O relacionamento amoroso no trabalho é um risco para a empresa?

O relacionamento amoroso no trabalho é um risco para a empresa?

A questão dos relacionamentos entre funcionários no ambiente de trabalho é extremamente polêmica e complexa, pois pode gerar implicações que vão desde acusações de assédio sexual até mesmo a destruição do próprio negócio em si

O relacionamento amoroso no trabalho é um risco para a empresa?

O que uma empresa deve fazer quando surge um relacionamento amoroso entre seus funcionários?

Quais os riscos para essa empresa quando o amor do casal acaba?

E quando se trata de uma empresa familiar?

Antes de responder a estas perguntas, vamos fazer algumas considerações a respeito do tema.

A questão dos relacionamentos entre funcionários no ambiente de trabalho é polêmica e complexa, pois tem implicações que vão desde acusações de assédio sexual até mesmo a destruição do próprio negócio em si.

Não pretendemos abordar aqui a questão do assédio, mas sim falar de outro aspecto pouco abordado, mas que deixa muitos empregadores em uma verdadeira “saia justa”.

Uma dúvida bastante frequente é: o empregador pode proibir relacionamentos amorosos entre seus funcionários?

A Justiça do Trabalho tem sido categórica a respeito deste assunto e diz que não. O empregador não pode proibir que seus funcionários namorem ou se casem. Também não pode recusar a contratação de cônjuges alegando que esta é a “política da empresa”.

Recentemente tivemos notícia de que uma rede de hipermercados foi condenada a pagar uma grande indenização a dois de seus funcionários, por conta de tê-los demitido após saber que os mesmos, depois de terem se conhecido no trabalho, acabaram namorando e casando.

Os tribunais estão lotados de processos semelhantes e, em quase a totalidade deles, as decisões têm sido favoráveis aos empregados. Assim, a Justiça tem mandado um recado claro às empresas: não se deve proibir os relacionamentos amorosos entre os funcionários.

Note que estamos falando de relacionamentos amorosos, o que pressupõe consentimento e vontade de ambas as partes.  O assédio é outra questão, completamente diferente, que, como dissemos, não pretendemos abordar aqui.

Apesar do fato de que os relacionamentos legítimos e consensuais devam ser aceitos, é evidente que deve também haver limites e até algumas regras para que tais relacionamentos não interfiram no bom desempenho no trabalho ou tragam problemas à empresa.

Evidente também que o casal deve ter bom senso e compreender que, antes de mais nada, no trabalho deve haver profissionalismo, o que pressupõe um comportamento comedido e discreto, evitando demonstrações ostensivas ou explícitas de carinho, que podem até serem naturais para o casal no ambiente particular, mas que devem, por razões óbvias, serem evitadas no ambiente de trabalho.

Ninguém se espantaria ao ver um casal se beijando apaixonadamente, ou então a esposa sentada no colo do marido numa reunião familiar descontraída, numa festa ou em outro ambiente social informal. Mas as mesmas cenas seriam vistas de maneira muito diferente se ocorressem no trabalho, especialmente aos olhos de clientes, fornecedores, ou pessoas que não saibam da relação do casal.  

Relações sexuais na empresa? Nem pensar! E isso é óbvio. Ou pelo menos deveria ser.

É preciso deixar claro que, embora o empregador não possa proibir o envolvimento amoroso entre seus funcionários, pois isso extrapolaria seu poder de disciplinar, se o casal não se “comportar” dentro dos limites do decoro e da decência, poderá ser demitido por justa causa, e até ser processado dependendo do “exagero” cometido.  

Enfim, discrição e bom senso são fundamentais.

Outro aspecto importante, e igualmente delicado, refere-se à hierarquia, pois quando um dos parceiros ou cônjuges encontra-se em posição superior ao outro, há uma natural suspeita de favorecimentos ou protecionismo, o que pode não ser bem visto pelos demais colegas, podendo mesmo até ser prejudicial à empresa.

