Óleo e gorduras residuais para produção de biodiesel

Óleo e gorduras residuais para produção de biodiesel

Como processo de reciclagem do óleo de cozinha pode fazer bem para o bolso e para o meio ambiente

Cuidar do meio ambiente e movimentar a economia, esse parece ser o objetivo quando se fala em reciclar. Com esse objetivo, projetos concentrados em recolher óleos e gorduras residuais (OGR) e firmar parcerias para produção de um combustível renovável e biodegradável – o biodiesel – vem se fortalecendo pelo Brasil. Estudos apontam que 1 litro de óleo pode resultar em, aproximadamente, 980 ml do biocombustível.

 Hoje, o país utiliza cerca de 30 milhões de litros de óleo de fritura para processar biodiesel através da transesterificação, reação química entre óleos vegetais (novos ou usados) e álcool de cana de açúcar ou metanol (álcool derivado de gás natural ou petróleo).

 Se levarmos em consideração que um litro de óleo descartado polui o equivalente a 20 mil litros em cursos d’água (informações da empresa de saneamento do Estado de São Paulo, a SABESP), pense qual seria o resultado de 200 milhões de litros de óleo usados por mês descartados em rios e lagos. De acordo com a Ecóleo (Associação Brasileira para Sensibilização, Coleta e Reciclagem de Resíduos de Óleo Comestível) esse é o volume que o Brasil descarta hoje.

 Para evitar esses danos, basta não descartar o produto no ralo da pia ou coloca-lo em garrafas pet no lixo, solução pior para o meio ambiente. Além de o plástico ser outro vilão na natureza, um vazamento causaria danos aos lençóis freáticos, ao solo e à atmosfera. O óleo vegetal, quando em processo de decomposição, libera gás metano – um dos provocadores de efeito estufa – responsável pelo aquecimento global.

 A análise da quantidade de lixo produzido todos os dias aponta uma pequena porcentagem como sendo do óleo, porém com um impacto ambiental significativo. Em poucos dias, o produto forma uma fina camada sobre a superfície d’água capaz de bloquear a passagem de ar e luz, impedindo a respiração e a fotossíntese no ambiente.

Projetos de sucesso

 Em 2014 a parceria da Petrobras Biocombustível com 28 cooperativas e associações de catadores no Ceará (Quixadá e Fortaleza) e na Bahia (região metropolitana de Salvador), contribuiu para duas usinas da companhia, em Candeias (BA) e Quixadá (CE), processarem cerca de 232 mil litros de OGR.

No ano passado a cidade de Indaiatuba produziu 14,6 mil litros de biodiesel a partir de óleo de gorduras recicladas. A iniciativa proporcionou uma economia em combustível de R$ 36 mil aos cofres públicos e ainda abasteceu a frota de caminhões e máquinas da Prefeitura e do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).

 Em Sete Lagoas, Minas Gerais, o projeto “Papa Óleo”, promovido pela União Social Ecológica (USE), conseguiu preservar 50 bilhões de litros de água coletando 50 mil litros de óleo usado desde sua implantação em outubro de 2014.

O Projeto Biodiesel de Osasco (SP), implantado em 2008 pela Secretaria do Meio Ambiente da cidade já soma mais de 250 mil litros recolhidos em 900 postos. Além de realizar a coleta, o programa promove ações para conscientizar a população da importância do descarte ecológico dos OGR.

Na última sexta-feira (15), o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), começou a coleta de óleo de fritura, entregue pelos funcionários e produzido no ministério, também com o objetivo de produzir biodiesel.

A finalidade é reduzir o impacto ambiental da queima de combustíveis – o biocombustível servirá para alimentar a frota da Caesb – e reduzir os custos do tratamento de esgoto. Segundo Oilton Paiva – encarregado da Gerência de Gestão Ambiental Corporativa da empresa – para cada litro de óleo de cozinha que chega à rede de esgoto do DF são gastos 25 centavos para seu tratamento.

Em Osasco, dados do Projeto Biodiesel informam que descartar óleos e gorduras residuais na rede de esgoto encarece seu tratamento em até 45%. Além da produção de biodiesel, a reciclagem do óleo de cozinha usado pode fabricar massa de vidraceiro, ração animal, resinas para tintas, adesivos e outros produtos.


Fonte: Artigos Administradores / Óleo e gorduras residuais para produção de biodiesel

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