O que Maquiavel diria hoje a um jovem estudante que está pretendendo entrar no mundo corporativo?

O que Maquiavel diria hoje a um jovem estudante que está pretendendo entrar no mundo corporativo?

Uma conversa de um jovem estudante com o grande renascentista que desenvolveu um dos principais tratados políticos do pensamento humano

Para Maquiavel uma ação era considerada boa se o resultado fosse positivo. Se o resultado fosse indesejado, a ação seria considerada ruim. Em suma, isso é o Pragmatismo!

Qualquer semelhança com o nosso mundo corporativo não é mera coincidência. O pragmatismo reina até os dias atuais (e não vislumbro um fim tão logo).

Imaginemos a primeira reunião do ano na empresa, onde chefe toma a palavra, liga o data show e projeta as metas em “PPT”. Ou seja, a meta do dono do capital visando o lucro e nada mais. Pronto, estamos com um grande exemplo de um pragmatismo contemporâneo!

Logicamente o chefe não será tão sincero em seu discurso, mas no fundo no fundo a mensagem que ele quer passar é a seguinte:

“Essas são as metas da nossa empresa e você tem que fazer de tudo para atingi-las! Caso você não atinja as metas da nossa empresa (que me levará a um lucro maior), nós iremos te substituir. O que se esperamos de você é nada menos que o atingimento das metas, custe o que custar.”

A empresa não é capaz de dizer exatamente dessa forma, porque seria sinceridade demais e ela não tem essa capacidade.

Porém, a empresa é bastante capaz de motivar o funcionário de diversas formas criativas. Ela vai te dar camiseta, boné, bônus e até promoção com um pequeno aumento de salário. Em contrapartida, durante o ano o colaborar irá vestir a camisa da empresa, até o ponto de se achar a própria organização. Em conversas no bar, por exemplo, irá dizer no meio da conversa: “Eu tenho orgulho de trabalhar nessa empresa”. Em outra parte da conversa o colaborador irá dizer: “Nós estamos abrindo uma filial em tal região”. Nesse momento a empresa já é o colaborador.  É tudo que o chefe quer ouvir. O dono do capital quer dominar você (nós). Dedicação exclusiva, “full time”, “24/7” …

Maquiavel ainda pode dizer o seguinte: “o sentimento predominante nas empresas é o medo. As empresas são regidas pelo medo. Nas empresas é proibido sorrir e os funcionários só estão autorizados a sorrir se o chefe também sorrir.”

Qual é a tragédia nisso? No começo é interessante trabalhar com pessoas que fazem 100% do que se pede. Porém, essas pessoas são incapazes de inovar (inovação é a forma de sobrevivência das empresas), e elas não inovam por medo de serem demitidas. Colaborador que só faze o que se pede e quando se pede não gera valor para as empresas.

Tudo bem Maquiavel, e daí? Você me fala isso tudo e quanto a mim, o que eu faço? Pois, eu sempre quis entrar no mundo corporativo, e com as suas  palavras estou ficando desmotivado.

Maquiavel responderia, provavelmente:

“Calma jovem, vamos conversar. É bem melhor jogar o jogo conhecendo as regras de forma lúcida. Você deve pensar o seguinte: Tudo bem, eu vou ter o meu trabalhado explorado em troca da meta do dono do capital (que é o lucro). Lucro esse que eu não terei direito! Mas, enquanto eu estiver aqui (na empresa) eu quero instantes de felicidade. Pois, eu não vou abdicar de toda a minha existência para perseguir um lucro/meta que não será meu/minha. Inventa alguma coisa (dono do capital), sala de descanso, academia, sala de jogos, qualquer coisa, mas eu preciso de INSTANTES DE FELICIDADE.”

Esse texto foi baseado em uma video aula do Professor da USP Clovis de Barros Filho, com modificações e adaptações.


Fonte: Artigos Administradores / O que Maquiavel diria hoje a um jovem estudante que está pretendendo entrar no mundo corporativo?

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