Aqui retornamos àquela primeira pergunta do início deste texto: O que uma empresa deve fazer quando surge um relacionamento entre funcionários?

A resposta de muitas empresas tem sido proibir tais relacionamentos e ponto final. Entretanto, assim como no caso da rede de hipermercados, tal postura tem rendido a milhares de funcionários boas indenizações na Justiça do Trabalho. Portanto, proibir não é solução indicada para a empresa.

Então a empresa estaria num dilema?  

Nem tanto. Observações mostram que casais que trabalham juntos, geralmente obtêm desempenho superior ao que demonstrariam isoladamente, ou seja, um casal trabalhando unido gera sinergia, o que é muito positivo para a empresa.

Devemos considerar ainda que as adequações de horários, a logística de transporte, a coincidência de período de férias, entre outros fatores, proporciona ao casal mais tranquilidade e comodidade o que se reflete no seu desempenho profissional.

Mas, nem tudo são flores, pois estamos falando de seres humanos e, mais ainda de seus sentimentos.  É preciso lembrar que somos seres com desejos, sonhos e expectativas. Tais sentimentos nos movem, nos inspiram, nos fazem seguir a diante. Mas, ao mesmo tempo, estamos sujeitos a frustrações, a angústias, dores e ressentimentos. E estes sentimentos negativos nos tiram o ânimo, nos abatem e alteram nosso foco.

Assim, é óbvio que devemos considerar, também, a possibilidade de ocorrência de conflitos matrimoniais e suas consequências no trabalho.

Se quando o casal está unido e emocionalmente bem, há sinergia, quando não estiverem bem acontecerá o contrário. E é exatamente aí que reside o maior risco para a organização.

Vale lembrar que, mesmo que os cônjuges não trabalhem juntos, se houver desavenças e problemas familiares, ocorrerá, inevitavelmente, o abalo psicológico que prejudicará a concentração do trabalhador.

Abalos emocionais, sejam quais forem, tiram a atenção e a energia de qualquer pessoa, mas a situação se torna ainda pior quando a causa de tal sentimento encontra-se trabalhando ao lado. 

Cônjuges em pé de guerra podem transformar o ambiente de trabalho num verdadeiro campo de batalha, com consequências desastrosas para a empresa.

Mais uma vez deve-se evocar o bom senso e apelar para a maturidade do casal, para que consigam superar seus conflitos pessoais sem que isso afete o trabalho.

Infelizmente, falar é mais fácil que fazer, e este pode ser um desafio muito difícil de vencer.

Pior ainda quando a empresa é familiar, ou então quando o próprio casal é a empresa. Vimos isto no caso do casal Joelma e Chimbinha, cujo dilema familiar teve grande repercussão na mídia.  Por conta dos problemas conjugais, a empresa dos dois pode, de uma hora para outra simplesmente desfragmentar-se.

Perdoem-me pelo infame trocadilho, mas a briga do casal pode fazer com que a Banda Calypso entre em Colapso.

Poderíamos citar aqui muitos outros casos, famosos ou não, onde as desavenças familiares ou as mágoas que surgem entre aqueles que antes se amavam, pode significar cisão, ruptura ou até mesmo o esfacelamento total da empresa familiar.

Infelizmente, assim como não há fórmulas mágicas que garantam o sucesso dos relacionamentos amorosos, também não o há para as situações onde há casais trabalhando juntos.

E como já vimos que proibir não adianta, e nem é permitido pela lei, talvez o melhor a fazer seja a empresa seguir a mesma filosofia que nós, seres humanos, devemos seguir em nossas vidas particulares:  Promover, apoiar, incentivar e cultivar o AMOR.

Então, amemos e deixemos amar.

E que a felicidade chegue para todos nós.


Fonte: Artigos Administradores / O relacionamento amoroso no trabalho é um risco para a empresa?

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