de responsabilidade, maior é o número de decisões, consequentemente maior é a necessidade de objetividade e maior é a insensibilidade para as coisas subjetivas. Quanto mais se lida com coisas objetivas mais dificuldades se têm em lidar com coisas subjetivas e vice-versa.

Segundo Tales de Mileto “tudo são números” e ainda segundo Kelvin “o que não pode ser medido, não pode ser melhorado”. Na realidade cotidiana do executivo moderno estas afirmativas são princípios observados religiosamente e aplicados várias vezes em um mesmo dia. A aplicação regular vai aos poucos nos condicionando a sermos objetivos. Torna-se um hábito e faz com que tratemos as coisas subjetivas como se as mesmas objetivas fossem. A nossa lógica nos diz que se deu certo nos negócios dará certo em todo o resto da vida. É aí que reside o perigo! Nesses momentos, gênios empresariais se tornam péssimos pais, cônjuges e amigos.

Definitivamente relacionamentos familiares não são relacionamentos empresariais! Há uma lógica própria para cada um deles e não podemos misturar as coisas. Em relação aos nossos filhos, não adianta estabelecermos diagnósticos, metas, analisar desvio e propor planos de ação. Nada disso funciona. O que realmente funciona é o diálogo e o respeito pelas suas opiniões. Não dê ordens e nem estabeleça metas, converse e conquiste!

 

Quarto passo: Se possível, dê a seus filhos no mínimo 4 tipos de formação:

 

  • Ensino pedagógico tradicional – Estou falando do ensino tradicional (Fundamental, Básico, Secundário e Universitário). Procure se envolver, informando-se sobre a semana de provas, resultado das provas e participar das reuniões dos pais e a escola. Demonstre interesse, elogie os bons resultados e busque entender e ajudar a resolver os problemas e dificuldades!

 

  • Ensino de um idioma – Procure prepara-lo para um mundo globalizado, estimulando-o a aprender um novo idioma.

 

  • Ensino de um esporte – O esporte proporciona a oportunidade de desenvolver o espirito de equipe e disciplina, além de melhorar o condicionamento físico. Vivemos em uma sociedade de crianças obesas, sedentárias e viciadas em computador e videogames. As práticas esportivas quebram este círculo vicioso, sociabilizam melhor e criam hábitos saudáveis. Não se deixe vencer pela tentação de impor a criança o esporte que você acha melhor para ela, mas deixe ela escolher a modalidade esportiva que ela mais se identifica.

 

  • Ensino de uma arte – Aprender a tocar um instrumento musical, pintar quadros artísticos, dançar, esculpir ou qualquer outra manifestação artística, influencia o caráter da criança de forma a aumentar a sua sensibilidade para as coisas subjetivas. Mas uma vez, cuidado! Não se deixe vencer pela tentação de impor a criança a prática artística que você acha melhor para ela, mas deixe ela escolher aquela que ela mais se identifica.

 

Quinto passo – Divirta-se com seu filho, de forma que ele veja você como um amigo.

Vá ao cinema, praia, teatro, parque de diversões, exposições e outras coisas que ele se interessa.

Procure conversar sobre como foi a experiência dele com o evento (Ex: Gostou do filme? O que você achou da peça? Qual a sua opinião sobre a exposição? Etc.).

Faça com que ele sinta que você se importa com a opinião dele.

Atrele a sua imagem de pai e mãe a fatos interessantes, positivos e alegres, ligados a vida do seu filho.

 

Sexto passo – Dê a ele a noção do sagrado

Você deve apresentar Deus para o seu filho. Este conhecimento criará um sentimento de esperança perene, que não está atrelado as circunstâncias que o cercam, mas sim a fé, que estará dentro dele. Este tipo de conhecimento não faz mal algum e traz inúmeros benefícios. Muitos vícios, divórcios, falências e suicídios poderiam ter sido evitados se as pessoas tivessem sido apresentadas a Deus e cultivassem uma esperança verdadeira advinda da fé. Existem momentos na vida em que as dificuldades, obstáculos e desafios aumentam de forma tão desproporcionais que só a fé em um ser transcendente é capaz de nos ajudar a manter o nosso equilíbrio emocional.

 

A prática destas ações, permitirá que seu filho manifeste, em maior ou menor grau, os 9 tipos de inteligências descritas abaixo:

 Lógico-matemática

A capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações, discernindo as suas relações e princípios subjacentes. Habilidade para raciocínio dedutivo e para solucionar problemas matemáticos. Cientistas, engenheiros, arquitetos e atividades correlatas, possuem esta característica.

Linguística

Caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos idiomas e pelas palavras e por um desejo em as explorar. É predominante em poetas, escritores, linguistas e artistas em geral.

 Musical

Reconhecida pela habilidade em compor e executar padrões musicais, executando pedaços de ouvido, em termos de ritmo e timbre, mas também escutando e discernindo os sons. Pode estar associada a outras inteligências, como a linguística, espacial ou corporal-cinestésica. É predominante em compositores, maestros, músicos e críticos de música.

 Espacial

Expressada pela capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. É predominante em arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos, geógrafos, navegadores e jogadores de xadrez, etc.  

Corporal-cinestésica

Traduz-se na maior capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo. É predominante entre atores e aqueles que praticam a dança e/ou esportes.  

Intrapessoal

Expressa na capacidade de se conhecer, é a mais rara inteligência sob domínio do ser humano, pois está ligada a capacidade de neutralização dos vícios, entendimento de crenças, limites, preocupações, estilo de vida profissional, autocontrole e domínio dos causadores de estresse.

Interpessoal

Expressa pela habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros. Encontra-se mais desenvolvida em políticos, religiosos e professores.

A soma da inteligência Intrapessoal com inteligência Interpessoal é chamada de Inteligência Emocional

 

Naturalista

Traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, como reconhecer e classificar plantas, animais, minerais. É característica de biólogos e geólogos, por exemplo.

 

Existencial

Investigada no terreno ainda do “possível”, carece de maiores evidências. Abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência. Seria característica de líderes espirituais e de pensadores filosóficos.

Ufa!!! Provavelmente você esteja pensando: Como é difícil ser pai! Como é difícil ser mãe!

Calma, muita calma! Os hábitos precisam de tempo para serem incorporados. Faça um pouquinho de cada vez, não desista diante das adversidades. Mesmo que demore para que você comece a ver resultados, persista! Seja hoje o melhor pai ou a melhor mãe que você consegue ser e deixe que o resto certamente virá como consequência.

Lembre-se que, ao final, você estará construindo na vida do seu filho a trajetória de um campeão e não de um perdedor, independemente da idade que ele ou ela tem,  portanto, vale a pena insistir e continuar!

 Quer falar sobre este assunto? Entre em contato comigo: jemoeloliveira@gmail.com

 

 

 


Fonte: Artigos Administradores / O que fazer para que os meus filhos sejam campeões e não perdedores?

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