O sucesso na vida profissional é compatível com a felicidade pessoal?

O sucesso na vida profissional é compatível com a felicidade pessoal?

Este artigo procura demonstrar de forma prática como os conflitos familiares mal resolvidos podem interagir com as nossas vidas profissionais, gerando consequências terríveis e prejuízos irreparáveis

Durante mais de uma década trabalhei embarcado em diversas embarcações localizadas na costa brasileira. Neste período fiz grandes amizades e entre elas me lembro de um bom amigo, especialista em manutenção de grande maquinas industriais offshore.

Ele era estrangeiro e veio para o Brasil representar uma empresa europeia que fabricava este tipo de equipamento. Mudou-se com sua família para o Brasil, aprendeu nosso idioma, os nossos costumes e se tornou um importante executivo da empresa na América do Sul.

Devido ao seu trabalho e dedicação, sua empresa alavancou muito negócios em nosso país. Foi a união perfeita entre um fornecedor procurando novos mercados, um executivo bem posicionado e um país em forte crescimento industrial. Tudo estava dando certo. Ele era um cara inteligente, dinâmico, alegre e bom amigo.

Porém, esta trajetória foi interrompida por uma tragédia. Certo dia, antes de embarcar em uma das embarcações, ele teve um desentendimento com uma de suas filhas. Coisa do cotidiano, nada muito sério, mas que foi potencializado pela necessidade iminente de embarcar. Sua filha ficou aborrecida com ele e ele aborrecido com ela. Não houve o tempo hábil e necessário aos dois para reconciliação.

Ele viajou para trabalhar com aquela situação mal resolvida. Durante os primeiros dias de embarque ele falou muito sobre esta situação. Várias vezes disse que saiu sem se despedir da sua filha e isto o estava incomodando muito. Sua mente ficou tomada por aquele assunto. Toda a sua energia emocional estava focada naquilo. Ele amava sua família.

Durante uma inspeção em um determinado equipamento, fez-se necessário a desmontagem de parte da estrutura de carenagem deste mesmo equipamento. Para isso, ele montou um guindaste e fixou a peça no mesmo. Esta atividade geralmente era feita por dois profissionais especializados, mas, não se sabe o porquê, ele resolveu fazer sozinho. Era uma peça grande e muito pesada, portanto sua desmontagem exigia a observância de muitos procedimentos de segurança. Ele, após a fixação da peça no guindaste, iniciou o desenrosque dos parafusos. Provavelmente, devido a sua preocupação com o ocorrido em casa, ele não prestou a devida atenção na fixação da peça no guindaste. Este erro lhe seria fatal. A medida que os parafusos foram sendo desenroscados, o peso da peça foi sendo suportado pelo guindaste. Em um determinado momento, quando já estava totalmente livre dos parafusos, a peça se soltou e caiu em cima do meu amigo.

Uma tragédia indescritível!

Ele sobreviveu ainda por quase uma hora, apesar de boa parte do seu corpo ter sido esmagada pelo peso da peça.

Antes de morrer ele lamentou o seu erro e lembrou-se de sua filha dizendo: ___ O mais triste de tudo é que vou morrer e sai de casa sem me despedir do amor da minha vida, minha filhinha querida!

Este episódio me marcou profundamente. Fiz e refiz a seguintes perguntas:

Por que ele deixou que alguma divergência o levasse a comprometer, ainda que momentaneamente, o relacionamento com sua filha?

O conflito familiar poderia ter sido resolvido na origem de forma imediata.

Por que ele deixou que a divergência permanecesse e não resolveu logo, antes de viajar a serviço?

O conflito familiar poderia ter sido resolvido antes que ganhasse maiores proporções. Pequenos problemas, quando ruminados, se transformam em grandes problemas.

Por que ele, estando embarcado, não entrou em contato com a família e resolveu o problema, achando que quando desembarcasse haveria oportunidade para fazê-lo?

A solução do conflito não deve ser postergada; não somos donos de nosso destino e não sabemos o que vai acontecer no próximo instante.

Por que ele deixou que este conflito ocupasse tanto a sua mente, a ponto de perder a noção dos riscos inerentes as atividades que estava fazendo?

Todo conflito mexe com o nosso emocional e deve ser tratado sob a ótica da inteligência emocional. É impossível evitar os conflitos, mas é totalmente possível aprender a lidar com eles.

 Enfim, perguntas que ficarão sem respostas…

 As consequências de sua morte foram as piores possíveis:

Perdemos um grande amigo;

Uma família ficou sem seu pai;

A empresa perdeu sua posição no mercado. Não conseguiu um profissional com as características dele, que fazia a mediação perfeita entre ela na Europa e os clientes no Brasil.

A falta de aplicação da inteligência emocional e o consequente desequilíbrio emocional, pode levar-nos a amargar prejuízos irreparáveis!


Fonte: Artigos Administradores / O sucesso na vida profissional é compatível com a felicidade pessoal?

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