O trabalho como fonte de (in) felicidade

O trabalho como fonte de (in) felicidade

Esse texto trata das escolhas que fazemos em nossas carreiras e como elas interferem no processo de conquista de nossa satisfação pessoal e profissional

Trimmmm, o alarme toca 06:00 h da manhã de segunda-feira. Você, assustado e meio desnorteado, confere o relógio na esperança de ter programado o horário para mais cedo. Ao levantar-se da cama, pensa:

a)      Puts, mais uma semana de trabalho…

ou

b)      Oba, mais uma semana de trabalho!

Qualquer que seja a alternativa escolhida, esse texto objetiva discutir a dimensão que o trabalho ocupa em nossas vidas. É possível que um emprego ou atividade possam ser, simultaneamente, fonte de renda e satisfação pessoal? Veremos a seguir.

O lindíssimo filme japonês “A Partida”, do diretor Yojiro Takita, conta a história de um jovem músico, pouco dedicado, que, ao ser dispensado da orquestra em que atuava, passa por vários cargos, sem conseguir se fixar. Fortuitamente, depara-se com um anúncio de emprego sobre “partidas”, em que pensa ser uma vaga para trabalhar em uma agência de viagens. A surpresa ocorre quando descobre que a oportunidade se referia à preparação de cadáveres, ou seja, pessoas que maquiavam e embelezavam os corpos antes do enterro. O que poderia parecer um emprego assustador, representou para o protagonista um ofício que lhe oferecia plena satisfação pessoal e financeira, além de ser uma forma de expor seus verdadeiros talentos.

O autor Mihaly Csikszentmihalyi nomeia de “Flow” à atividade na qual sentimos muito bem-estar em executar e que faz com que a gente perca a noção de tempo e espaço. É como se o tudo parasse enquanto nos dedicamos àquela tarefa; entramos em um estado alfa, em um nível extremamente avançado de concentração, de entrega e aplicação das nossas competências e habilidades. É como se tudo se encaixasse naquele instante, “nasci para isso”.

Não raramente, ouvimos depoimentos de amigos comentando o trabalho como sinônimo de decepção e frustração. Contudo, acreditamos possuir aptidões que podem ser direcionadas e desenvolvidas. O que falta, então? Talvez uma oportunidade. A boa notícia é que essas possibilidades dependem muito mais da nossa coragem e da nossa vontade de ir atrás de novidades do que esperar um anúncio com o emprego e a remuneração dos sonhos na seção de emprego, nos classificados do jornal de domingo.

Csikszentmihalyi apregoa que vivemos atualmente uma era de especializações que acabou por limitar o potencial dos seres humanos. A escolha de um curso no vestibular tem, inclusive, decretado o destino profissional derradeiro de muita gente incrivelmente versátil. E quanto às outras potencialidades nossas que ainda não encontraram condições adequadas para desabrochar?

Várias profissões surgiram nos últimos anos e vêm conquistando respeito e admiração. DJ´s, fotógrafos de gestante, tatuadores, instrutores de pilates, professores de dança, chefs de cozinha, entre outros, são exemplos de atividades que se consolidaram nos últimos tempos. Após superar a etapa em que eram consideradas inferiores e marginalizadas, essas ocupações representam uma pequena amostra do rol de possibilidades que permitem harmonizar um emprego que realmente produza sentido na vida de quem o exerce, com reconhecimento da sociedade e rendimentos interessantes.

E quanto a mim? Qual o verdadeiro valor do meu trabalho? Estou satisfeito com meu rumo profissional? Aos que não estão, sugiro conversar com aqueles colegas que atuam em atividades não-convencionais e que são realizados com o que fazem. Ter conhecimento dos obstáculos pelos quais passaram é muito valioso para compreender que o processo de construção de uma profissão não se alicerça apenas com boas notícias. Coragem, foco e brilho nos olhos costumam ser uma combinação poderosa.

Acredite: permitir-se entrar por uma nova porta pode revelar inúmeras possibilidades pela frente. Quem sabe uma (ou várias delas) manifeste suas aptidões, fazendo com que sua rotina deixe de ser um fardo e o alarme da manhã sirva para despertar seus verdadeiros talentos. 


Fonte: Artigos Administradores / O trabalho como fonte de (in) felicidade

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